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sábado, 8 de outubro de 2011

Tibério Azul - Bandarra [2011]

Quase não apareci em Agosto e passei todo o mês de Setembro sem aparecer por aqui. Uma pena. Feliz aqueles que vivem da arte, seja serviço dela ou a partir dela. Eu, mero espectador, não tenho tanta sorte. Tenho inúmeras atividades além de pegar a arte pela mão, e sair para uma volta e meia de conversa.

Mas, comemorando, já chego com a estréia de duas novidades:
1- Quem quiser aderir ao incrível Facebook, curte lá: http://www.facebook.com/pages/Pensador-Praticante/285060574844959

2- O lançamento de Bandarra.

Bandarra? WTF? o que seria? Bandarra é o lançamento solo de Tibério Fonseca, o popular Tibério Azul, da extinta Mula Manca e a Fabulosa Figura e do vivinho da silva, Seu Chico. Segundo o Priberam, é um substantivo masculino, sinônimo de profeta e adivinho.

Tenho apreço pelas bandas especialmente em seu surgimento, quando nascem, comem muita poeira, crescem e ganham milhares de fãs. Tá, quando se tem milhares de fãs, eu já começo a achar que a graça se perdeu. Por isso, vivi o nascimento da Mula Manca e a Fabulosa Figura, do Seu Chico e com muita expectativa esperava por um álbum como Bandarra.

Tibério sempre foi um jovem propenso a criações poéticas, e isso, quando adere a música, cria uma mistura tão leve e deliciosa como um bom bolo de fubá da vovó. Isso, que é trazido por meio de seu primeiro disco. Por mais que adore música, sinto uma necessidade que ela caia de joelhos perante as palavras, que a fonética, mais do que nunca, permeie a harmonia de uma canção. Não existem músicas para uma letra, a letra determina a existência de um conglomerado de sons, porque, a escrita, quando é aliada a música, impõe sua soberania.

Francisco Buarque de Holanda, o maior compositor desse país, considera a grande arte de um compositor deixar de lado suas experiências pessoais e emocionais sobre uma determinada temática para viver o deleite da inocência ao compor. O amor sem percalços, os ideais sem obstáculos, a vida de uma forma como não é vivida, essa abstração que dá o leve gosto que transforma o próprio ouvinte em um sonhador naquelas poucas linhas que chegam aos seus ouvidos.

E é assim, que Bandarra aparece, um disco leve e propenso a frases apaixonadas que retratam de forma simples o sabor de viver, de amar e de viver com quem se gosta. O nascimento do artista, como o próprio Tibério transparece no clipe de 'Veja só', a necessidade da aceitação que um copo vazio, mesmo um copo vazio, é cheio de ar, por isso, merece profundidade necessária para sua contemplação.

Assim, é também com um disco, não se necessita burlar conceitos mercadológicos nem empresariais, a idéia da canção não é falar por cifras, é falar por sentimentos, e esse disco de estréia, cumpre bem seu papel.

Bem-vindo a carreira individual, Tibério Azul, que outros Bandarras venham, de uma forma tão grata para os ouvidos, quanto este.

01- Vamos Ficar Sol
02- Veja Só
03- De Onde Eu Sou
04- Trabalho
05- Alquimista Tupi
06- Abóbora (vinheta)
07- Lá Em Casa
08- Quando Maria fundou o Carnaval
09- Mais Sabe o Sol
10- Bandarra

Link (crédito a Musicoteca): http:*//www.amusicoteca.com.br/*?file_id=1197

domingo, 14 de agosto de 2011

China - Simulacro [2007]

Simulacro: imagem, cópia ou reprodução imperfeita. Imperfeito, essa seria uma boa caracterização dos discos pernambucanos antes e até durante o movimento manguebeat em meados da década de 90.

Com o tempo, a imagem pernambucana, aliada a caboclo-de-lança e maracatu, prejudicou bastante qualquer conceito que fosse além dessa mero estereótipo. Praticamente, ando dizendo que o que não soasse como Nação Zumbi, era afastado dos nossos próprios ouvidos, principalmente diante de alguma cena de Recife. Essa auto-censura e medo do novo e das derivações são limitadores comuns em uma cultura tão enraizada, mas, que sempre é nociva quando se interpretada radicalmente.

Só com os anos 2000, que o rock pernambucano começou a aceitar a idéia que não deveria beber de sua própria fonte, e ir, calmamente, buscar novos ares, miscelando com sua própria música, criando um ambiente mais rico e poderoso. China é um filho dessa nova geração. Vocalista do Sheik Tosado, banda nascida em 1996, com o intuitou de juntar o maracatu e frevo com o hardcore.

Idéia já inovadora, diante do panorama que eu citei acima, mas, na prática, era um monte de garoto que achava que berrar o tempo todo era uma coisa bonita. Às vezes sim, constantemente não. A banda durou até 2001, quando encerrou as atividades, deixando como espólio um único álbum, o Som de Caráter Urbano e de Salão.

Em seguida, para continuar como músico, o Chinaman necessitava de se entregar as suas próprias composições e procurar uma nova rapaziada. Difícil é a vida de um músico que não tenha uma formação com algum instrumento, daquele compositor que não tem enraizada a criação da música e sim, uma base linguística. Gente como Arnaldo Antunes e o próprio China, superam suas próprias debilidades porque são muito bons, e fazem amigos pra caramba. Conseguem de sua própria falta, achar os subterfúgio para nascer seus próprios projetos.

É nessa esteira, que China lança o primeiro EP sozinho, Um Só, em 2007, e parte para a gravação de seu próprio disco com uma turma da pesada: Chiquinho, os irmãos Machado e Felipe S. (Mombojó), Rafael B. (Bomsucesso) e Pupillo (Nação Zumbi). Com uma galera dessa de apoio, difícilmente apareceria um disco débil.

Simulacro se torna não um disco de autoria do próprio China, mas, uma reunião do que melhor foi produzido pelo espólio da Nação Zumbi, com uma nova vertente diferente e voluntariamente conduzida a mostrar uma nova faceta do rock pernambucano.

Aqui, há espaço para um cuidado maior, um olhar mais dedicado para produção de disco que era pouco explorada por essas terras. A influência de Roberto Carlos, de Chico Buarque e de gente do interior, como Otto, transforma o antes berrante China, em um letrista e cantor de voz baixa e suave aliada a guitarras rítmicas e programações eletrônicas.

Esse, é o novo rock pernambucano.

01- Um Dia Lindo de Morrer
02- Jardim de Inverno
03- Sem Paz
04- Asas no Pés
05- Câncer
06- Colocando Sal nas Feridas
07- Durmo Acordo
08- Canção que Não Morre no Ar
09- As Ondas Não Chegam nos Pés
10- Pastiche

Link: http://www.4shared.com/file/AcCVOBh5/China_-_Simulacro.htm


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mombojó - Nada De Novo [2004]

Completando 10 anos esse ano, O Mombojó foi, sem dúvida, a coisa mais legal da cena Recife/Olinda desde a já longínqua Nação Zumbi. Eu, particularmente, depois de ouvir incessamente durante um bom tempo, larguei um pouco dessa turma logo após da morte de O Rafa e da saída de Marcelo Campello.

Entretanto, após a aparição no palco do RecBeat esse ano, meu disco favorito, o Nada de Novo, começou a rodar novamente pela cabeça, entre sussurros, batidas e execuções. Essa rapaziada é o exemplo clássico de que uma banda mesmo totalmente principiante, fruto e participante de uma cena, pode tornar-se ciente da necessidade do experimento de novos sons, e assim, com afinco e profissionalismo, alcançar uma nova atmosfera.

O Mombojó era apenas um grupo de adolescentes que davam ritmo a alguns aglomerados de versos de Felipe S. até o momento em o papai de Marcelo e Vicente Machado, resolveu transformar o grupo em um projeto muito bem arquitetado apto a receber recursos do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Recife.

Com o apoio governamental, veio a oportunidade da gravação do primeiro cd: Nada de Novo. Ao contrário do nome, o disco caiu nas graças do público tanto daqui, quanto da mídia sulista, pela novidade do aglomerado de harmonização de vários instrumentos, misturando nuâncias de jazz, bossa-nova, rock´n´roll, surf music e o caralho a quatro. Por Maurício Valladares, na Revista Ronca Ronca em 2004:

"A bola que Jorge Ben passou pra Fred 04 agora esquenta o gogó do vocalista Felipe. Sonho então com o Credicard Hall lotado, e Felipe cantando músicas como ‘Merda’. O mestre alquimista diria: ‘Que maravilha!’'

Na formação original, percebia-se a presença de: guitarra, baixo, bateria, teclado, violão, flauta e escaleta, além da rabeca, também presente no disco. A consciência da possibilidade de utilização de tantos instrumentos vinha sem dúvida, da Nação Zumbi, que pela idade, já poderia ser considerada a mamãe de muita gente. Eu, em inocente achismo, determino que a partir do surgimento desses caras o rock pernambucano se consolidou como fonte miscigenadora de ritmos e de atenção especial a grafia, a letra.

A coisa ia de vento em poupa, com o lançamento de Homem Espuma, de 2006. Mas, como a vida é injusta pra cacete em várias vertentes, uma tragédia abalou o caminho da banda. Em 2007, O Rafa, flautista e compositor, teve um infarto e faleceu. Sem ele, inevitável ficou a permanência de Campello, que permanecia no grupo graças a amizade com Rafa, não sendo publicamente íntimo dos outros integrantes. Essa dupla perda abalou como um tsunami o som da turma, que agora teria que se virar sem flauta e violões, a guitarra-base passaria para Felipe S. tornando a mistureba mais pobre e menos intensa.

Até aqui, eles continuam muito bem, apesar que confesso que nada pra mim se compara ao primeiro disco, com muita pena posso dizer que o verdadeiro Mombojó se foi com O Rafa.

1- Cabidela

2- Deixe-se Acreditar

3- Nem Parece

4- Discurso Burocrático

5- A Missa

6- Absorva

7- O Céu, o Sol e o Mar

8- Adelaide

9- Duas Cores

10- Estático

11- Merda

12- Splah Shine

13- Faaca

14- Baú

15- Container

Link: http://www.*4shared*.com/file/vjomwHpv/Momboj_-_Nada_de_novo.htm

terça-feira, 24 de maio de 2011

Especial Nação Zumbi - Parte 3: Nação Zumbi - Nação Zumbi [2002]

Antes tarde do que nunca, fecho esse especial de 3 partes sobre a Nação Zumbi. O final não é cheio de nenhuma revelação, descobrimento do assassino ou morte do mocinho, é apenas um relato de como um grupo superou a perda do seu maior integrante.

Acredito, talvez inocentemente, não amparado por nenhum credo ou religião, que a morte seja um subsídio a transformação. Seja ela do corpo ou da alma. Tanto para quem morre, quanto para quem continua vivendo.

A relação mais conflituosa que o ser humano pode contemplar durante a vida, se diz respeito ao seu próprio fim, e o fim daqueles que ele mais ama. Mais do que perder um integrante, com o acidente a Nação perdeu um amigo. E isso pode ser o fim, para várias bandas. Em uma situação como essa, um grupo tem poucas opções, ou continua, remendando a perda, por mais irreparável que seja, ou acabando. Para a sorte minha e de algumas dezenas de manguebeatianos, a Nação resolveu continuar.

Para os vocais, foi promovido Jorge Du Peixe que usualmente tocava alfaia, e a banda, com uma nova formação, derivou o seu som. Em 2002, o disco ‘Nação Zumbi’ surge e revitaliza o som da maior banda do rock pernambucano, nele estão presentes as duas músicas mais queridas por mim após a fase Science: ‘Blunt of Judah’, revelando a voz distorcida de Du Peixe e ‘Meu Maracatu Pesa uma Tonelada’, a união mais fortificada entre os riffs de guitarra de Lúcio Maia e a pegada do maracatu, um ícone e referencial, sem dúvida.

O disco mantém a necessidade de letras com cunho social, político e cultural, de uma forma forte e consolidada, com a presença cada vez maior do eletrônico, que despontaria de forma ainda mais essencial no seu último disco, ‘Bossa Nostra.’

Assim, continuou o seu caminho um ícone do rock dos anos 90, e sua importância atingiu o nível internacional, cabendo até apresentação no ‘Later With Jool´s Holand’, uma espécie de Sabadão Sertanejo da BBC, só que com os maiores nomes da música mundial, onde gente como Oasis e James Blunt são figurinhas carimbadas, um orgulho, para a Nova Roma de Bravos Guerreiros. Mais importante do que com a continuação das atividades, foi o legado que essa gigante do rock nacional deixará, sempre sendo lembrada com uns dos pilares da nova música pernambucana.

  1. "Blunt Of Judah"
  2. "Mormaço"
  3. "Propaganda"
  4. "Amnesia Express"
  5. "Meu Maracatu pesa Uma Tonelada"
  6. "Faz Tempo"
  7. "Prato de Flores"
  8. "Know Now"
  9. "Ogan Di Belê"
  10. "Caldo de Cana"
  11. "O Fogo Anda Comigo"
  12. "Tempo Amarelo"

Link: http://www.*4shared.com*/file/VTs2slEX/Nao_Zumbi_-_2002_-_Nao_Zumbi.htm

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Especial Nação Zumbi - Parte 2: Chico Science & Nação Zumbi - Afrociberdelia [1996]

Continuando essa saga sobre alguns momentos da maior banda da música pernambucana, tão aguardada como: 'O Império Contra-Ataca', é a segunda parte desse especial.

Com a gravação de Da Lama Ao Caos, Chico Science & Nação Zumbi saíram do patamar de fudidos em ascensão, para se tornar fudidos no mainstream. Isso alavancou consideravelmente o olhar nacional acerca de Pernambuco.

O primeiro disco, instituiu de forma pulsante o Manguebeat por várias veias nacionais, impulsionando um pólo cultural em Recife que há vários anos já parecia ter sucumbindo a alguma paralisia.

Ao contrário do primeiro cd, Afrociberdelia representa um know-how acerca do som dessa galera, entenda que quando entraram no estúdio de Liminha, ninguém tinha uma noção muito adequada de como gravar aquela mistureba musical que aparecia aos olhos, foi tudo feito na base da intuição, da adequação, no improviso. O jeitinho deu certo, mas, não era sempre que se poderia arriscar daquela forma, não quando se tem objetivos maiores.

Para esse segundo cd, foi fundamental a presença do DJ Eduardo BID, que contribuiu no amadurecimento do som da turma, encontrando a melhor forma de influenciarem a própria condução da gravação.

Pois bem, o título de antemão já é sugestivo. Afrociberdelia representa a conjunção de 3 fatores essenciais na conjuntura da banda: Afro - música africana, basicamente com a contribuição do som de gente como Fela Kuti e Manu Dibanco; Ciber - a tecnologia e a cibernética como aliados nos processos de gravação e execução, a antena no meio da lama; Delia - o sufixo de psicodelia, a viagem musical por entre novos conceitos e sons, com nuâncias do rock progressivo inglês dos anos 60. Na voz do próprio Chico:
''Um amadurecimento da banda, das viagens que a gente teve, das músicas que a gente escutou, da preocupação que a gente veio tendo depois do lançamento de Da Lama Ao Caos. De escutar o disco, fazer os shows, ver o que pode melhorar no nosso som, como dar uma timbragem nova aos tambores. O que é que a gente pode melhorar em tudo, no geral. Realmente nós demos uma sofisticada no nosso som mesmo. É por isso que obtivemos esse resultado bem legal e bem consistente do Afrociberdelia.''

Essa originalidade pautou toda a condução e amadurecimento do som da banda, havia agora um sentido, um objetivo, uma carreira em consolidação, levando a bandeira pernambucana de volta ao grande cenário musical. A responsabilidade era grande, e eles tinha que ter ciência disso.

Infelizmente, Science não continuaria mais no projeto, em 1997, seu Fiat Mille encontrou um poste e a vida do maior músico pernambucano dos últimos 20 anos teve um trágico fim. Além de implacar 2 discos entre os 100 maiores da música brasileira, segundo a Rolling Stone, a família de Chico ainda recebeu a maior indenização paga por uma indústria automobilística no país, em 2007.

Como a Nação Zumbi seguiria sem seu líder, é o que a gente vai ver no próximo post.

Mateus Enter
O Cidadão do Mundo
Etnia
Quilombo Groove
Macô
Um Passeio no Mundo Livre
Samba do lado
Maracatu Atômico
O Encontro de Issac Asimov com Santos Dumont no Céu
Corpo de Lama
Sobremesa
Manguetown
Um Satélite na Cabeça
Baião Ambiental
Sangue de Bairro
Enquanto o Mundo Explode
Interlude Zumbi
Criança de Domingo
Amor de Muito
Samidarish
Maracatu Atômico (Atomic Version)
Maracatu Atômico (Ragga Mix)
Maracatu Atômico (Trip Hop)

Link: http://*www.4shared.com*/file/PgWLR64P/Chico_Science_e_Nacao_Zumbi_-_.htm

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Especial Nação Zumbi - Parte 1: Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama Ao Caos [1994]

Tentarei em 3 partes fazer alguns devaneios sobre o Manguebeat (ou bit). Não é uma tentativa exaustiva, nem uma pré-tese de mestrado acerca de porra nenhuma. Diria que é apenas uma conversa de bar, onde ponto a ponto tentarei mostrar 3 fases da maior banda da música pernambucana, se confundido com o próprio movimento.
Emergência! Um choque rápido, ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico pra saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruir as suas veias. O modo mais rápido também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paraliza os cidadãos? Como devolver o ânimo deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco da energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife. (Trecho do 'Manifesto dos Carangueijos Com Cérebro).

Recife, como uma grande capital, sempre enfrentou inúmeros problemas desde o industrialismo da sociedade brasileira a partir dos anos 60. O crescimento da população, a formação de um pólo industrial inversalmente proporcional a degradação do meio-ambiente, o crescimento dos subúrbios, das áreas marginais e da violência contribuíram para a formação do arquétipo de cidade violenta, fedida e intransitável.

Eu, apesar de amá-la, ainda sinto enorme dificuldade em projetar um futuro de crescimento econômico, igualdade, rios limpos e árvores em cada esquina. Não sei nem como, implementarão tantas melhorias à tempo de uma Copa do Mundo. Mas, é o que dizem, se os políticos dizem, por que não acreditar?

Pois bem, se hoje a coisa já é ruim, há 15 anos atrás era bem pior, além das deficiências geográficas e urbanísticas costumeiras, Recife ainda sofria com uma baixa produção cultural. Vê, era um saco ser jovem naquela época, principalmente se você tivesse uma necessidade em se interligar com algo inerente à sua cidade, ao que era 'da terra'. Havia forró, como sempre ouve, de gosto bom ou duvidoso, havia baião, e a coisa mais moderna que existia, era Alceu Valença. A minha geração que engatinhava e a dos meus pais, há muito tempo não estava integrado a uma produção cultural meio renascimento style, a coisa andava preta. E era hora de agir.

Foi aí que alguns jovens metidos a revoltadinhos instituíram um movimento. Esse movimento deixaria de lado a analogia de 'Veneza Pernambucana' e jogaria a comparação da capital como um mangue, mangue esse que sempre esteve presente em todo lugar, mas, que com a construção desenfreada, cada vez é mais escasso. O 'Manifesto dos Carangueijos Com Cérebro' foi o primeiro passo de uma revolução cultural na natimorta vida cultural da cidade. Se Recife era um corpo, suas veias andavam entupidas, e seu destino era um infarto, os mangueboys e manguegirls deveriam exorcizar esses males e construir sua própria cultura, bebendo em uma nova fonte.

A Chico Sciente e Nação Zumbi e o Mundo Livre S/A foram o braço musical desse movimento. A Nação nascia da união da Loustal, uma banda de pós-punk, com um bloco de reagge, chamado Lamento Negro. Os líderes, Chico Science e Fred Zero 04, autores do Manifesto, imprimiram a música pernambucana uma mistureba jamais vista. Havia baião, havia maracatu, côco-de-roda, Jackson do Pandeiro, um caldeirão de influências pernambucanas que iam de encontro a tradicionalidade já chata e enjoativa dos anos 80. A receptividade foi gigantesca, do bar de Rogê até os primeiros festivais, a banda lançou-se como a coisa mais inovadora que muita gente tinha ouvido, eu, nos meus 5 aninhos, não tinha ainda como entender o que se passava, mas, gente mais velha, dos 35 pra lá, sempre me disseram que foi do caralho, e realmente deve ter sido mesmo.

Com a explosão, Recife apontava como o cenário mais inovador do Brasil, e o olho de grandes gravadoras aumentou, despertando em especial o da Sony, de Liminha. Após começar a botar a cara da MTV, a turma foi chamada para o primeiro cd, produzido pelo próprio. O desafio era enorme, porque até então, ninguém nunca tinha gravado algo do gênero, não se tinha ainda muito idéia de como acoplar tantos bumbos e gêneros de percussão em um único formato. A chance de se tornar uma merda era, digamos, considerável. Lúcio Maia tacava riffs de guitarra pesados, o pessoal da percussão tocava maracatu, sem bateria, e sem pratos, o baixo soava a funk, que porra era aquela? Algo que realmente, só poderia sair daqui.

Aqui, o começo, no próximo, o apogeu.

01- Monólogo ao Pé de Ouvido
02- Banditismo Por Uma Questão de Classe
03- Rios, Pontes e Overdrives
04- A Cidade
05- A Praieira
06- Samba Makossa
07- Da Lama Ao Caos
08- Maracatu de Tiro Certeiro
09- Salustiano Song
10- Antene-se
11- Risoflora
12- Lixo do Mangue
13- Computadores Fazem Arte
14- Côco Dub (Afrociberdelia)

Link: http://www.4shared.com/file/Fs0EJlb2/Chico_Science__Nacao_Zumbi_-_D.htm

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Volver - Acima da Chuva [2008]

Bairrista como eu sou, bandas Pernambucanas deveriam aparecer bem mais por aqui. Essa obrigação é deveramente um pé-no-saco, mas, acho que de vez em quando posso alcançar essa virtude. Primeiramente, esse lugar deveria ser mesmo da Volver.

A Volver é recifense, parte gravataense (obrigado a parte que me toca: beijo mãe) e paulista por domicílio. De todos esses expoentes que apareceram pós-anos 2000 por aqui, é a que mais me agrada. Não pela simples ligação local, mas, muito mais pelo som que emite.

Prezar-se as raízes é ótimo, ter orgulho cultural e manter suas tradições também. Mas, como qualquer extremismo, não diversificar e alargar esse arcabouço é burrice. E é isso que acontece com grande frequência pelos lados da capital. A tentativa desenfreada de reviver o Manguebeat a cada passo dado por um grupo musical se torna estúpido porque é demasiadamente forçado.

E essa rotina, bem poderia ser copiada por Bruno Souto, mas, não foi. Não foi porque as influências vinheram de cantos mais longínquos e de fontes bem mais profundas, com o rock britânico, ilustrado claramente pelos Beatles. Nas palavras do próprio Bruno, o surgimento da brincadeira:

'O início da banda foi em 2003, se não me engano. Não exatamente começou, tinha o lance da idéia da banda: “Vamos fazer uma banda!”, isso em janeiro ou fevereiro de 2003. Eu tinha uma banda, pois comecei a gostar de tocar mesmo com os meus 14 anos. Minha pelada era isso. Deixei um pouco de passar o dia jogando futebol na rua e passei a ir muito aos estúdios para ensaiar mesmo. Não tinha nada de autoral, era só covers. A gente gostava do filme “Backbeat – Os cinco rapazes de Liverpool”. No dia que a gente viu, enlouqueceu. Ai, depois, ficamos ensaiando Green Day, Offspring, anos 90 e tal. Mas isso só na brincadeira. Daí teve uma época que começamos a fazer música autoral, só que um lance mais groove, mais funk e soul. Era algo mais coletivo. Só que eu sempre curti Jovem Guarda, Beatles, e ai quis fazer uma banda que tivesse essas influências. Foi quando eu chamei um amigo meu, Diógenes, o primeiro guitarrista da banda. E ficamos nessa vontade. A primeira música que eu fiz foi “Lucy” (do primeiro álbum, “Canções Perdidas Num Canto Qualquer”, de 2005). Está até na demo da banda.'

Nessa toada, apresento por aqui o segundo cd da banda, Acima da Chuva lançado em 2008, o preferido em relação ao Canções Perdidas num Canto Qualquer. É um disco de afirmação, de estruturação musical. Nele, os traços da banda começam a se desenhar muito mais de forma própria do que uma tentativa revival de estabelecer certos conceitos estrangeiros.E, ficou bom, muito bom. Bruno assume as composições do disco e acerta palmo a palmo, assumindo canções livres com pitadas de baladas românticas. Tudo certo, bem conceitual, aliada as guitarras de Kléber Croccia levaram os caras ao âmbito nacional.

A partir daí, após o Abril pro Rock 2009, a indústria e o mercado pernambucano ficaram pequenos, levando a ida à São Paulo. Sabe como é, gravadoras aqui, acolá, shows, aqui, acolá, tudo é mais perto, cômodo e a grana é maior. Mainstream e cosmopolitização andam de mãos dadas. Enquanto espero o terceiro cd dessa turma, apreciem o segundo. Que a coisa é boa.

1- Pra Deus Implorar
2- Dispenso
3- A Sorte
4- Não Sei Dançar
5- Natural
6- Tão Longe, Tão Perto
7- Acima da Chuva
8- Dia Azul
9- Coração Atonal
10- Clarice
11- Despedida em Seis por Oito

Link: http://www.*4shared*.com/file/ufNPi8pb/Volver_-_Acima_da_Chuva_-_2008.htm

domingo, 13 de março de 2011

Quanta Ladeira - Quanta Ladeira [2011]

Esse carnaval foi demais. E, por causa dele, sinto os reflexos até agora. Digamos que meu esbelto corpo de 21 anos não aguenta mais um tranco tão forte de cachaça, chuva, sol e uma boa dose de shows.

Pois bem, nesse período acompanhei paripasso algum dos melhores momentos do Carnaval do Recife. Retomando 2011 por aqui, trago um deles.
Se você pensar em sarcasmo e gréa, você deve pensar em Quanta Ladeira. E como todo mundo é chegado em uma putaria, o Bloco é sinônimo de sucesso.

A idéia de criar o maior bloco parado do mundo surgiu há algum tempo entre músicos pernambucanos, bastava reunir uma galera boa e entre uma rima e outra, lançar paródias satirizando acontecimentos chaves da nossa atualidade, seja regional, nacional, internacional, whatever.

Pois bem, dentre eles estão Lenine, Lula Queiroga, Silvério Pessoa e uma penca de convidados que se revezam todo ano.
Esse ano acompanhei a apresentação no palco do RecBeat, o pólo Mangue da programação do Marco Zero, no Paço Alfândega. Não me arrependi, com Fafá de Belém entre os convidados de honra, a turma lascou o pau no Recifolia, em Daniela Mercury, em Ronaldo, na mijadeira de Olinda, na Fundarpe, na Empetur e até no coitado do Thiago Lacerda, que acompanhava tudo de forma anônima até metade do show.

Tudo musicalmente acobertado por 'Should I Stay or Should I Go' do Clash, 'Cotidiano', 'Família', 'Meu Maracatu Pesa uma Tonelada' e outros hits da boa música. Lenine dessa fez não foi, assim como outra convidada, a Maria Gadú, pra essa a rima ficaria fácil.
Portanto, quem não foi, não foi. Quem foi, pode relembrar agora, que ano que vem tem mais.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Frevo do Mundo - Frevo do Mundo [2008]

É carnaval. Sou obcecado por coisas tradicionais, festas principalmente, assim carnaval entra na minha lista. Pra quem gosta de frevo, estar em Pernambuco nessa época é um deleite. Nada contra o carnaval baiano ou carioca. Sou apenas chato demais pra gastar uma fortuna pra ouvir Cláudia Leite nas ladeiras de Salvador ou me esparramar em uma arquibancada por longas 5 horas esperando dezenas de carros alegóricos falando sobre temas de gosto muito duvidoso.

Pois é, e já que aqui estamos, e eu ando de bom humor, lembrei que tinha por aqui uma coletânea propícia para o momento. A 'Frevo do Mundo'. Em 2008, a Candeeiro Records pegou um apoio da Petrobrás Cultural e lançou um cd com os novos nomes da música pernambucana reeditando frevos clássicos. Claudionor Germano que não me ouça, mas às vezes ouvir as mesmas versões o tempo todo, todo santo ano é um saco, e se a música se transforma sem perder a essência, por que não renovar?

Assim Mundo Livre S/A, Eddie, China, Siba e A Fuloresta, Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Cordel do Fogo Encantado, toda aquela turma batida sentou, pensou, e deu novos ares a frevos de Capiba, Aldemar Paiva e Luiz Bandeira. Mesmo com uma galera nova, pouca coisa muda, não se vê uma deturpação do ritmo, é tudo feito com muito bom gosto, como é de costume quando se tem por detrás uma produção acompanhada por Spock.

Então, entre uma subida e outra em Olinda, entre um Bloco e outro por aí, entre uma bicada e outra com os amigos, se delicie com esse material. E guarde, que é dos bons.

A palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o Carnaval.
(wikipedia rules)

Taí a melhor música de Pernambuco, a mais rápida do mundo.

01-Eddie - é de fazer chorar
02-João Donato - fogão
03-Céu e 3 na Massa -frevo da saudade
04-Mundo Livre SA - metendo antraz
05-Orquestra Imperial - o dia vem raiando
06-China e Sunga Trio - Oh, bela!
07-Ortinho - só presta quente

08-Siba e a Fuloresta - os melhores dias de minha vida
09-Cordel do Fogo Encantado - saudade

10-Isaar de França - paraquedista
11-Flor de cactus - inquenta muié
12-Edu Lobo - Recife (frevo n.1)
13-Erasto Vasconcelos - papel crepon
14-Orquestra Popular da Bomba do Hemetério - cabelo de fogo


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Seu Chico - Tem Mais Samba [2011]

O tempo ruge, o ritmo é alucinante. Por isso, minha vida em andar sempre por aqui anda dificultosa, mas, nada que abale a vontade, e por isso, continuo. Depois desse pequeno período ausente, taco uma preciosa peça do meu acervo. Quem gosta de Francisco Buarque de Holanda baba por qualquer releitura de sua obra, seja qual for, excetuando claro, qualquer Fresno da vida. O que vier, é lucro. Porque, sinceramente, é difícil transformar uma música do vovô em lixo.

Por isso eu, babão e fanático como de costume, tenho todos os songbooks já apresentados sobre ele, de nego desconhecido a uma turma já batida. Mas, essa, considero uma turma especial. Gosto bastante da Mula Manca e a Fabulosa Figura, banda essa em que notadamente se vê uma abordagem Buarquiana, mesmo que os mesmos neguem. É samba, é bossa, tudo bem. Mas, aqui, deixando todas as influências de lado, se faz umas melhores interpretações do cancionário desse mestre. É porque o sotaque é pernambucano? Claro que é! e tem algum indivíduo mais bairrista que eu? Mas, sobretudo pela imposição das músicas, fica logo explícito na primeira faixa desse áudio, basta escutar 'Caçada' aliada a 'Não Sonho Mais' e já se entende o que quero dizer.

A banda é formada pelo espólio do Mula Manca, retirando da jogada o Castor Luiz, não me perguntem o por quê dele não estar presente. Projetos paralelos, afinidades, joquêpô, vai saber. Com eles se alia o gênio prodígio do piano pernambucano, Victor Araújo, responsável por belos arranjos, dando até uma canjinha de Paranoid de Radiohead. Também participam Negro Grilo, Vinicíus Sarmento. Trago o áudio do cd que vem no dvd, antes que vinherem me cuspir buiufas sobre pirataria, pode ficar sabendo que esse eu vou comprar com orgulho em uma Americanas da vida, é um dvd pra se ter e rever em HD, Blue-ray e o caralho a quatro. Aliás, se alguém conseguir o áudio do dvd, ficarei muito grato.

A foto do post encontrei no blog do Tibério Azul: http://www.tiberioazul.blogspot.com/, e correspondeu a uma peladinha no campo do carioca.

'A música destrói o silêncio entre o corpo e a alma.' Anotem isso.

1- Caçada/Não Sonho Mais
2- Quem Te Viu Quem Te Vê/Paranoid Park
3- Tem Mais Samba
4- A Volta do Malandro
5- Brejo da Cruz/Morena de Angola
6- João e Maria
7- Flor da Idade
8- Não Existe Pecado ao Sul do Equador
9- Jorge Maravilha

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Validuaté - Alegria Girar [2009]

Esses caras são um bom presente de uma boa amiga do Piauí. Já que me presentou, vamo passar adiante. Somos acostumados (em 'somos', entenda caras idiotas como eu, que acha que tudo que é bom no Nordeste se faz em Pernambuco) a pensar que Recife é a capital do substrato qualitativo da música que faz no NE. Ainda bem que 'estamos' errados.

Em Natal já aparece a turma do Seu Zé (que já apareceu por aqui) e em Teresina, conhecida por ser estágio para o inferno, devido a sua temperatura ambiente moderada, aparece a turma do Validuaté. 'Válido até..' como queiram, é um bando de cara arretado, feios que dóem, mas que fazem um rock´n´roll com baladas bem construídas e letras metricamente inseridas, não é qualquer coisa, existe um pensamento por trás, como fica claro nessa definição própria da banda:

''Validuaté: é que o mar só fala de boca cheia. como um bando de gente livre pelo coração arrebatado: atitudes líricas, bregas e complexo de épico. uma música com filosofia de pára-choque de caminhão. um lugar de um tempo-espaço instigante do fantástico: validuaté: desformação de seis caras do terceiro mundo nordestino - Piauí: cidades de União e Teresina: pensando nos movimentos vários das culturas do resto do mundo''

É isso aí mesmo, o caldeirão de sentimentos que eu gosto em toda composição, amor, traição, paixão, drama, romance, gracinhas, frases de pára-choque de caminhão e refrões grudentos, tudo isso levado a cabo por alguns nordestinos, instituindo a leveza do baião com atitude rock´n´roll. Esse, se não estou enganado, é o segundo disco da banda, 'Alegria Girar'. Formada em 2004, sediada em Teresina, mas logo passando a ser radicada em São Paulo, é composta por: Zé Quaresma, Thiago, Jr Caixão, Vazin, Wágner e John Well.

Uma boa pedida pra desconfigurar meu bairrismo e felizmente ampliar meus horizontes, com vocês, a queiridinha do Piauí.

1- Pedaços de Poemas Portugueses
2- O Hermeto e o Gullar
3- Eu Só Quero Acabar com Você
4- Plaina Maravilha
5- A Onda
6- Didascália
7- Não Quero Te Agredir
8- A Lenda do Peixe Francês
9- Eu Preciso é de Você
10- Birras
11- Cortesia
12- Bruta como Antigamente
13- Alegria Girar

Link: http://www.*4shared.com*/file/eUTg_Nk-/Validuate_Alegria_Girar_2009.htm

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mula Manca e a Fabulosa Figura - Amor e Pastel [2007]

Como minha vida tá mais corrida que São Silvestre e minha internet mais bosta que o time do América, tá difícil eu aparecer por aqui diariamente. Puft, como se milhões fossem se matar por isso.

Pois bem, continuando essa bela jornada e tentando não ser longo o suficiente, apresento um dos meus cd´s favoritos, por não ser tão antigo, ainda não entra nos 'Discos da Minha Vida', mas, um dia chegará, com certeza. O 'Amor e Pastel' da Mula Manca e a Fabulosa Figura. O disco é o segundo da banda, que parou suas atividades devivo ao projeto paralelo da mesma turma, o 'Seu Chico'. Eu, pernambucano parcial e bairrista como sou, tenho orgulho em falar desses caras, que fazem (no caso, faziam) a melhor música de PE.

Se poderia defíni-los, uso o termo 'música com carinho'. Tibério Azul, Dom Angelo, Castor Luiz e Bruno Cupim apresentam um disco curto na duração, mas imenso na estética. Usam o belo samba do Seu Buarque, o choro, o brega, a bossa, em uma salada típica como a cultura pernambucana, com as letras de Tibério e Castor entoando as músicas centradas em um único tema: Amor. Porque convenhamos, não há nada mais ridículo que se estar apaixonado, um papelão que vez ou outra os humanos experimentam e cada vez mais se atolam em idiotices. Um tema banal, roteirizado em diversas obras e eventos, mas que não perde seu charme, nem sua beleza.

Você que ama, e você que comete seus pastelões, se 'aprochegue'.

1. Se Lavo Lavú
2. Blond Girl
3. Outro Par
4. Dinheiro
5. Loteria
6. Escravo

7. Fórmula 1
8. Aquela Rosa (Cecília)

9. Deita Aqui
10. Animal
11. Terra, Água e Sal
12. Paletó
13. Varanda
14. Pé no Chão
15. Arrepio


Link:
http://www.4shared.com/file/tu7-3pA7/Amor_E_Pastel.htm

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Otto - Certa Noite Acordei de Sonhos Intranquilos [2009]

Taí um cara que eu gosto mais de sua personalidade do que propriamente de sua música. Não que ele seja criador de um 'rebolation' qualquer, longe disso.

Nativo de Belo Jardim e alvirrubro, Otto é uma cabeça pensante com belas idéias, poeta ao seu modo, demonstrando muito de seu potencial nesse disco. Por que gosto dele? Porque simplesmente ele é como eu. Ele é um cara desengonçado, tímido, feio e desleixado. Ele toma suas canas de vez em quanto, e é rodeado pelas coisas normais da vida. Seu café da manhã não aparece na Caras, sua tarde não é cercada por paparazzi, sua ida a praia não é flagrada pela Globo.com. Se você de alguma forma se sente indentificado pelo que eu escrevi, fique a vontade, Otto não é uma celebridade.

E como um cara que não é uma celebridade pôde se casar com uma global como Alessandra Negrini? Outros diriam. Bem, não sei. Acho que nem ele sabe, e talvez não tenha explicação. Talvez ele foi apenas ele mesmo, e quando mitos caem na frente dos meus olhos sem explicação, eu me sinto bem. Por isso torci pelo Mazembe no Mundial Interclubes e torço pela Hispania na F1. Ver alguém dentro de um espaço não sendo a forma do rótulo é prazeroso.

Minhas torcidas a parte, esse é um belo disco. É um disco de quem perdeu um ente querido, teve o contrato com sua gravadora rompido e levou um pé na bunda, é. Mas, também denota toda uma força lírica de um bom poeta. Porque da dor também nascem belas obras, a Trama que o diga. A musicalidade de Otto se faz presente nas minhas faixas preferidas, como 'Crua' e 'Seis Minutos'. A força de uma despedida traz um disco suave e raivoso, como um sonho intranquilo.

Porque há sempre um lado que pesa, e outro lado que flutua.

1 Crua – (Otto)

2 O Leite – (Otto)

3 Janaina – (Otto)

4 Meu Mundo – (Otto)

5 6 Minutos – (Otto)

6 Lagrimas Negras – (Jorge Mautner & Nelson Jacobina)

7 Saudade – (Otto & Julieta Venegas)

8 Naquela Mesa – (Sérgio Bittencourt)

9 Filha – (Otto)

10 Agora Sim – (Otto)


Link: http://www.*4shared*.com/file/Waa5ce59/OTTO_CERTA_MANH_ACORDEI_DE_SON.htm

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ortinho - Herói Trancado [2010]

Minha relação com a música de Ortinho me remete a qualquer relação amorosa que poderia dar certo, mas, sempre foi atrapalhada por própria relutância minha ou pela presença do acaso. Músico de Caruaru, me apareceu há uns anos atrás quando peguei o cd Ilha do Destino, lançado em 2002. Disco esse, que até hoje pouco ouvi.

Anos se passaram, e em 2010, Zeca Baleiro apareceu no Projeto Seis e Meia, do Teatro do Parque em Recife. Abrindo para ele estava Ortinho. Me dei mal, cheguei atrasado, quase não vi o show de Zeca, quanto mais o de Ortinho. Ainda assim, perguntei sobre o show do rapaz de Caruaru, e não ouvi algo muito bom, 'quase dormi', foi a resposta.

Poucos meses depois, na própria Caruaru, Ortinho se apresenta no 'Circuito do Frio' da cidade, tocando na sexta-feira do fim de semana. Também não fui, esperava o sábado com Zeca Baleiro e Almério.

Até que um dia, em plena aula desinteressada na faculdade, me liga um grande amigo meu informando: 'Show de Ortinho daqui a pouco, vai?' Eu me rendi ao destino e disse: 'Vamo'. Chegando no Teatro do SESC da terra natal de Ortinho, pouca gente se via, digamos que dessa vez fui um dos primeiros a chegar.

Rodeado de um pequeno público e a presença de sua própria família, ele realizou um show intimista com uma banda de apoio, trazendo versões acústicas de músicas como: 'Pense Duas Vezes Antes de Me Esquecer' e 'Herói Trancado', assim como algumas da parceria com Arnaldo Antunes no fuderoso disco 'Iê-Iê-Iê', como "Meu Coração' e 'Envelhecer'.

No final de 2010, chega as lojas, seu terceiro cd, 'Herói Trancado'. Remetendo a baladas da Jovem Guarda dignas da parceria Erasmo/Roberto, Ortinho inova sua música e traz um disco que já começa a entrar entre os meus melhores na prateleira, com versos como: 'estou trancado do lado de fora/deixando você livre para eu ir embora/ agora vou aproveitar a minha vida/ preso pelo mundo afora'.

Com Herói Trancado, a música de Ortinho finalmente me conquistou, ainda bem que ela foi persistente.

01 - O Cara do Outro Lado
02 - Saudades do Mundo
03 - Modelo Vivo
04 - Moldura
05 - Herói Trancado
06 - Retrovisores
07 - Pense Duas Vezes Antes de Esquecer
08 - Você Não Sabe da Missa Um Terço
09 - Sonhar de Novo
10 - Café Com Leite de Rosas
11 - Já Fui Rei

Link: http://www.*4shared.com*/file/bWi22BZ2/DNA_Ortinho_-_Heri_Trancado.htm

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Seu Zé - Festival do Desconcerto [2005]

Nem bem 2011 começou e eu tive a felicidade de encontrar uma banda que começa a ganhar meu respeito, os potiguares do SeuZé. Formada por Lipe Tavares (vocal/baixo), Fell Cavalcanti (vocal/guitarra), Augusto Souza (guitarra) e Telo Pachêco (bateria), eles surgiram em Natal em meados dos anos 2000 realizando um rock´n´roll que bem que podia ser pernambucano.

Me chamou a atenção o fato deles se utilizarem do baião e do xote aliados ao rock´n´roll, coisa já batida quando se fala em rock nordestino, mas, adicionarem um elemento a mais, uma guitarra blues. O resultado é uma mistura que exerce um psicodelismo único, por vezes amoroso, por vezes jacoso, em cima de letras provenientes da cultura do lado de cá.

Festival do Desconcerto é o primeiro disco da banda, lançado em 2005, pela Mudernage Records, desconhecido, só foi parar na minha mão 6 anos depois, ainda bem que tanta espera valeu a pena. Ano passado veio o segundo cd, A Comédia Humana, o qual eu já estou procurando pra tecer algum comentário inútil.

SeuZé é a menininha dos olhos do rock do Rio Grande do Norte, única, merece entrar na minha galeria.

01 - O Anti-Herói
02 - O Coroné
03 - Retrato de um Traidor quando Jovem
04 - Plantando no Céu e Colhendo no Inferno
05 - Antônio Conselheiro
06 - Artemis
07 - Saudades do Sertão
08 - Sai Galada
09 - Soldado de Deus, Mercenário do Diabo
10 - A Viagem
11 - Fim da Linha
12 - Não Cuspa no Prato que já Comeu

Link: http://www.*4shared.com*/file/V-cjT4Ue/SeuZ.html