segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ludov - O Exercício das Pequenas Coisas [2004]

Na metade dos anos 2000, a MTV já começava a capengar em sua programação. A emissora que um dia teve gente como Thunderbird, perdia cada vez mais a credibilidade pra mim, principalmente em relação a seus prêmios. Atualmente, quem vê Restart faturando tudo que é troféu por lá, nem imagina que em cima daquele palco já passou gente como Chico Sciente & Nação Zumbi. O ciclo da vida é uma merda mesmo.

Em outubro de 2004, uma banda paulista levava o caneco por 'Melhor Videoclipe Independente' da música 'Princesa', era a turma do Ludov. Naquela época, era comum encontrar na grade de programação algumas bandas que faziam um rock bonitinho, café com leite e de boa índole. Essa turma era exatamente o grande expoente do que aparecia de novo. Com mais de 10 anos de underground, o Ludov derivava de uma banda chamada Maybees, que há um bom tempo tocava em inglês nas nights paulistanas.

Como com o tempo cantar em inglês se torna um pé no saco (É, o Sepultura é um pé no saco), pensaram que seria melhor balbuciar no bom português, usando uma abreviatura do Tratamento Ludovico, eternizado por Kubrick em Laranja Mecânica. O primeiro EP, Dois a Rodar, estreou em 2003, com um apanhado de músicas bonitinhas e leves, facilmente comestíveis. Com o sucesso de 'Princesa', e o videoclipe da aeromoça, ganharam notoriedade no cenário indie brasileiro, e uma assinatura com uma gravadora não tardaria.

Foi assim que chegaram a Deckdiscos, tornando o primeiro cd uma possibilidade concreta. O Exercício das Pequenas Coisas é sem dúvida, um bom disco. Me lembra um pouco de Penélope, outra banda paulista conhecida por suas músicas a là Pixies e Belle and Sebastian, com voz feminina e oposto de conterrâneos como Ira!. A formação do Ludov pra esse disco, traz Vanessa Krungold nos vocais, o japa fã de quadrinhos Mauro Motoki, Paulo Chapolim, Habacuque Lima e Eduardo Filomeno, uma escalação que deixaria qualquer locutor de futebol de cabelo em pé.

O disco, em si, é daqueles de se ouvir escovando os dentes, em uma boa manhã de domingo. Ressalta as coisas boas da vida, o lado bom do amor, aquela frescurite de paz que sempre assola todo mundo, principalmente quando se pensa que uma coisa intangível como a felicidade parece estar presente.

01- Sério
02- Estrelas
03- O Dia em Que Seremos Felizes
04- Dorme Em Paz
05- Esquece e Vai
06- Sete Anos
07- Kriptonita
08- Supertrunfo
09- Gramado
10- Mais uma Vez
11- Elastano
12- Todo Esse Ar
13- Tudo Bem, Tudo Bom
14- É Só Saudade
15- Princesa (bônus)

Link:
http://www.*4shared*.com/dir/4598210/6aa43092/ludov_-_o_exerccio_das_pequenas_coisas.html

sábado, 2 de julho de 2011

Zeca Baleiro - Pet Shop Mundo Cão [2002]

José Ribamar dos Santos, o Baleiro. Creio eu, que nessa minha já vasta presença em shows de muita gente, foi quem eu mais vi. Conto 4 apresentações, ao todo. Zeca Baleiro é oriundo de São Luís do Maranhão, a terra do reagge.

Esse maranhense sempre teve ligado a música, começou sua carreira escrevendo músicas infantis para teatro, depois pinotou para São Paulo, onde passou a dividir apartamento co
m o maluco do Chico César, aflorando de vez suas composições até chegar a 'Flor da Pele', lançada por Gal Costa.

Não dá pra dizer que Zeca seja unicamente um cantor de MPB, é mais ou menos o que a sobriedade de Lenine não deixa escapar: ninguém hoje faz MPB. Esse gênero utilizado pelo mercado comercial e pelo boca-a-boca das pessoas está preso a figuras como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, há muito tempo vivemos outro momento, onde a interatividade de ritmos é que fazem a totalidade da boa música feita por aqui.

De tudo que esse vendedor de doces já fez, o meu preferido é Pet Shop Mundo Cão, talvez o mais renegado entre o grande público. Pet Shop é, além de tudo, louco pra caramba. Zeca mistura côco, samba, eletrônico, Roberto Carlos e rock´n´roll em uma salada de puro refinamento, fazendo com que seja com certeza seu mais genioso trabalho. Para se ter uma idéia da complexidade de temas desse disco, vou listar aqui as preciosidades como se fossem relacionadas a tópicos de um artigo científico, um índice pseudointelecutal muito mal feito, vamos lá:

1- Multivariedade racial e cultural: em 'Minha Tribo Sou Eu, Zeca traz a noção de como é fútil a discussão sobre dogmas raciais e culturais, na verdade, o ser humano moderno é cada vez mais cosmopolita e contemporâneo, e todo bairrismo, que gente como eu ainda costuma a colocar, é frágil de argumento e aplicação.

2- Alienação do Trabalho: como muita gente sabe, trabalhar é uma merda. É a grande causa de alienação e subdesenvolvimento da capacidade humana, como o velho Chaplin já dizia em Tempos Modernos. 'Eu Despedi o Meu Patrão', é uma libertação das amarras do meio produtivo capitalista, sonho de muitos, e privilégios de poucos.

3- Apego à Tecnologia: Em 'O Hacker', exercita um bom jogo de palavras utilizando-se da união entre a vida cotidiana e símbolos tecnológicos como a Internet. O chat das 5, que hoje substitui o antigo encontro entre rodas de amigos.

4- O espetáculo do Mundo Business: A mentalidade cada vez mais aliada a utilização de tudo e de todos como forças de um meio produtivo aparece em 'Mundo dos Negócios', o popular ganhar dinheiro com tudo e de todas as formas. A arte cada vez mais subjulgada pelo negócio.

5- O Cotidiano e a Urbanidade: a rotina que qualquer um cai e que profundamente gente como eu deseja em 'Filho e Um Cachorro', afinal, o ideal de família burguês existe desde a Revolução Francesa, somos filhos dele e nossa maioria, pelo menos ainda, persiste como os propagadores dele.

Depois dessa mostra de até onde a poesia de gente como José Ribamar vai, fica obrigatório curtir esse disco, afinal, o mundo é cão, mas, nós não.

01- Minha Tribo Sou Eu
02- Eu Despedi O Meu Patrão
03- O Hacker
04- Telegrama
05- Mundo dos Negócios
06- Guru da Galera
07- Drumembêis
08- Um Filho e Um Cachorro
09- Fiz Esta Canção
10- As Meninas do Jardim
11- Mundo Cão
12- Filho da Véia
13- A Serpente
14- Meu Nome é Nelson Rodrigues

Link: http://www.*4shared.com*/file/ofOk3foy/Zeca_Baleiro_-_Pet_Shop_Mundo_.htm

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Discos da Minha Vida: Oasis - Be Here Now [1997]

Assim como nós, plantas e os mandatos do Sarney, as bandas também tem seus ciclos de vida. Embora, que assim como os mandatos do Sarney, elas nunca terminem. O Oasis, infelizmente, terminou. Entretanto, um dia teve seu apogeu. E essa crista da onda, 'definitely maybe' (ótimo trocadilho, han?), aconteceu com o Be Here Now. Já ouvi muito que o Be Here Now não é o melhor disco da banda e sempre respondi da mesma forma: - o que vocês tem na cabeça? é claro que é.

As melhores produções das nossas vidas geralmente acontecem quando nós vivemos o nosso auge mental, físico e emocional. Como acredito que um ser humano deve passar por todas as etapas de sua mísera existência, essa fase deve acontecer dos 25 aos 35 anos, por aí. Nesse contexto, é obrigatório que nós teremos que ter feito alguma coisa relevante. Aquela coisa do plantar filho, escrever uma árvore e fazer um livro.

Vivendo o topo de sua carreira meteórica, o Oasis era como uma grande banda comum. O vocalista apesar de se embebedar conseguia altos tons com sua voz rasgada que Deus lhe deu, o guitarrista cabeçudo apesar de cheirar um caminho de cocaína de Recife a Salvador conseguia letras e melodias divinas, que enlouqueciam fãs pelo mundo a fora.

Eram os Gallaghers brigando a torta e à direta e brincando de fazer rock´n´roll. Por isso que esse terceiro disco era tão esperado. Longas filas se formaram nas primeiras lojas ao amanhecer em agosto de 1997, fãs que desde madrugada se apertavam em cobertores e barracas de camping esperando o primeiro sinal para invadirem a prateleira e comprarem o novo disco da maior banda do mundo. E foi justamente isso que aconteceu.

Be Here Now quebrou o recorde que pertencia aos Beatles do álbum mais vendido em menos pouco tempo da história. Muitos críticos, depois de tanta badalação, consideraram o disco um fracasso. Havia letras desconexas, solos demais, baladas longas demais. Ora, isso é música, e pelo que eu sei, uma das sétimas artes. Se querem algo que se encaixem em um padrão, vão ouvir Luan Santana. Noel Gallagher assina todas as faixas, da amorosa Stand By Me a uma Don´t Go away lotada de arrependimento, daqueles que se dá como comprimidos, de 6 em 6 horas, duas vezes ao dia: 'Eu preciso de mais tempo para consertar as coisas.'

Enquanto o pau comia solto em 'I Hope, I Think, I Know', havia até um pequeno Submarino Amarelo em 'All Around The World', numa clara alusão ao Sgt. Peppers dos Beatles. Uma obra-prima, que sempre vai tocar na minha cabeça e nos meus sons aí. Recomendo o original desse disco, primeiro porque é um disco do Oasis, e segundo porque existem vários significados por trás da capa legal. O Rolls Royce na piscina é réplica de um pertencente a John Lennon, assim como a placa remete ao camburão de Abbey Road. Já a pose do Noel, é uma imitação de Ringo Starr em Magical Mistery Tour. Se você, meu amigo, quiser lembrar de algo ou alguém, lembre dos momentos bons, dos que eles fizeram de melhor. Lembre-se de Be Here Now.

01- Do You Know What I Mean?
02- My Big Mouth
03- Magic Pie
04- Stand By Me
05- I Hope, I Think, I Know
06- The Girl In Dirty Shirt
07- Fade In-Out
08- Don´t Go Away
09- Be Here Now
10- All Around The World
11- It´s Gettin Better Man!
12- All Around The World (reprise)

Link: http://www.*4shared.com*/file/O0qZHKOc/1997_-_Be_Here_Now.htm

sábado, 25 de junho de 2011

Roberto Carlos - Detalhes [1971]

Feriadão, vida tranquila em demasia. A minha relação com ídolos é interessante, costumo ter uma grande empatia pelo simples critério de indentificação. É, como uma votação de BBB, gosto de algo ou alguém em que possa me identificar. Se não me identifico, com certeza irá para um paredão. Nessa esteira a gama de heróis parece infindável, gosto do Nick Heidfeld pelo simples fato de ele, como eu, ser baixinho, barbudo e nunca ter vencido uma corrida de F1. Ou seja, parece que é uma estensão minha, lá na Renault, tentando mostrar que nós temos vez.

Dessa mesma forma, queria ser muito deles. E, com certeza, se vivesse na década de 60, queria ser Roberto Carlos. Roberto é um compositor sui generis, talvez, nunca mais o Brasil fabrique alguém com ele. Não falo nem em mídia, em impacto geral na música brasileira, mas, de puro refinamento como ele. Ele é um Chico sem samba, métrica e política, mas, com os mesmos sentimentos e carinho quando se trata dessa nobre arte de fazer música. Porque, afinal, não é isso que importa?

E é por aí que deriva a minha admiração. Assim como Roberto, sou um romântico em relação a vida. Mulheres, amigos, corridas de carro, futebol e música. Consigo trazer algum sentimento estreito em qualquer âmbito da minha vida, assim, faço que ela seja de alguma forma importante pra mim, não que melhor ou pior vivida que qualquer uma, mas, com uma tônica propriamente minha. Esse disco, traz mais ou menos isso. Os detalhes tão pequenos de nós dois que são coisas muito grandes pra esquecer.

Tudo seu, cara pálida, dura pra sempre, pois cada momento impregna nessa tua alma cambaliante. Tudo que te toca, também é tocado, se te causa dor ou prazer, também ressoa dor e prazer. E esse disco, essa relações de forças, que aparece por aqui. Em 1971 ele lançava essa pérola da discografia nacional, que venderia não menos que 1 milhão de cópias. É, 1 milhão. Em uma época que não se tinha os meios para publicidade e marketing como hoje, é disco pra cacete.

Aliado ao maestro americano Jimmy Wisner, Roberto escreve sobre amor, perda, religião e faz uma homenagem ao Caetano Veloso (que nunca vou perdoar por ter maculado 'Come As You Are'). Pelas palavras do próprio Caetano:

'Recebi Roberto na minha casa em Londres, quando estava exilado. A saudade do Brasil era enorme, ele pegou o violão e começou a tocar 'Nas Curvas da Estrada de Santos'. Chorei.'

Tudo que lhe toca, também é tocado. E essa é a grande virtude da música desse vovô, conseguir transparecer para milhões de brasileiros o que sente, indo além, fazendo todos sentirem o que sente. Uma façanha que nenhuma ligação estreita com Globo e Calcinha Preta pode fazer perder minha identificação.

*O vídeo nem é o Roberto, é uma versão de 'Traumas' feita pelo Amarante. Achei legal o bastante para substituir um Rei.

01- Detalhes
02- Como 2 e 2
03- A Namorada
04- Você Não Sabe o Que Vai Perder
05- Traumas
06- Eu Só Tenho Um Caminho
07- Todos Estão Surdos
08- Debaixo dos Caracóis dos Teus Cabelos
09- Se Eu Partir
10- I Love You
11- De Tanto Amor
12- Amada, Amante

Link: http://www.*4shared*.com/file/DN-6VRE4/1971_-_Roberto_Carlos.htm


domingo, 19 de junho de 2011

The Calling - Camino Palmero [2001]

É impressionante como por muitas vezes no mundo do entretenimento as coisas surgem e caem por terra em uma velocidade impressionante. Essa semana fiquei assustado ao ver empoeirado, escanteado e com um adesivo de R$ 6,90 em uma loja de cds, o Camino Palmero do The Calling. R$ 6,90 é muito barato pra um disco original, pra mim um preço ideal, mas, longe dos padrões fonográficos. É quase mais barato que o disco do Supla, que era vendido nas bancas de jornais com uma capa duvidosa e um conteúdo mais ainda dubitável.

Pra mim, contemporâneo dos idos dos anos 2000, fica difícil imaginar hoje escanteado por um preço irrisório um 'fenômeno pop' como o The Calling. Há 10 anos atrás, eu tinha 12 anos, e Alex Band e outros rapazes que nunca sei o nome lançaram esse cd. Uma febre.

Aquela época, nostálgico como sou, considero que era bem melhor que o que vivemos hoje, pelo menos pra adolescentes com indícios de espinha como eu. Explico. Fosse emitir uma classificação, poderia dizer que o que era ruim, não era tão ruim assim. Expoentes pops fabricados, daquelas coisas de indústria mesmo, veiculada aos montes por todo mundo, tínhamos uma colegial Britney Spears e algumas boys bands, como os Backstreet Boys. Na vertente dita como poprock (esse gênero que só o Brasil que costuma adotar) se tinha coisas como Blink 182 e The Calling, que se não eram um primor de musicalidade, estavam longe de serem tão ruins como as bandas americanas atuais. Confesso que até gostava, ouvia e ainda recomendo até hoje.

Quem tem mais ou menos a minha idade, sabe bem do que foi a febre por esse disco, que durou cerca de ano. Eu, recordando com muito esforço, lembro que ouvi pela primeira vez sobre esses caras em meio a uma novela global das 6 da tarde, com Caio Blat de protagonista, chamada Coração de Estudante. Lá, 'Whetever You Will Go' sacudia a trama amorosa de algum roteiro pouco produzido e caía nas graças da garotada. Uma balada romântica, bem elaborada nos padrões mainstream e bem executada por garotos nos seus 20 anos de idade. Não tinha muito como dar errado.

Eu, meus amigos, as meninas do colégio e todos os pré-adolescentes entre 12 e 18 anos de idade escutavam essa faixa todo santo dia. A MTV exibia o clipe diariamente, onde um vocalista metido a galã enlouquecia menininha por todo o globo, uma overdose construída e bem elaborada que pelo menos no prazo estipulado cumpriu seu papel. Mas, e depois?

Depois a coisa ficou complicada, empresários e críticos viram que o The Calling não era tão 'chamativo' assim e tudo ficaria resumido a mais um disco. Alex Band, o bonitão da turma, já conhecido perante um público enorme, fez o mais correto pra sua carreira. Pulou fora da barca. Só que ao pular fora da barca, pareceu continuar nadando sem muito sinal de resgate. Superestimando seu talento, passou a se apresentar individualmente e depois sumiu do mapa. Fãs da banda, podem ficar putos comigo, mas, não tô nem aí, toda essa turma do estrelato se tornaram irrelevantes.

De repente, em 2009, na cidade que cresci, perto da casa da mamãe, vi que Alex Band se apresentaria. Fiz aquela cara de: 'WTF, será que é ele mesmo? E era. Em um show reservado, ao violão, entoou 'sucessos' da banda e canções de um disco próprio. Tudo bonitinho, organizado e digno. Mas, pra um cara que experimentou os topos das Billboards da vida, deve ser frustrante pra cacete. Mas, o que é a graça da vida, se não fossem seus altos e baixos e suas contradições?

Quanto ao disco: é legal, bem produzido, jovial, quem não conhece, vale a pena ouvir, dos mais antigos, matem a saudade. Afinal, todo mundo merece ter um amor embalado por 'Whatever You Will Go' e conhecer a maldita da 'Adrienne'.

01- Unstoppable
02- Nothing´s Changed
03- Whatever Will You Go
04- Could It Be Any Harder
05- Final Answer
06- Adrienne
07- We´re Forgiven
08- Things Don´t Always Turn Out That Way
09- Just That Good
10- Thank You
11- Stigmatized
12- Whatever Will You Go (Live)
13- Lost

Link: http://www.*4shared.com*/file/jDJ5AD2s/The_Calling-Camino_Palmero_200.htm


sábado, 18 de junho de 2011

Black Sabbath - Paranoid [1970]

É isso aí macacada, vamos falar de discos.

Nunca tive muito tesão por heavy metal, acho algumas bandas consagradas como Angra irrelevantes. É, irrelevantes. Aquele compasso rápido ao estilo Top Gear parece-me tão vazio quanto um hardcore contemporâneo. Sabe como é, gostos. Mas, admiro duas bandas desse gênero, que com certeza passarão por aqui. A primeira é o Black Sabbath, uma das fontes do metal.

Se você é algum preconceituoso religioso de meia tigela, considera que o rock é fruto do diabo e que qualquer cabeludo vestido de preto andando em sua direção na rua é uma alma penada que está pagando seus pecados ao custo dos seus ouvidos de santidade.. Bem, os responsáveis pela criação dessa sua idéia, foram o Black Sabbath. No final da década de 60, Ozzy Osbourne, Bill Ward, Tony Iommi e Greeze Bluter mudaram o conceito do rock´n´roll da época, trazendo aos cabeludos fãs de solos de guitarras quilométricos a noção do que era o blues.

De Birmigham, Inglaterra, se aliaram ao Deep Purple e o Led Zeppelin como pais do que consideram como a vertente mais extremista do rock´n´roll, meio que uns xiitas do ritmo, em sua versão mais estereotipada. A história conta que Ward e Iommi responderam a um chamado de um vocalista locão da pequena cidade inglesa, chamado Ozzy Osbourne. Como Ward era fã de filmes de terror, ao assistir uma película italiana, traduzida para o inglês como 'Black Sabbath', via ali um nome ideal para a banda.

A partir daí, começava uma temática sombria e aliada ao misticismo pagão em seu disco de estréia, só alternando um pouco com a chegada de Paranoid. O Paranoid é do caralho, dentre outros motivos pelo que Ward e Iommi fazem nas faixas. A bateria e os riffs seguros dos dois, traduzem uma originalidade que ainda não havia pisado no rock. Osbourne ainda sem nenhuma sequela do uso maciço de drogas, canta canções sobre a guerra do Vietnã, chutando o pau da barraca e chamando os responsáveis pela desastrosa investida americana e britânica no Oriente de 'Porcos da Guerra' em 'Wars Pigs'.

Aliada ao lado político, aparecem uma boa dose de ficção científica, em 'Iron Man', em conjunto da abordagem das consequências do uso de entorpecentes em 'Hand Of Doom'. Ou seja, se você fosse um jovem ocidental no começo dos anos 70, você iria enlouquecer por esse disco. E realmente, foi o que aconteceu.

Com ele, o Black Sabbath chegou a décima segunda posição das paradas americanas. A tradução da essência do 'lado negro' do rock, ficaria pra sempre, reservada a esses ingleses.

01- War Pigs
02- Paranoid
03- Planet Caravan
04- Iron Man
05- Eletric Funeral
06- Hand Of Doom
07- Rat Salad
08- Fairies Wear Boots

Link: http://www.*fileserve.com*/file/Rdc3Mwf


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pearl Jam - Ten [1991]

O surgimento do movimento de Seattle é um bom tema para um especial, mas, antes disso, o Pearl Jam tinha que dar suas caras por aqui. A história é mais ou menos batida, todo mundo sabe mais ou menos um pouco. De uma cidade no Estado de Washington surgiu após o fenômeno Nirvana um punhado de bandas de camisa flanela e calças jeans rasgadas, com influência do punk e no rock clássico dos anos 70, dentre elas, estavam Eddie Vedder e cia.

O interessante desses movimentos musicais, é que, apesar de acontecerem entre algumas gerações, não são necessariamente conexos. O fato do Pearl Jam ser de Seattle, não quer dizer que andavam de mãos dadas com Kurt Cobain em um parque municipal todo domingo à tarde, não existe uma necessidade de saírem de um mesmo grupo, pode acontecer como em Brasília, onde todos eram miguxos, mas, digamos que a cena americana era bem mais cheia de variedade do que a cidade de Kubitschek.

Pois bem, posso realmente considerar que nada se comparou ao que Nirvana representou, nem industrialmente, nem musicalmente, afinal, não se tem um hitmaker como Cobain em toda ponta de esquina, mas, gosto bem mais do Pearl Jam. Por quê? Porque posso dizer que são mais ricos musicalmente.

A idéia desses caras nunca foi reeditar um Pixies, o que queriam era aliar vários gêneros que gostavam tentando afugentar ao máximo o hair-metal que aparecia no top 10 da música americana. Era tocar por tocar, sem perucas, botas, maquilagem e rímel, sem frescura. A brincadeira começou quando Jeff Ament e Stone Gossard formaram o Green River. Com a separação da banda, trouxeram Andrew Wood e passaram a se chamar Mother Love Bone. Só que, exagerando na heroína, Wood bateu as botas.

Assim, era necessário um novo vocal. Foi quando surgiu Eddie Vedder e Mike MCcready, após participarem de um tributo do Soundgarden e do Mother Love Bone à Wood. Tentando testar o garoto, Jeremy Irons, enviou uma fita para Vedder com alguns grooves da banda e recebeu de volta um punhado de letras para as canções.

Vedder, um surfista de fim de semana, tinha umas cartas na manga, e resolveu joga-las pra ver o que a turma achava, deu certo. Uma se chamava ‘Alive’, a outra ‘Once’. A primeira, baseada em uma experiência pessoal de Vedder, viraria o maior clássico do grupo.

Assim, em 1991, nasceu o Ten, a voz de barítono de Eddie Vedder e a guitarra blues de Mike MCcready caracterizariam uma das maiores bandas do rock americano, uma mistura de Neil Young com The Doors, com punk, com surf music, e o caralho a quatro, algo novo, que renderia milhares de jovens americanos a uma outra vertente do rock de Seattle.

Era só o começo, pequenos gafanhotos, era só o começo.

01- Once
02- Evenflow
03- Alive
04- Why Go

05- Black
06- Jeremy
07- Oceans
08- Porch
09- Garden
10- Deep
11- Release

Link: http://www.*4shared.com*/file/snVbhbep/_1991__Pearl_Jam_-_Ten.htm