terça-feira, 19 de abril de 2011

Roberto Carlos - Em Ritmo de Aventura [1967]

Hoje é um dia muito importante, Roberto Carlos completa 70 anos de vida.

Já disse aqui que fico impressionado com a capacidade de algo, alguém, ideologia ou qualquer tipo de expressão humana enraizar-se definitivamente dentro de uma cultura durante anos, décadas e séculos. Em contexto global, nada nem ninguém superará os Beatles. Em contexto nacional, nada nem ninguém superará Roberto Carlos. Em popularidade e influência musical, arrisco-me dizer que RC que pelo conjunto da obra, seja o maior músico brasileiro da história. Pontos para isso são muitos.

O surgimento da Jovem Guarda nos anos 60 e a fase romântica dos anos 70, minhas preferidas, causaram um impacto tremendo na música popular brasileira. Daquela época em diante, todo mundo quis fazer um rock´n´roll tupiniquim que nem Roberto ou falar de amor que nem ele. A simplicidade da explosão de sons e sentimentos foram importantes para consolidar sua posição diante do imaginário do povo brasileiro. Contudo, essa eternização foi consideravelmente ajudada pelo falo de Roberto Carlos ser politicamente correto e ter um ótimo relacionamento com a imprensa. E isso, caro amigos, ajuda, e ajuda muito.

Considero que similarmente a ele em termos de influências musicais está Chico Buarque de Hollanda. Se Roberto é Maradona, Chico é Pelé. Mas, por que Chico só é lembrado por pseudos-intelectuais de meia tigela que nem eu? E RC é aclamado em especiais de fim de ano anualmente?

A resposta é simples: política.

Quando a ditadura era ferrenha e o pau comia, Chico bradava liberdade, era preso e exilado. Roberto tinha programa na Globo e não tocava no assunto. Mas, sou um dos poucos que não o critica por isso. Todos tem o direito de falar ou de ficarem calados, e ninguém tem nada haver com isso. Enfim, com o passar do tempo, RC cada vez era mais bem visto pela Vênus Platinada do que Francisco Buarque, é muito mais fácil se associar a alguém carismático, apolítico e correto como Roberto do que arriscar no samba agressivo politicamente e contestador como o de Chico. Talvez o próprio Francisco tornou essa postura como meio de defesa perante a uma exposição pública, nem todo mundo quer ser visado por 120 milhões de pessoas, eu, propriamente, sou como ele.

São músicas diferentes em sujeitos diferentes.

Contudo, Roberto criou em 50 anos uma áurea de Deus sobre ele, de forma merecida. Seus discos e especiais, dizem os mais velhos, quando lançados, eram capazes de levar multidões as lojas, efeito similar apenas a jogos do Brasil na Copa do Mundo. Elejo aqui, o meu preferido.
'Em Ritmo de Aventura' traz clássicos que ecoam e ecoarão pelos corações de toda a população, aqui existe 'Como é Grande Meu Amor Por Você', 'Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo' e 'Ciúme de Você' (Por Deus, deveriam prender o Raça Negra) e 'Quando'.

Um grande presente de aniversário aparecer por aqui em seu dia, espero que o Rei fique orgulhoso.

01- Eu Sou Terrível
02- Como é Grande o Meu Amor Por Você
03- Por Isso Corro Demais
04- Você Deixou Alguém a Esperar
05- De Que Vale Tudo Isso
06- Folhas de Outono
07- Quando
08- É Tempo de Amar
09- Você Não Serve Pra Mim
10- E Por Isso Estou Aqui
11- O Sósia
12- Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim

Link: http://www.*fileserve.com/file/uSd6j68

De quebra, a primeira aparição de um músico em um 'Rooftop', porque os Beatles não foram os primeiros a subir em um telhado.


domingo, 17 de abril de 2011

Discos da Minha Vida: Coldplay - Parachutes [2000]

Em 2003 eu tinha 14 aninhos, com uma insônia característica que me acompanha desde os primórdios, eu assistia à MTV. Naquela época, a emissora diferentemente do que é hoje, era bem legal. Sempre gostava de vasculhá-la de madrugada, porque volta e meia apareciam umas bandas inglesas, irlandesas, escocesas, ou até romenas fazendo um rock que se pelo menos não me agradasse de cara, chamava minha atenção. E foi em uma dessas noites que vi o clipe de 'Yellow': um magrela tipicamente britânico correndo por uma praia nublada em mais uma mera declaração de amor. Claro que, eu me apaixonaria por aquele som à primeira vista.

Foi assim, de forma mais ou menos inesperada que eu descobria Coldplay e seu Parachutes. Álbum de estréia da banda, lançado em 2000, traz as músicas que mais gosto do quarteto londrino. Naquela época eles não eram de longe um novo U2, não se lotava estádios, os fãs não pagavam fortunas em ingressos nas turnês pelo globo à fora, e duvido que o conhecimento sobre eles iam muito além que o subúrbio de Londres.

O meu grande problema é que eu sou avesso a tudo que não é humano ou cotidiano. Estádios gigantescos com performances estilo Lady Gaga pra mim não fazem muito sentido, só são coisas de megalomaníacos que cada vez mais querem inovar nesse tal de entretenimento. Não que o Coldplay de hoje seja chato, talvez seja tão bom quanto, mas, minha nostalgia e egocentrismos inveterados acham que eles hoje estão no mínimos distantes do que via na década passada, do som que os caracterizava e de que eu gostava pra caralho.

O disco em si sofre uma grande influência do britpop geracional dos anos 90, e as temáticas me remetem fortemente há coisas como o Grace do Jeff Buclkey (olha ele aí de novo, num disse que o cara era foda). Chris Martin entoando um violão com a ajuda da turma refletia um som simples e direto, marcado por simples canções de amor, como 'Spies' e baladas de muito mais força e regência como 'Shiver'. Do mesmo modo, o piano aparecia pela primeira vez, acompanhando 'Trouble', um mero pedido de desculpas, e a guitarra de John Buckland despertava-se em 'Yellow' como um dos clássicos do rock britânico da última década.

Talvez minha grande ligação com esse disco, mais do que as músicas possam me dizer, ou a maneira pelo qual qualquer mensagem textual ou sonora é emitida, é a força de uma banda em seu começo. Não havia abundância de dinheiro, nem milhares de fãs, nem casamentos, filhos, paparazzis, e toda aquele escambau de vetores que influenciam um grupo musical depois que caem no mainstream. Havia, singelamente, música. O disco é movido a paixão, tanto de tocar, quanto de escrever, é rodado de confiança, o disco em si, é humano. Por isso, é o meu preferido da banda, o que de mais humano, se liga a mim.

01- Don´t Panic
02- Shiver
03- Spies
04- Sparks
05- Yellow
06- Trouble
07- Parachutes
08- High Speed
09- We Never Change
10- Everything´s Not Lost

Link: http://www.*4shared.com*/file/6iwavbdu/Parachutes_2000.htm

sexta-feira, 15 de abril de 2011

The Verve - Urban Hymns [1997]

Verve, talvez a banda que somente perde no coração desse mediocrático baixinho barbudo para Oasis e Beatles no hall do rock britânico. O Verve é reconhecidamente uma banda do já quase extinto britpop, gênero denominado pela imprensa inglesa para chamar a emergente cena musical de Manchester, Londres e outras cidades interioranas no início dos anos 90. Dessas cidades interioranas, é que o Verve surgiu, precisamente de Wigan. De Wigan conheço muito pouco, sei que faz parte da região metropolitana de Manchester, é uma Jaboatão dos Guararapes, muito, mas muito menor que a original, com um time que apesar de jogar a Primeira Divisão, tem uma zaga tão ruim quanto a do Náutico.

Bem, apresentados esses pressupostos, partimos para o cerne da banda, o manda-chuva, Richard Ashcroft. Ashcroft, um dos poucos amigos de Noel Gallagher, pode ser considerado por mim tão bom quanto o criador de 'Live Forever'. Por que? Por causa de Urban Hymns. Lançado em 1997, o terceiro álbum da banda é uma menininha para os meus olhos, principalmente pela sensacional Bittersweet Simphony.

A junção de elementos de orquestra com o rock já era batida desde o Metallica e muita gente do hard metal no início dos anos 90, mas, no rock inglês era no mínimo uma novidade. Mas, que novidade, han? Além de arrumar briga com Jagger por causa de suspostos direitos autorais, Bittersweet inaugura 20s de puro deleite entre os violinos e metais de seu início, marcando pra sempre a história da banda.

Mas, não é só, a melodiosa balada romântica de 'Sonnet' aliada a 'The Drugs Don´t Work', um tiro no saco de quem acha que fugir e se esconder nas drogas é a saída para encarar a vida, fazem desse disco um dos mais falantes pra mim. Diferentemente dos fãs da gigante Oasis e dos rivais do Blur, o Verve caminhou em águas claras e não tão reluzentes, proporcionando a ouvidos mais curiosos como os meus belos sons, que marcaram e ainda se fazem presentes em vários momentos.

Em 1999, logo após o sucesso estrondoso do terceiro cd, a coisa começa a desandar. Sabe como é banda, ou qualquer conglomerado humano que passe mais de 1 ano junto, começa-se a haver disputa de território, dinheiro pra cá, pra lá, um filho da puta xingado aqui acolá e tudo se esvanece pelos dedos. Foi aí que eles anunciaram a separação, Ashcroft iniciando uma carreira solo de grande reconhecimento (que também passará por aqui) e Simon pinotando para o Blur.

Em 2007, boom, o Verve voltou, com seu quarto cd, criativamente chamado de Forth, nem deu tempo de escutá-lo e novamente foi anunciada uma nova separação. Por não gostar muito desses vai e vem e dessas brigas de rapariga, continuo atrelado ao Urban Hymns, que disco velhinhos, que disco..

1- The Bittersweet Simphony
2- Sonnet
3- The Rolling People
4- The Drugs Don´t Work
5- Catching The Butterfly
6- Neon Wilderness
7- Space On Time
8- Weeping Willow
9- Lucky Man
10- One Day
11- This Time
12- Velvet Morning
13- Come On

http://www.*4shared*.com/file/8OAwPSLi/The_Verve_-_Urban_Hymns.htm

segunda-feira, 11 de abril de 2011

The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced? [1967]

Se Clapton é o Deus da guitarra, esse homem é o diabo. Nunca existiu ninguém que dominasse uma guitarra como James Marshall Hendrix, esse afro-americano superou a barreira entre os mortais e o absurdo. Reza a lenda que Eric Clapton e Peter Townshend após verem uma apresentação do americano quase largaram o nobre ofício, por se sentirem totalmente incapacitados em realizar outra perfomance como aquela. Afirmam alguns que a mistureba cultural que Jimmy apresentava era fruto de sua ascendência negra e indígena.

Pois bem, fortemente influenciado por blues e jazz moderno, ninguém nunca fundiu esses ritmos com psicodelismo e rock´n´roll como ele, a mistura que 'Hey Joe' apresenta pra mim em hipótese alguma foi superada em quase 60 anos dessa nobre classe musical. Are You Experienced é a estréia de Hendrix no mundo da música, e nada, (talvez só os Beatles) causaram mais impacto que ele.

Em um rock almofadinha e puramente correto, a aparição de um negro tocando guitarra loucamente empunhando uma ideologia de porra louca foi de chocar muita gente. Talvez, foi justamente o que Hendrix queria, ele não estava nem aí pra ninguém. Especialistas, deixando de lado eu, claramente, consideram que ele foi o pai da microfonia, o pai da distorção, introduzindo amplificadores distorcidos e o pedal wah-wah. Só pra se ter um exemplo, algo como In Utero do Nirvana nunca teria existido senão fosse esse cara aí.

The Jimi Hendrix Experience era ainda formado por Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na percussão, bateria e backing vocals, esse disco de estréia só foi barrado na parada americana, pelo pasmem, 'Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band', nada mal, han? Posteriormente, apresento aqui mais dois álbuns da trilogia desse trio.

01- Foxy Lady
02- Manic Depression
03- Red House
04- Can You See Me
05- Love of Confusion
06- I Don´t Live Today
07- May This Be Love
08- Fire
09- Third Stone From The Sun
10- Remember
11- Are You Experienced

Link: http://www.*fileserve*.com/file/jnF2DtZ

sábado, 9 de abril de 2011

The Beatles - A Hard Days Night [1964]

Às vezes, me impressiono com a capacidade que pessoas, fatos e características têm de marcar a história e se tornarem imortais. Quando essa possibilidade se constrói a partir de uma marca cultural, para mim, se torna ainda mais relevante.

E é nessa esteira que eu posso considerar que os Beatles são imortais, não importa quantos séculos se passem, quantas reviravoltas a música acabe por passar, ninguém, absolutamente ninguém, vai esquecer esses 4 caras de Liverpool.

Em 1964, esses caras já tinham o Meet The Beatles e o Second Album, seus dois primeiros discos, como os álbuns mais vendidos dos EUA. Para um Luan Santana da vida isso já seria o auge de sua carreira musical industrial. Mas, para caras assim, definitivamente não era o grude da unha do pé esquerdo.

Eles iam alcançar mais, e mais. Então, John e Paul (influenciado fortemente por Buddy Holly) decidiram compor um álbum inteiro de músicas próprias. Foi mais ou menos o seguinte: ''- Caralho, Paul, a gente até que toca direitinho, eu tenho umas coisas que eu fiz. Podemos chamá-las de Lennon/McCartney e construírmos um novo disco. - Tá bom, eu tenho umas coisas minhas também, vamos ver como fica.''

E assim, surgiu o terceiro disco, 'A Hard Day´s Night'. Fascinado por álbuns caracterizados pela simplicidade, como sou, é claro que não poderia passar desapercebido entre os meus favoritos. A Rickenbacker de 12 cordas de George Harrison deu na cara de muito guitarrista clássico que não conseguia estender o alcance do instrumento com tão poucos acordes. Era sublime. Com o sobrenome Lennon/McCartney, apesar de serem composições restritas de John, surgiram todas as músicas do disco, com exceção de 'Can´t Buy me Love', 'Things We Said Today' e 'And I Love Her' que não deixaram de ser de Paul.

Com o disco veio a consagração e a histeria nos EUA, aliados ao filme 'Os Reis do Iê-iê-iê', que configurou-se pra mim como a melhor película dos Beatles. Assim eles entraram pela porta da frente no mercado americano, e cada vez mais passariam a ganhar notoriedade internacional, com esse disco, até o fim do casamento entre os 4, o céu seria o limite.

1- A Hard Day´s Night
2- I Should Have Known Better
3- If I Fell
4- I´m Happy Just to Dance With You
5- And I Love Her
6- Tell Me Why
7- Can´t Buy Me Love
8- Anytime At All
9- I´ll Cry Instead
10- Things We Said Today
11- When I Get Home
12- You Can´t Do That
13- I´ll Be Back

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Eddie Vedder - Into The Wild [2007]

'Quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos..'

Cheguei à época que o pai de Fiuk descreve como uma das mais importantes da vida, sinto que cada passo que dou agora é propenso a enormes consequências para o futuro, não que eu de alguma forma me preoucupe a cada segundo com isso, mas, não é também sinal de que eu esteja me fudendo pra isso.

É por essas e outras que uma trilha sonora, e em especial uma película me fazem bem pra caramba. Eddie Vedder pra mim dispensa comentários, líder do Pearl Jam, uma das vozes mais conceituadas pra mim, posso dizer que sim, Vedder é o ''cara''. E é por isso que fazer a trilha de 'Into the Wild' de Sean Penn, aportuguesado para 'Da Natureza Selvagem' caiu como uma luva para seu primeiro disco solo. Um cara típicamente filho da sociedade americana, que com o passar dos anos, em especial durante o Governo do Bush Filho se debandeou para um lado cada vez mais crítico e niilista quanto ao modelo econômico e político de seu país (tema para outro post).

Pois bem, Into the Wild conta a história de um jovem chamado Chris McCandless, recém-bacharéu em direito, filho de uma família tradicional, que larga seu evidente futuro promissor a partir do momento que nota o quanto a sociedade é hipócrita, injusta, inescrupulosa e andante para um abismo. A partir daí, se mete em uma aventura a fim de viver sozinho no Alasca, rejeitando qualquer contato com o mundo material. Dentre algumas semelhanças claras, o fato de eu me indentificar com Chris advém de ele, assim como eu, ser um sonhador, inocente e propenso a atitudes heróicas.

O disco é uma pérola de Vedder discorrendo sobre os motivos e fatos que levaram Chris a tomar uma atitude, não fictícia, mas totalmente real, de largar à sociedade. Depois de uma análise profunda e de muita perda de tempo, cheguei a uma efetiva conclusão. Não há correspondência real de como seguir o modelo de Chris, senão o caminho da solidão e da morte, são fugas, e pra mim todo mundo que foge, é deveramente um otário. Entretanto, consegui aprender que meus passos devem ser correlatos ao que eu sou, e a racionalidade deve estar à flor da pele, sobretudo agora.

O ser humano é intríseco a sociedade, sem ele, ela não existe, sem ela, ele não vive. O jeito é compreender meus sonhos e lutar por eles, talvez um bom cargo com a faculdade que cursei, um emprego que me permita estudar o que gosto e montar uma família, composta por: uma mulher nem muito bonita, nem muito feia, um menino e uma menina.

E tudo que leva à vaidade, ao ódio, ao consumismo e a hipocrisia que eu consiga jogar no lixo e ensinar tudo que aprendi aos meus pimpolhos.
Sei que a música ficou de lado, mas, ela também é acessória ao disco, por incrível que pareça.

1- Setting Forth
2- No Ceiling
3- Far Behind
4- Rise
5- Long Nights
6- Tuolumne
7- Hard Sun
8- Society
9- The Wolf
10- End of the Road
11- Guaranteed

Link: http://www.*4shared.com*/file/SMfINITO/_2007__Eddie_Vedders_Into_The_.htm

quinta-feira, 31 de março de 2011

Jeff Buckley - Grace [1994]

Eu costumo a imaginar como seria minha vida se vivesse em outras épocas. Não coisas muito distantes, apenas se tivesse nascido 10 a 20 anos antes do já longínquo ano de 1989. Acho a década de 90 fuderosa pra quem era um bebê ou uma criança, e queria ter muito mais compreensão dos fatos do que absolutamente tenho.

Se eu tivesse nascido em meados de 1973, teria a idade que tenho hoje em 1994. Esse ano seria, sem sombra de dúvida, algo que mexeria comigo. O ano que Ayrton se estatelou na Tamburello e que Cobain enfiou um cano de doze na boca não seria de muitas lembranças, só ofuscariam uma terrível queda do alvirrubro Capibaribe para a Série B. Pois bem, nesse ano eu conheceria alguém que só ouvi póstumo, Jeff Scott Buckley.

Uma voz inconfundível, talvez uma das mais belas que eu já ouvi na música e um excelente letrista e guitarrista para um rocker, quase um músico completo. Jeff escreveu em 1994 um dos álbuns mais bem construídos e mais desconhecidos do rock, o 'Grace'. O Grace é foda, e eu vou dizer porque ele é foda. Se alguém lê isso aqui com certa frequência, o que eu duvido muito, vai saber que eu tenho uma queda inabalável por discos de amor e de dor. Pra mim, são os mais sinceros, afinal, o que é humano, é terrivelmente sincero. Olho atentamente composições amorosas procurando sentido em disposições de métrica, claro, nas letras. Mas, com o Grace é diferente, porque ele fala por si só musicalmente. Como descreveu Bono Vox: 'É uma gota cristalina em um oceano de ruídos'. O jazz e o blues que Jeff conheceu na adolescência são a peça principal do disco, dando consequência a narrativa.

E aí que surgem coisas como 'Last Goodbye', 'Lover, You Should Come Over' e uma releitura de 'Hallelujah' de Leonard Cohen, criando um disco terrivelmente sincero e um chute no cunhão de muito nego que acha que não tem coração.

A carreira desse americano foi extremamente meteórica, filho do grande cantor folk Tim Buckley, notadamente reconhecido pela sua voz. A primeira vez que ele abriu a boca em público, em um show em homenagem ao pai, deixou todo mundo de queixo caído. A apresentação rendeu um convite para tocar em uma banda chamada Gods and Monsters. Com um contrato na mão, Jeff pulou da barca alegando que se aliasse a uma gravadora restringiria sua opção musical, o que, não nego que seria verdade.

A partir daí, começou uma série de apresentações no Sin-É, um bar em Nova York, que lhe rendeu a assinatura com a Columbia e o processo de construção do Grace.

Depois de assustar o mundo e começar a preparar o segundo cd, em 1997, um cadáver é encontrado na nascente do Rio Mississipi.

Quem adivinhar quem era, ganha um doce.

Dessa forma trágica, se encerrou a carreira de uma das maiores promessas da década de 90, o que restaram foram influências de um dos melhores discos de todos os tempos.

1. Mojo Pin
2. Grace
3. Last Goodbye
4. Lilac Wine
5. So Real
6. Hallelujah
7. Lover, You Should Come Over
8. Corpus Christi
9. Eternal Life
10. Dream Brother

Link: http://www.*4shared*.com/file/rEScZk_O/Jeff_Buckley_-_Grace__1994_.htm