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domingo, 13 de maio de 2012

Travis - The Man Who [1999]

Há coisas que você só compreende com alguns punhados de anos de vida. Quando adolescentes somos idiotas o suficiente pra rejeitar um monte de coisa legal a nossa volta. Se você ainda faz isso hoje em dia. Você continua sendo um adolescente. Não desses que curtem o Fiuk. Mas adolescente. 

Entretanto, passado algumas barreiras, compreende-se a necessidade de deixar certas experiências entrarem na sua vida pela primeira vez. 

Me refiro a coisas simples, tangíveis, reais, do cotidiano. Isso que a idade traz: sabedoria para se apegar as coisas mais desprezadas do dia a dia. Coisas que ninguém vê e estão ali presentes. Como sorrisos, gestos, cheiro do café pela manhã e tudo isso que somos forçados a achar irrelevante durante toda a vida. E por que eu estou falando todas essas coisas sem sentido? Porque o The Man Who do Travis só se tornou compreensível quando passei a adorar essas coisas mais simples que listei.

Travis foi fundada na Escócia, isso mesmo, Escócia. Aqueles homens esquisitos que usam saia masculina e tocam gaitas de foles. Lago Ness. David Coulthard. É, estereótipos. Por vezes são muitos necessários. O que importa é que Fran Healy morava em Glasgow e necessitava expor todo seu talento em compor para a comunidade. Para isso, juntou-se a Neil Primrose e Andy Dunlop, no já longínquo ano de 1991. Sob o nome de Glass Onion começaram sua aventura.

A banda só passou a chamar Travis mesmo lá pela metade dos anos 90, porque Fran Healy assistiu e adorou "Paris, Texas" do Wim Wenders (se vocês puderem assistir, assistam). Esse filme é tão fantástico que Bono Vox admitiu certas inspirações para compor The Joshua Three a partir dele. Fabuloso, né não? Com o nome do protagonista do filme estampado na cara, a banda poderia gravar seu primeiro CD em 1996.

De todo modo, só em 1999 que The Man Who foi concebido. Um disco introspectivo, simples, de acordes melódicos e melancólicos do início ao fim. Nada de pessimismo, mágoa, ressentimento, o disco fala sobre sonho, luta, sobre o prazer da virada sobre a vida ("Turn"), cantando as peripécias dessa nossa vida. Singelo, direto, concreto. Do jeito que passei a admirar a vida. Um disco ao melhor estilo trovador. Com certeza deixaria qualquer Beatle orgulhoso.

1- Writing to Reach You
2- The Fear
3- As You Are
4- Driftwood
5- The Last Laugh of The Laugher
6- Turn
7- Why Does It Always Rain On Me?
8- Luv
9- She´s So Strange
10- Slide Show

(Parabéns ao google que alterou o Blogger e me fez não conseguir redimensionar imagens como gosto. Por isso vou alterar o layout dos posts e só utilizar as capas dos discos. São sempre mais bonitas e ofuscam qualquer foto).


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Engenheiros do Hawaii - Tchau Radar! [1999]

Karl Marx disse uma vez em 'O Capital' que tudo que é sólido desmancha no ar. Essa simples frase procurava explicar a sua própria teoria sobre o materialismo histórico.

Marx considerava que toda sociedade é fruto do seu modo de produção, portanto, a mudança deste também traz em consequência a alteração da própria sociedade. Por isso, quando o modelo comunista ruiu em plena União Soviética, arrastou consigo todo um bloco que vivia escondido por detrás de uma cortina vermelha.

De toda forma, somos assim também, o modo como vivemos a vida é bastante influenciado pela forma com a qual nós enxergamos ela. A partir do momento que alteramos nossa visão sobre determinado fato, agimos diferente em relação a ele, e, por consequência, somos levados a ter nosssa vivênciaparcialmente ou totalmente alterada. Foi, nessa mesma situação, que os Engenheiros do Hawaii chegaram a metade dos anos 90.

Augusto Licks, célebre guitarrista da banda, conhecido pela sua pegada clássica, deixaria o barco em 1993. O Trio entoado por cada fã como o melhor do rock brasileiro, composto por Gessinger, Licks e Maltz estaria desfeito. Restava, encontrar outro membro à altura, foi nomeado para o cargo Ricardo Horn, amigo de Humberto com formação em jazz e blues. Também se aliaria ao grupo Fernando Deluque (é, ele mesmo, o amiguinho de Paulo Ricardo) e Paolo Casarin. Os mesmos permaneceriam até 1997, saíriam junto com Carlos Maltz.

Cada vez mais, as transformações na formação só evidenciavam o gessingertrismo que os Engenheiros do Hawaii se tornariam, se ele era o melhor músico da banda, a partir de agora, seria a banda.

Junto com Luciano Granja, Adal Fonseca e Lúcio Dorfman, é lançado Tchau Radar!, em 1999, o décimo segundo álbum da banda. Desta vez, solto para compor como quisesse, Humberto se torna expresso, claro e conciso ao tratar de vários temas como o amor, a despedida, a sociedade e sempre balbuciar sobre filosofia.

De cara, uma das canções mais expressivas sobre amor que já compôs: 'Eu que não amo você.' Um sujeito abandonado e esgarniçado pela própria parceira, se vê em uma relação de amor e ódio durante longos meses enquanto tenta superar a dor de sua partida e conjurar a imagem que para seguir em frente era preciso murmurar: 'Eu que não fumo, queria um cigarro, eu que não amo você.'

Em seguida, uma das melhores versões de músicas do Dylan que já escutei, 'It´s All Over Now Baby Blue' vira 'Negro Amor' pelos dedos de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti. Continuando chegamos a 'Concreto e Asfalto' onde Gessinger dispara a necessidade de se auto-conhecer e de se aceitar antes de cada passo, porque lutar contra si mesmo de forma destrutiva e ilusória, é uma piada: 'se eu fosse um cara diferente, sabe lá o que eu seria?'.

'Até Mais' é um doloroso ensinamento sobre a despedida, como é difícil deixar pra lá algo sabendo que será permanente: 'diga até mais, mesmo se for adeus.' 'Nada é Fácil' é uma das mais realistas crônicas desse monstro do rock brasileiro, a sabedoria da existência de obstáculos em tudo na vida, e a necessidade de se deixar um mundo ideal de lado a procura da própria felicidade: 'reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz, que o crime não compensa e que tudo conspira a favor.' Pra não tornar isso aqui uma epopéia, fecho com a belíssima '3x4', canção que Gessinger escreveu para a esposa, Adriana Sesti, afinal, é sempre ótimo homenagear sua amada com belas frases.

Um disco que pôs os Engenheiros do Hawaii novamente em rota, e selou a Humberto dependência da banda, o modo produtivo estaria alterado, para dar lugar a novas composições. Meu disco preferido pós-Licks e Maltz.

01- Eu que Não Amo Você
02- Negro Amor
03- Concreto & Asfalto
04- Até Mais
05- Nada Fácil
06- O Olho do Furacão
07- Seguir Viagem
08- 10.000 Destinos
09- Na Real
10- 3x4
11- Melhor Assim
12- Cruzada
Link: http://www.*4shared.com*/file/peRkCu7a/Engenheiros_do_Hawaii_-_1999_-.htm

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Discos da Minha Vida: Ultraje à Rigor - 18 Anos Sem Tirar [1999]

Ahh, o humor negro. O que seria de mim sem ele, han? O humor para mim é extremamente necessário, não viveria sem ele. Afinal, a vida é absurda, nada nessa porra faz sentido, e não levá-la a sério é essencial para a nossa sobrevivência. Um dos causadores da criação desse monstro engraçadinho que sou eu, sem dúvida, é Roger Rocha Moreira. Líder do Últraje a Rigor. O gênio. Gênio mesmo, Roger tem um QI espetacular de 172, além de ser formado em inglês pela Universidade de Michigan. Com esse currículo poderia ser presidente, ou pelo menos ser o deputado mais votado do Brasil. Mas, ainda bem que ele não seguiu esse caminho.

As faixas ao vivo foram gravadas em 1996, mas o disco é de 1999, e conta com todas as maiores obras dessa puta banda. Gosto de todas as faixas, me rende até hoje frases feitas e cômicas sobre vários assuntos do cotidiano e do Brasil. Como são 21 faixas, vou apenas naquelas que mais me identifico e gosto.

Em 'Nada a Declarar', a primeira do show, Roger escancara sobre a falta de senso nas composições de letras populares, onde na falta de algo melhor, se coloca um 'cu' no meio. Melhor um cu no meio, que no meio do cu.. é.. não podia escapar sem essa.

Em seguida apresenta 'Monstro de Duas Cabeças', uma canção que traz um tema que todo homem que se preze conhece, a vívida guerra entre a cabeça de cima, e a de baixo..

Na sequência, 'Giselda': '- olha o salgadão que eu trouxe, pra combinar com esse seu doce'. A doce, às vezes nem tanto, epopéia do homem na relação com as mulheres, no dever dele dizer sim, e ela sempre dizer não.

Em 'Filha da Puta', hit dos anos 80, Roger põe pra fora o sentimento do brasileiro com relação a política, da forma mais clichê e sincera possível. 'A terra até que é boa, o que fode é essa gente'. Esse sempre foi um trunfo da banda, a proximidade com o público falando o que você e eu quer falar, e que fala o tempo todo.

'Eu me Amo' é quase Freudiana, a incansável luta do ser humano em procurar-se no outro, enquanto por muitas vezes a resposta já é conhecida há tempos, bastava procurar em si mesmo.

'Mim quer Tocar' é uma crítica ao reggae, da mesma forma que Zeca Baleiro exerce em 'Babylon'. O ritmo aparentemente não industrial e fruto de uma cultura própria e de um ritual religioso é utilizado cada vez mais como formato enlatado na busca pelo lucro advindo da música. 'Mim que tocar, mim gosta a ganhar dinheiro, me want to play, me love to get the money'.

A minha preferida, sem dúvida, é 'Eu Gosto é de Mulher', da forma mais machista possível. Tem que se gostar mesmo, afinal, não há nada melhor. É por ela que nós passamos as situações mais estranhas e no sense possíveis.

Para fechar, a trilogia 'Inútil' (o rfff clássico de Edgard Scandurra), a canção que ecoou no Brasil pós-ditadura, demonstrando o quanto ainda existia uma falácia (e ainda existe) entre o propagado na mídia como um Estado em pleno desenvolvimento e as mazelas existentes. 'Rebelde Sem Causa', a busca incansável do jovem pelo caminho da rebeldia e aversão a família, mesmo não tendo nenhum motivo para tanto e 'Nós Vamos Invadir Sua Praia', um chute no saco da elite carioca que recusava a ver invasão cultural de outros estados, sobretudo dos paulistas.

Enfim, piada sobre tudo, mas como toda a piada, carregando todo o peso do debate, da sinceridade, e da necessidade sobre a reflexão de várias temáticas. De toda forma, moldou todo um caminho a ser trilhado por mim nesses 21 aninhos de palavras idiotas.
  1. Nada a declarar
  2. O monstro de duas cabeças
  3. Preguiça
  4. Giselda
  5. My Bonnie (ao vivo)
  6. Filha da puta (ao vivo)
  7. Zoraide (ao vivo)
  8. Independente Futebol Clube (ao vivo)
  9. Ciúme (ao vivo)
  10. Volta Comigo (ao vivo)
  11. Eu me amo (ao vivo)
  12. Mim quer tocar (ao vivo)
  13. Sexo!! (ao vivo)
  14. Pelado (ao vivo)
  15. Eu gosto de mulher (ao vivo)
  16. Inútil (ao vivo)
  17. O Chiclete (ao vivo)
  18. Marylou (ao vivo)
  19. Nós vamos invadir sua praia (ao vivo)
  20. Rebelde sem causa (ao vivo)
  21. Terceiro (ao vivo)
Link: http://www.*4shared*.com/file/3GtIKoUN/Ultraje_a_Rigor_1999_18_Anos_S.htm