São 8 horas da manhã. Todos começam a acordar para uma manhã de domingo na casa dos Followill. O pai, Leon, acaba de chegar de viagem após mais uma aventura de pregações por cidades do estado do Tennessee, exaltando o nome do Senhor e tudo que ele pode fazer pela vida de todos nós, pobres mortais.
Os irmãos Caleb, Matthew, Nathan e o pequenino Jared embolam na cama, ainda cansados de acompanhar o pai, extremamente irritados de mais uma vez levantar cedo para tocarem música gospel na igreja do bairro. Caleb olha o relógio, enquanto o pai pela enésima vez os chama para o café da manhã. "Que saco - pensou - queria mesmo ficar aqui ouvindo meu disco dos Pixies''.
Essa era uma cena cotidiana na vida dos irmãos do Kings of Leon, a obediência à vida regrada, baseada na educação rígida e religiosa imposta pelo pai, marcaram para sempre seus integrantes, deixando um único legado: a música. Foi com esse aprendizado que eles começaram a desenvolver ainda adolescentes, em Nashville, sua terra natal, os primeiros roteiros de uma banda de rock.
Oito anos após seu início, a banda dos Followill lança seu disco mais maduro e conceituado até então: Only by the Night. A pegada caipira de Youth and the Young Manhood, dá espaço a uma criação bem mais complexa, fazendo uso de riffs concisos e uma presença maciça do piano em várias harmonias.
Contribuindo bastante para a maturidade do grupo, foi a nítida evolução de Caleb como frontman, trazendo seu tom único como mais um instrumento melódico para as músicas da banda.
Mesmo considerado por muita gente (inclusive por mim) como um grande disco, moderno, conciso e complexo, típico de uma banda que futuramente será considerada de grande porte, Only By the Night encerra um lado experimental que havia começado com Because of The Times. De todo modo, é forte candidato a um dos melhores discos da década.
Papai Leon deveria ficar orgulhoso de seus Kings.
01. Closer
02. Crawl
03. Sex on Fire
04. Use Somebody
05. Manhatan
06. Revelry
07. 17
08. Notion
09. I Want You
10. Be Somebody
11. Cold Desert
Bairrista como eu sou, bandas Pernambucanas deveriam aparecer bem mais por aqui. Essa obrigação é deveramente um pé-no-saco, mas, acho que de vez em quando posso alcançar essa virtude. Primeiramente, esse lugar deveria ser mesmo da Volver.
A Volver é recifense, parte gravataense (obrigado a parte que me toca: beijo mãe) e paulista por domicílio. De todos esses expoentes que apareceram pós-anos 2000 por aqui, é a que mais me agrada. Não pela simples ligação local, mas, muito mais pelo som que emite.
Prezar-se as raízes é ótimo, ter orgulho cultural e manter suas tradições também. Mas, como qualquer extremismo, não diversificar e alargar esse arcabouço é burrice. E é isso que acontece com grande frequência pelos lados da capital. A tentativa desenfreada de reviver o Manguebeat a cada passo dado por um grupo musical se torna estúpido porque é demasiadamente forçado.
E essa rotina, bem poderia ser copiada por Bruno Souto, mas, não foi. Não foi porque as influências vinheram de cantos mais longínquos e de fontes bem mais profundas, com o rock britânico, ilustrado claramente pelos Beatles. Nas palavras do próprio Bruno, o surgimento da brincadeira:
'O início da banda foi em 2003, se não me engano. Não exatamente começou, tinha o lance da idéia da banda: “Vamos fazer uma banda!”, isso em janeiro ou fevereiro de 2003. Eu tinha uma banda, pois comecei a gostar de tocar mesmo com os meus 14 anos. Minha pelada era isso. Deixei um pouco de passar o dia jogando futebol na rua e passei a ir muito aos estúdios para ensaiar mesmo. Não tinha nada de autoral, era só covers. A gente gostava do filme “Backbeat – Os cinco rapazes de Liverpool”. No dia que a gente viu, enlouqueceu. Ai, depois, ficamos ensaiando Green Day, Offspring, anos 90 e tal. Mas isso só na brincadeira. Daí teve uma época que começamos a fazer música autoral, só que um lance mais groove, mais funk e soul. Era algo mais coletivo. Só que eu sempre curti Jovem Guarda, Beatles, e ai quis fazer uma banda que tivesse essas influências. Foi quando eu chamei um amigo meu, Diógenes, o primeiro guitarrista da banda. E ficamos nessa vontade. A primeira música que eu fiz foi “Lucy” (do primeiro álbum, “Canções Perdidas Num Canto Qualquer”, de 2005). Está até na demo da banda.'
Nessa toada, apresento por aqui o segundo cd da banda, Acima da Chuva lançado em 2008, o preferido em relação ao Canções Perdidas num Canto Qualquer. É um disco de afirmação, de estruturação musical. Nele, os traços da banda começam a se desenhar muito mais de forma própria do que uma tentativa revival de estabelecer certos conceitos estrangeiros.E, ficou bom, muito bom. Bruno assume as composições do disco e acerta palmo a palmo, assumindo canções livres com pitadas de baladas românticas. Tudo certo, bem conceitual, aliada as guitarras de Kléber Croccia levaram os caras ao âmbito nacional.
A partir daí, após o Abril pro Rock 2009, a indústria e o mercado pernambucano ficaram pequenos, levando a ida à São Paulo. Sabe como é, gravadoras aqui, acolá, shows, aqui, acolá, tudo é mais perto, cômodo e a grana é maior. Mainstream e cosmopolitização andam de mãos dadas. Enquanto espero o terceiro cd dessa turma, apreciem o segundo. Que a coisa é boa.
É carnaval. Sou obcecado por coisas tradicionais, festas principalmente, assim carnaval entra na minha lista. Pra quem gosta de frevo, estar em Pernambuco nessa época é um deleite. Nada contra o carnaval baiano ou carioca. Sou apenas chato demais pra gastar uma fortuna pra ouvir Cláudia Leite nas ladeiras de Salvador ou me esparramar em uma arquibancada por longas 5 horas esperando dezenas de carros alegóricos falando sobre temas de gosto muito duvidoso.
Pois é, e já que aqui estamos, e eu ando de bom humor, lembrei que tinha por aqui uma coletânea propícia para o momento. A 'Frevo do Mundo'. Em 2008, a Candeeiro Records pegou um apoio da Petrobrás Cultural e lançou um cd com os novos nomes da música pernambucana reeditando frevos clássicos. Claudionor Germano que não me ouça, mas às vezes ouvir as mesmas versões o tempo todo, todo santo ano é um saco, e se a música se transforma sem perder a essência, por que não renovar?
Assim Mundo Livre S/A, Eddie, China, Siba e A Fuloresta, Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Cordel do Fogo Encantado, toda aquela turma batida sentou, pensou, e deu novos ares a frevos de Capiba, Aldemar Paiva e Luiz Bandeira. Mesmo com uma galera nova, pouca coisa muda, não se vê uma deturpação do ritmo, é tudo feito com muito bom gosto, como é de costume quando se tem por detrás uma produção acompanhada por Spock.
Então, entre uma subida e outra em Olinda, entre um Bloco e outro por aí, entre uma bicada e outra com os amigos, se delicie com esse material. E guarde, que é dos bons.
A palavrafrevovem deferver, por corruptela,frever, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o Carnaval. (wikipedia rules)
Taí a melhor música de Pernambuco, a mais rápida do mundo.
01-Eddie - é de fazer chorar 02-João Donato - fogão 03-Céu e 3 na Massa -frevo da saudade 04-Mundo Livre SA - metendo antraz 05-Orquestra Imperial - o dia vem raiando 06-China e Sunga Trio - Oh, bela! 07-Ortinho - só presta quente 08-Siba e a Fuloresta - os melhores dias de minha vida 09-Cordel do Fogo Encantado - saudade 10-Isaar de França - paraquedista 11-Flor de cactus - inquenta muié 12-Edu Lobo - Recife (frevo n.1) 13-Erasto Vasconcelos - papel crepon 14-Orquestra Popular da Bomba do Hemetério - cabelo de fogo