Mostrando postagens com marcador 2005. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2005. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dado Villa Lobos - MTV Apresenta: Dado Villa Lobos e o Jardim de Cactus [2005]

Dia 14 de maio desembarca em Caruaru, tomara que com muito menos chuva, uma lenda viva do rock nacional brasileiro. Dado Villa Lobos hoje tem 45 anos, com idade pra ser meu pai, chega aqui em uma turnê com Tony Platão, em homenagem a Legião Urbana. Banda em que foi guitarrista de 1983 até seu fim. Dica para os organizadores do show, é bom ter sempre um chocolate na mão, que o cara é diabético.

Na verdade, é aquela velha tentativa de entoar clássicos para os fãs e angarear recursos com isso, o que eu, em plena consciência, ajudarei. Acho um puta desperdício, entre outras razões, porque o considero um músico e instrumentalista inteligente, que poderia iniciar uma bela carreira solo, ao invés de se enfurnar nesses projetos de gravadora. Mas, quem sou eu pra criticar uma carreira alheia, hein?

Dado é sobrinho-neto de Heitor Villa Lobos, o maior compositor clássico brasileiro da história. Vindo de uma família de aristocratas, nasceu em Bruxelas na Bélgica, com certidão de nascimento de Eduardo Dutra Villa Lobos. Com parte da família de diplomatas, veio morar em Brasília. Brasília é hoje reverenciada como berço de todo uma geração do rock nacional, praticamente todas as bandas que de lá saíram naquela época fizeram algum tipo de sucesso, dos Paralamas do Sucesso, a mais consolidada, como a Plebe Rude, a mais esquecida. Ou seja, se você tinha 18 anos em meados dos anos 80, era cool ser do Distrito Federal. Por que era, eu não tenho muita idéia, semprei achei uma cidade marcada pelo cinza e pela sem gracice, uma planície que é sinônimo de escândalo e domícilio atual do Tiririca.

Deixando o bairrismo de lado, a grande produção cultural da sexagenária capital é sem dúvida, o rock dos anos 80. A banda estopim do movimento era o Aborto Elétrico, liderado por Renato Russo, Ico Ouro Preto, Flávio e Fê Lemos. A primata que daria origem a Legião Urbana e ao Capital Inicial. Com a saída de Russo, em meados de 1981, levaria Ico Ouro Preto com ele para formar um novo grupo, junto com Marcelo Bonfá. Era o embrião da Legião Urbana. Quando restou recém-assinada com a EMI para lançar o primeiro LP, Ico pulou fora, e aparecia Dado para formar o quarteto com Renato Rocha 'Neguete' e traduzir para todo um país o fenômeno que acontecia em terras planaltinas já há um bom tempo. Na década de 90, tacou Renato Russo:

"O Dado estava tocando com o Dado e o Reino Animal, mas ele não sabia tocar guitarra direito. Não sabia mesmo. Ele teve de aprender a tocar guitarra para tocar com a Legião. Em duas semanas, ele aprendeu a tocar nove músicas. No primeiro show, a gente tocou Ainda é cedo, e ele praticamente nunca tinha visto uma guitarra. A gente ficava: “Faz barulhinho”. Daí é que saiu o solo.''

Mas, chega de Legião Urbana. O projeto que acho mais legal na carreira desse guitarrista é sem dúvida seu único disco solo: MTV Apresenta - Dado Villa Lobos e Jardim de Cactus. Um CD quase experimental na vida desse belga-brasileiro, onde a voz aparece e as composições próprias também. Não o vejo com a capacidade de um hitmaker como Frejat, mas, é um trabalho de boa qualidade. Longe de ser o desastre do disco solo de estréia de Marcelo Bonfá, o qual eu acho de extrema infelicidade, Dado aparece com estilo, saindo da sombra de um dos maiores e mais adorados músicos do rock brasileiro.

Para alguém com a personalidade discreta, talvez seja preferível continuar pelas sombras relembrando antigos sucessos, mas longe de uma comparação exata, talvez fosse a hora de deslanchar um lado George Harrison de ser, soltando as amarras de andar ao lado de uma grande figura. Para muitos isso é extremamente sufocante, pra alguém que rejeita os holofotes como eu, é deveramente compreensível.

01- Dois Ouvidos
02- Jardim de Cactus
03- Diamante
04- Dias
05- Cores em Mim
06- Como Te Gusta
07- Luz e Mistério
08- Quase Nada
09- Natureza
10- Nos Lençóis
11- Laufunk
12- Faveloura & Lov
13- The Guns of Brixton
14- Conexão Amazônica

Link: http://www.*4shared.com*/file/CeTdMV70/Dado_Villa-Lobos_-_2005_-_MTV_.htm

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Discos da Minha Vida - Los Hermanos - 4 [2005]

Acho que de todos os discos desses mitos, o menos encarado com seriedade ou idolatria é o 4. Aqui não existe folia, não existe um emprego pesado dos metais, não existe Ana Júlia, não existe Carnaval sem fim, nem Primavera com A Flor. Amarante, Camelo, Medina e Barba denotam a única latente idéia desse disco do início ao fim: a simplicidade.

Daí, a partir dessa característica, torna-se um disco indescritível e essencial na minha vida. Porque eu, dentre inúmeros defeitos, sou passivo, calmo, simples e poético. A produção desse disco assim com o Ventura, foi regada a ares de fazendinha, os Hermanos subiram a Serra, se trancaram alguns dias em uma chácara, e do resultado de um ambiente tão metido a Big Brother nasceu essa obra-prima. Como Medina explica, a importância de alguns amigos na composição foi fundamental. Entre eles, Fernando Catatau e sua guitarra em 'Fez-se Mar', Edu Morelembaum e um empréstimo de idéias que fizeram surgir clarinetes, trompetes e fagotes em 'Dois Barcos', e o vibrafone de Jota Moraes em 'Sapato Novo'.

Sou obcecado por composições simples, bem executadas e perfeitas. Perfeitas, na minha leiguice típica, significa uma métrica impecável, aliada a ironias, declarações de amor, qual do quê, dos quais e poréns. O que só Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo poderiam trazer de uma forma tão moderna e bossa nova style quando nesse disco. Com essa pérola eles saíram do rótulo de adolescentes, apareceram consideravelmente como grandes compositores e iniciaram uma vida adulta.

E é exatamente por essa transformação, que o 4 faz tanto sentido pra mim. Assim como o som que ele emite, percebi que a busca incansável pela personalidade, felicidade, dinheiro, guerra contra o sistema, power for the people e tudo mais que um adolescente pode pensar não faziam mais tanto sentido, já não tinha tanta graça. Era hora de parar, sentar, admirar o que ainda estaria por vir, e seguir em frente, apontando pra fé e remando, com simplicidade, calma e tranquilidade.

Que os sentimentos e a prudência eram realmente importantes, permanecer são, distinguir o benefício do malefício e o que deveria estar em pauta do que deveria ir à merda, revoluções por minuto que me fizeram entender alguma coisas da vida, na minha petulância de achar que entendo alguma coisa quando nem 2 décadas completei direito. Bem, vamos ao que interessa:

Dois Barcos: lindo arranjo. 'Aponta pra fé e rema', segue em frente, veste uma roupa, lava o rosto e começa um novo dia.

Primeiro Andar: deixar ser levado, menos complicações, abaixo as implicações, viva o caminhar, o seguir. 'Não faz disso esse drama, essa dor, é que a sorte é preciso tirar, pra ter.'

Fez-se Mar: talvez a mais simples de todas. a degustação da felicidade, o tal do amor batendo à porta, 'parece que o amor chegou aí.' Coisas que todos sabemos que é passageira, banais, mas, são necessárias a alimentação emocional do ser humano. 'Eu meço no vento, o passo de agora.'

Paquetá: o fora levado diversas vezes, a incansável busca por um amor impossível, os velhos bordões, as velhas situações, a dúvida do desistir, o alívio em não conseguir desistir, a alegria de saber o que o coração quer.

Os Passários: a melhor guitarra do disco. o dia seguinte a uma despedida, o acostumar, 'que diferença? o dia se fez assim.' a única coisa que parece normal é o vôo dos pássaros, a coisa mais anormal é lembrar de quem se foi.

Morena: 'pra nós, todo o amor do mundo'. se o amor parecia que tinha chegado, aqui ele chegou de vez. não há mais maldade, Deus não parece tão injusto, que todos se fodam, não quero saber de mais nada, eu sou feliz, você tá comigo, e é isso que interessa. 'até o fim raiar.'

O Vento: a melhor composição de um filho da puta chamado Rodrigo Amarante. 'não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer.' os clichês, a dúvida, as contradições, nada mais importa muito porque a sensação é boa, marcou e quer ser repetida, no fim das contas é esperar, que 'o vento leva'.

Horizonte Distante: 'por onde vou guiar o olhar que não enxerga mais?' não adianta querer enxergar o que a escuridão já fez se perder, é achar outro horizonte e aprumar. 'que através eu vi, só o amor é luz.'

Condicional: psicologia reversa. 'tanto te soltei que você me quis em todo lugar'. a vida a dois, onde dois significa 1 + 1, sem frescura de dois corpos em um, dois corpos formando um, sacou?

Sapato Novo: 'como vai você? levo assim, calado'. o conformismo chegou, a chuva já secou, não há nada mais pra segurar ou consertar, que tudo seja passado, que venha o novo. 'só levo a saudade, morena, e é tudo que vale a pena'.

Pois é: não deu. que porra se tem que fazer mais? não deu, bola pra frente. é de se entregar o viver.

É de Lágrima: 'que esse daqui, ainda tem muito mais amor pra dar', ouviu?

Link: http://www.*4shared.com*/file/rbVIHlDZ/Los_Hermanos_-_4__2005_.htm

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

James Blunt - Back to Bedlam [2005]

Esse é o disco de estréia de James Blunt. Blunt nasceu na Inglaterra, filho de um coronel do exército britânico da Air Cops. Como não poderia deixar de ser, seguiu a carreira do pai, e entrou no exército britânico, chegando ao auge de liderar um pelotão em plena Guerra do Kosovo. A missão consistia em adentrar o território inimigo, atravessar a linha de frente e devolver informações que ajudariam no planejamento dos bombardeiros.

Foi um dos primeiros militares britânicos a se instaurar na zona de guerra. Como um cara assim poderia virar uma versão 'Leoni' da música pop? É mais umas das coisas que só o amor pela música explica, pois o tal do violão o acompanhava em meio aos soldados. Daí, nasceu a canção 'No Bravery', um relato sobre a guerra.

Sobre o disco, 'Back to Bedlam' é altamente bem produzido, considero os arranjos desse cd muito bem executados, o piano que acompanha quase todas as faixas do disco é meu preferido. Sinceramente, mesmo com um hit manjado como 'You´re Beautiful', não perde a preferência entre os meus discos, sempre ouço constantemente.

Ouço porque acho bom, só isso. Amoroso e sentimental do começo ao fim, Blunt fala sobre perda, sobre despedida, sobre a superficialidade e aparência em alguns relacionamentos, culminando com um breve relato sobre Kosovo. Uma sonoridade simples que me cativa, e como já falei aqui, sou fissurado por sonoridades simples.

Blunt não é underground, não é alternativo, não foi produzido sobre o selo Cafundó dos Judas que ninguém conhece, é altamente mainstream, vende milhões e é bem conceituado principalmente na Europa. Quando a música tem qualidade, e é bem produzida, mesmo a pop, deve ser reverenciada. A ojeriza que muitos pseudo-intelectuais de merda como eu, criam, não pode se generalizar ao fato de que existem coisas boas também sendo feitas, e que nem tudo é ruim só porque é industrialmente utilizado e concebido, nem é bom porque é alternativo.

Prudência e imparcialidade também fazem parte do negócio, até na arte.


1. "High''
(James Blunt; Ricky Ross)

2. "You´re Beautiful''
(James Blunt; Sacha Skarbek; Amanda Ghost)

3. "Wisemen"
(James Blunt; Jimmy Hogarth; Sacha Skarbek)

4. "Goodbye My Lover"
(James Blunt; Sacha Skarbek)

5. "Tears and Rain" (James Blunt; Guy Chambers)

6. "Out of my Mind"
(James Blunt)

7. "So Long, Jimmy"
(James Blunt; J. Hogarth)

8. "Billy"
(James Blunt; Sacha Skarbek; Amanda Ghost)

9. ''Try"
(James Blunt; Sacha Skarbe)

10. "No Bravery"
(James Blunt; Sacha Skarbek)


Link:http://www.*4shared.com*/file/hmPDNqMh/James_BLunt_-_Back_To_BedLam_F.htm

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Seu Zé - Festival do Desconcerto [2005]

Nem bem 2011 começou e eu tive a felicidade de encontrar uma banda que começa a ganhar meu respeito, os potiguares do SeuZé. Formada por Lipe Tavares (vocal/baixo), Fell Cavalcanti (vocal/guitarra), Augusto Souza (guitarra) e Telo Pachêco (bateria), eles surgiram em Natal em meados dos anos 2000 realizando um rock´n´roll que bem que podia ser pernambucano.

Me chamou a atenção o fato deles se utilizarem do baião e do xote aliados ao rock´n´roll, coisa já batida quando se fala em rock nordestino, mas, adicionarem um elemento a mais, uma guitarra blues. O resultado é uma mistura que exerce um psicodelismo único, por vezes amoroso, por vezes jacoso, em cima de letras provenientes da cultura do lado de cá.

Festival do Desconcerto é o primeiro disco da banda, lançado em 2005, pela Mudernage Records, desconhecido, só foi parar na minha mão 6 anos depois, ainda bem que tanta espera valeu a pena. Ano passado veio o segundo cd, A Comédia Humana, o qual eu já estou procurando pra tecer algum comentário inútil.

SeuZé é a menininha dos olhos do rock do Rio Grande do Norte, única, merece entrar na minha galeria.

01 - O Anti-Herói
02 - O Coroné
03 - Retrato de um Traidor quando Jovem
04 - Plantando no Céu e Colhendo no Inferno
05 - Antônio Conselheiro
06 - Artemis
07 - Saudades do Sertão
08 - Sai Galada
09 - Soldado de Deus, Mercenário do Diabo
10 - A Viagem
11 - Fim da Linha
12 - Não Cuspa no Prato que já Comeu

Link: http://www.*4shared.com*/file/V-cjT4Ue/SeuZ.html