terça-feira, 10 de maio de 2011

Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar [2010]

Considero que Marcelo Camelo foi o compositor mais influente da minha geração. Admito que seja minha geração, os anos idos de 2000 pra cá. Pelos motivos que já expus quando falei do disco 4, mesmo não sendo meu Hermano preferido, Camelo trouxe de volta o cuidado e o apego a métrica e a letra no rock nacional, carinho esse advindo do bom samba, coincidindo os dois ritmos, como em uma de suas primeiras músicas: 'Azedume.'

Nessa esteira, apresento por aqui o compositor, que após Camelo, vem me impressionando um bucado. Marcelo Jeneci é filho de pernambucanos, criado em São Paulo, no bairro de Guaianases. Eu nunca pus um pé no Sudeste, mas, o que escuto é que esse bairro é conhecido pela grande presença de nordestinos, gente que como Fabiano em Morte e Vida Severina, saiu do sertão procurando dias melhores, alanvancando a economia paulista e trazendo uma grande massa de votos para a maior zona eleitoral do Brasil.

Pois bem, crescendo em São Paulo, Jeneci logo sofreu uma grande empurrão do pai para aprender sanfona, já que o velho consertava acordeões. Mas, o sonho mesmo do papai era que ele se tornasse um músico clássico e virtuoso, e Marcelo logo seguiu para aprender piano, especificamente, jazz. Assim, cresceu impregnado pela música nordestina, tendo a sorte de ter em sua convivência, músicos consagrados como Dominguinhos, amigo do papai Jeneci.

De repente, uma boa chance apareceu, Chico César precisava de um sanfoneiro que entendesse um pouco de piano para acompanhá-lo urgentemente em uma turnê. Indicado pelo arcodeonista Toninho Ferragutti, Jeneci apareceu, fez um teste, e agradou.

A partir daí, começava a saga desse paulista pernambucano acompanhando gente como Arnaldo Antunes e Vanessa da Mata. Com Vanessa, testou pela primeira vez a arte de composição, a presenteando com 'Amado'. Um hit, que adentrou perante a Som Livre e foi parar como tema de novela global. Com uma boa credencial dessas, não tão importante para a crítica e sim para o público, o caminho começava a ser traçado.

Fundamental para a consolidação da maneira de compor de Jeneci, reconhecido pelo próprio, foi a parceria durante um bom tempo com Fernando Catatau no Cidadão Instigado. Catatau, sempre fã de baladas melosas aliadas ao brega nordestino, despertou em Marcelo o requinte por essa forma de compor sobre amor, que se não é a mais popular, reconheço que seja a mais bela. E assim, chegamos ao seu disco de estréia, Feito pra Acabar. Pra mim, já é uma pérola. Alia-se o multi-instrumentalismo de Jeneci com o guitar hero Edgar Scandurra, Curumim e Laura Liviere, dividindo alguns vocais.

Diante da nova produção nacional, talvez seja o mais requintado dos últimos anos, é bom ficar de olho nesse malandro, que o bicho promete. Nas palavras de um sábio em compor com o piano, Guilerme Arantes: "Acho que a carreira dele será brilhante. O Jeneci faz parte de uma geração que vai representar a vitória de tudo aquilo em que eu acreditava quando comecei - o lirismo, a linguagem doce do piano. Ele será meu parceiro no futuro, com certeza".

01- Felicidade
02- Jardim do Éden
03- Café Com Leite de Rosas
04- Quarto de Dormir
05- Pra Sonhar
06- Por que Nós?
07- Dar-Te-Ei
08- Longe
09- Tempestade
10- Show de Estrelas
11- Pense Duas Vezes Antes de Esquecer
12- Feito pra Acabar

Link: http://www.*4shared.com*/file/9IBaXNH0/DNA_Marcelo_Jeneci__2010_-_Fei.htm

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Chico Buarque - Construção [1971]

O maior compositor da música brasileira. Sim, ele é. O refinamento entre as letras e a fidelidade à bossa ao longo de uma carreira que beira os 50 anos é sensacional. Demorou pra aparecer por aqui, mas, posso dizer que aparece em grande estilo.

Francisco Buarque de Holanda é filho de Sérgio Buarque de Holanda, um dos maiores sociólogos do país. Esse passaporte para a vida foi essencial para a configuração da personalidade de Chico. Logo adolescente, herdou de seu pai uma rica amizade com Tom Jobim, maestro e compositor da eminente bossa nova, a partir daí, começava a brincadeira.

Naquela época, final dos anos 50, era interessante para todo jovem se formar em arquitetura, era até cool, devido ao crescimento vertiginoso do país após o Governo Kubitsheck e as grandes e megalomaníacas obras estarem em pauta. Brasília era o reflexo disso, todos queriam que seu filho fosse o novo Neymeyer. O pobre Chiquinho até tentou, mas, viu que aquela coisa de números e idéias não eram muito com ele, ele começava a despertar o interesse por outras áreas, entre elas, a música e a boemia. Andando com Jobim, conheceu um cara determinante para a vida que construiria, um tal de Vinicíus de Moraes.

Outra grande mente pensante brasileira, Vinícius foi diplomata. Diplomata, pra mim, é sinônimo de sabedoria. Para entrar no Instituto Rio Branco, o concurso mais difícil do país e se tornar um, é necessário amplo (muito amplo) conhecimento em sociologia, história, geografia e língua portuguesa. Ou seja, você precisa entender o país, seu povo, sua história e sua vida. Uma conjuntura que, digamos, não é avantajada no brasileiro, tanto quanto o latino-americano em geral. Com Vinicíus, Chico tomou idéia sobre a realidade em que vivia, e praticamente, aprendeu a compor. Esses conjunto de forças aqui e acolá começaram a moldar a personalidade do garoto, que decidiu chutar arquitetura e decidir: vou ser músico.

E é por essas e outras que chego em 'Construção'. Construção é seu 11º disco e um divisor de águas para ele, um clássico da música brasileira. Aqui há samba, há bossa, mas há um fator determinante nas composições de Chico a partir dos anos 70: a política. Se antes, por alguma forma, permanecia disfarçado, aqui aparece explícito. Se seu pai, ao estabelecer a teoria do homem cordial, criou uma análise profunda e enraizada do povo brasileiro, era direito que seu que continuasse a fazer isso por meio de versos. E é assim que ele trás a vida brasileira em meio a um governo ditatoria para dentro do samba.

Um povo batalhador, rotineiro, envolto a pressão de se calar perante um regime e arrumar o pão de cada dia. Ainda tendo que amar, beber, ver futebol e achar tudo bonito. 'Por esse pão pra comer, por esse pão pra dormir, por me deixar respirar, por me deixar existir.' Tudo parece uma concessão estatal, a vida em si, é uma permissão da sociedade, o lema: ame-o ou deixo-o é explícito e feroz, por muitas vezes alienante. Se 'Raízes do Brasil' tornou-se essencial para entender a sociedade brasileira, também o faz Construção, um disco clássico e também clichê na produção cultural brasileira, extremamente necessário para se entender o brasileiro, determinante para configurar um povo lutador, operário e sofrido. Seja na década de 70, seja hoje.

01 - Deus Lhe Pague
02 - Cotidiano
03 - Desalento
04 - Construção
05 - Cordão
06 - Olha Maria
07 - Samba de Orly
08 - Valsinha
09 - Minha História
10 - Acalanto

Link: http://www.*4shared.com*/file/4h3JuFdV/1971_-_Construo_-_Chico_Buarqu.htm

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Volver - Acima da Chuva [2008]

Bairrista como eu sou, bandas Pernambucanas deveriam aparecer bem mais por aqui. Essa obrigação é deveramente um pé-no-saco, mas, acho que de vez em quando posso alcançar essa virtude. Primeiramente, esse lugar deveria ser mesmo da Volver.

A Volver é recifense, parte gravataense (obrigado a parte que me toca: beijo mãe) e paulista por domicílio. De todos esses expoentes que apareceram pós-anos 2000 por aqui, é a que mais me agrada. Não pela simples ligação local, mas, muito mais pelo som que emite.

Prezar-se as raízes é ótimo, ter orgulho cultural e manter suas tradições também. Mas, como qualquer extremismo, não diversificar e alargar esse arcabouço é burrice. E é isso que acontece com grande frequência pelos lados da capital. A tentativa desenfreada de reviver o Manguebeat a cada passo dado por um grupo musical se torna estúpido porque é demasiadamente forçado.

E essa rotina, bem poderia ser copiada por Bruno Souto, mas, não foi. Não foi porque as influências vinheram de cantos mais longínquos e de fontes bem mais profundas, com o rock britânico, ilustrado claramente pelos Beatles. Nas palavras do próprio Bruno, o surgimento da brincadeira:

'O início da banda foi em 2003, se não me engano. Não exatamente começou, tinha o lance da idéia da banda: “Vamos fazer uma banda!”, isso em janeiro ou fevereiro de 2003. Eu tinha uma banda, pois comecei a gostar de tocar mesmo com os meus 14 anos. Minha pelada era isso. Deixei um pouco de passar o dia jogando futebol na rua e passei a ir muito aos estúdios para ensaiar mesmo. Não tinha nada de autoral, era só covers. A gente gostava do filme “Backbeat – Os cinco rapazes de Liverpool”. No dia que a gente viu, enlouqueceu. Ai, depois, ficamos ensaiando Green Day, Offspring, anos 90 e tal. Mas isso só na brincadeira. Daí teve uma época que começamos a fazer música autoral, só que um lance mais groove, mais funk e soul. Era algo mais coletivo. Só que eu sempre curti Jovem Guarda, Beatles, e ai quis fazer uma banda que tivesse essas influências. Foi quando eu chamei um amigo meu, Diógenes, o primeiro guitarrista da banda. E ficamos nessa vontade. A primeira música que eu fiz foi “Lucy” (do primeiro álbum, “Canções Perdidas Num Canto Qualquer”, de 2005). Está até na demo da banda.'

Nessa toada, apresento por aqui o segundo cd da banda, Acima da Chuva lançado em 2008, o preferido em relação ao Canções Perdidas num Canto Qualquer. É um disco de afirmação, de estruturação musical. Nele, os traços da banda começam a se desenhar muito mais de forma própria do que uma tentativa revival de estabelecer certos conceitos estrangeiros.E, ficou bom, muito bom. Bruno assume as composições do disco e acerta palmo a palmo, assumindo canções livres com pitadas de baladas românticas. Tudo certo, bem conceitual, aliada as guitarras de Kléber Croccia levaram os caras ao âmbito nacional.

A partir daí, após o Abril pro Rock 2009, a indústria e o mercado pernambucano ficaram pequenos, levando a ida à São Paulo. Sabe como é, gravadoras aqui, acolá, shows, aqui, acolá, tudo é mais perto, cômodo e a grana é maior. Mainstream e cosmopolitização andam de mãos dadas. Enquanto espero o terceiro cd dessa turma, apreciem o segundo. Que a coisa é boa.

1- Pra Deus Implorar
2- Dispenso
3- A Sorte
4- Não Sei Dançar
5- Natural
6- Tão Longe, Tão Perto
7- Acima da Chuva
8- Dia Azul
9- Coração Atonal
10- Clarice
11- Despedida em Seis por Oito

Link: http://www.*4shared*.com/file/ufNPi8pb/Volver_-_Acima_da_Chuva_-_2008.htm

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dado Villa Lobos - MTV Apresenta: Dado Villa Lobos e o Jardim de Cactus [2005]

Dia 14 de maio desembarca em Caruaru, tomara que com muito menos chuva, uma lenda viva do rock nacional brasileiro. Dado Villa Lobos hoje tem 45 anos, com idade pra ser meu pai, chega aqui em uma turnê com Tony Platão, em homenagem a Legião Urbana. Banda em que foi guitarrista de 1983 até seu fim. Dica para os organizadores do show, é bom ter sempre um chocolate na mão, que o cara é diabético.

Na verdade, é aquela velha tentativa de entoar clássicos para os fãs e angarear recursos com isso, o que eu, em plena consciência, ajudarei. Acho um puta desperdício, entre outras razões, porque o considero um músico e instrumentalista inteligente, que poderia iniciar uma bela carreira solo, ao invés de se enfurnar nesses projetos de gravadora. Mas, quem sou eu pra criticar uma carreira alheia, hein?

Dado é sobrinho-neto de Heitor Villa Lobos, o maior compositor clássico brasileiro da história. Vindo de uma família de aristocratas, nasceu em Bruxelas na Bélgica, com certidão de nascimento de Eduardo Dutra Villa Lobos. Com parte da família de diplomatas, veio morar em Brasília. Brasília é hoje reverenciada como berço de todo uma geração do rock nacional, praticamente todas as bandas que de lá saíram naquela época fizeram algum tipo de sucesso, dos Paralamas do Sucesso, a mais consolidada, como a Plebe Rude, a mais esquecida. Ou seja, se você tinha 18 anos em meados dos anos 80, era cool ser do Distrito Federal. Por que era, eu não tenho muita idéia, semprei achei uma cidade marcada pelo cinza e pela sem gracice, uma planície que é sinônimo de escândalo e domícilio atual do Tiririca.

Deixando o bairrismo de lado, a grande produção cultural da sexagenária capital é sem dúvida, o rock dos anos 80. A banda estopim do movimento era o Aborto Elétrico, liderado por Renato Russo, Ico Ouro Preto, Flávio e Fê Lemos. A primata que daria origem a Legião Urbana e ao Capital Inicial. Com a saída de Russo, em meados de 1981, levaria Ico Ouro Preto com ele para formar um novo grupo, junto com Marcelo Bonfá. Era o embrião da Legião Urbana. Quando restou recém-assinada com a EMI para lançar o primeiro LP, Ico pulou fora, e aparecia Dado para formar o quarteto com Renato Rocha 'Neguete' e traduzir para todo um país o fenômeno que acontecia em terras planaltinas já há um bom tempo. Na década de 90, tacou Renato Russo:

"O Dado estava tocando com o Dado e o Reino Animal, mas ele não sabia tocar guitarra direito. Não sabia mesmo. Ele teve de aprender a tocar guitarra para tocar com a Legião. Em duas semanas, ele aprendeu a tocar nove músicas. No primeiro show, a gente tocou Ainda é cedo, e ele praticamente nunca tinha visto uma guitarra. A gente ficava: “Faz barulhinho”. Daí é que saiu o solo.''

Mas, chega de Legião Urbana. O projeto que acho mais legal na carreira desse guitarrista é sem dúvida seu único disco solo: MTV Apresenta - Dado Villa Lobos e Jardim de Cactus. Um CD quase experimental na vida desse belga-brasileiro, onde a voz aparece e as composições próprias também. Não o vejo com a capacidade de um hitmaker como Frejat, mas, é um trabalho de boa qualidade. Longe de ser o desastre do disco solo de estréia de Marcelo Bonfá, o qual eu acho de extrema infelicidade, Dado aparece com estilo, saindo da sombra de um dos maiores e mais adorados músicos do rock brasileiro.

Para alguém com a personalidade discreta, talvez seja preferível continuar pelas sombras relembrando antigos sucessos, mas longe de uma comparação exata, talvez fosse a hora de deslanchar um lado George Harrison de ser, soltando as amarras de andar ao lado de uma grande figura. Para muitos isso é extremamente sufocante, pra alguém que rejeita os holofotes como eu, é deveramente compreensível.

01- Dois Ouvidos
02- Jardim de Cactus
03- Diamante
04- Dias
05- Cores em Mim
06- Como Te Gusta
07- Luz e Mistério
08- Quase Nada
09- Natureza
10- Nos Lençóis
11- Laufunk
12- Faveloura & Lov
13- The Guns of Brixton
14- Conexão Amazônica

Link: http://www.*4shared.com*/file/CeTdMV70/Dado_Villa-Lobos_-_2005_-_MTV_.htm

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Legião Urbana - As Quatro Estações [1989]

Um dos primeiros disco que me vinheram parar em mãos, talvez o primeiro LP que tenha tateado e ouvido. Hoje a capa em cinza, fubenta, coberta por um plástico amarelado traz uma áurea clássica e intocável a um dos discos mais representativos de todo o rock brasileiro.

1989 foi um ano interessante, esportivamente a seleção se preparava para a pífia Copa de 90, Ayrton Senna lutava ponto a ponto com Alain Prost pelo bi-campeonato mundial e Rubens Barrichello era um galego franzino que despontava no cenário nacional ao vencer a Fórmula Ford Brasileira. Politicamente, o Brasil saía de uma ditadura de 20 anos, engatinhando e tentando entender um sistema pouco desconhecido na terra do samba, uma tal de democracia. Mundialmente o muro de Berlim era destruído, e acabava a frescura de ser Alemão Oriental e Ocidental, a Alemanha voltava a ser unificada. Culturalmente, a onda da vez era o rock nacional, que projetava-se cada vez mais na mídia e entre os jovens, intectualmente representado pela Legião Urbana. Indivualmente, eu nasci. Esse, com certeza, o melhor fato histórico de todos.

Dentre esses fatores, ser jovem em 1989 parecia ser legal, para um nostálgico com eu, cada palavra citada sobre o que acontecia em tempos tão remotos é capaz de causar arrepio. Mas, na verdade, as coisas eram tão ruins ou tão boas como hoje, a história é cíclica, e provavelmente o que você vive hoje, coçando o saco lendo um blog duvidoso, você viveria 22 anos atrás, lendo um folhetim vagabundo. Mas, falaremos do disco, han?

As Quatro Estações é o quarto trabalho do (já) trio. Renato Manfredini aparece em sua melhor fase como compositor, como poderia-se tirar de qualquer resumo de jornal da época: 'respondendo aos anseios da juventude', algo do tipo. O certo é o que o disco, talvez com certa raridade dentro da música nacional, consegue falar intimimamente de maneira popular.

O que quero dizer com isso? Que todo mundo, eu disse todos, ficaram de alguma forma sensibilizados por algum verso de 'Pais e Filhos' ou de 'Há Tempos', a sensibilidade encontrada em cada música não foi encontrada por qualquer intelectual de meia tigela que cospe diamante (thanks, Bukowski), partiu espontaneamente de milhões de pessoas. Um fenômeno raro se tratando de música pop, não tanto internacionalmente, mas raríssimo na cultura brasileira, fato esse, que nunca mais se repetiu.

9, das 11 músicas do disco, tocaram na rádio. Acho que só 'Nós Vamos Invadir Sua Praia' ou 'Rádio Pirata' encheram mais o saco que 'As Quatro Estações'. Se as rádios hoje se debatem para tocar coisas como Restart, Fresno e Black Yead Peas, naquela época a sensação eram as bandas de Brasília, aliadas ao Barão Vermelho, Cazuza e o Ultraje a Rigor. Eram figurinhas carimbadas em qualquer horário da programação. Assim, se explica muito do que sacudi no parágrafo interior.

Enfim, o disco é cheio de características que marcaram pra sempre a carreira e a personalidade da banda, colaborando para sua mitificação ao longo de uma geração. Renato assume sua bissexualidade em 'Meninos e Meninas' e 'Maurício', transborda talento ao traduzir a relação familiar dos jovens no início dos anos 90, em 'Pais e Filhos' e professa sua fé católica, em 'Monte Castelo'. Além da força musical, a estrutura do grupo também muda, com a saída de Renato Rocha, o 'Neguete', motivada por problemas de álcool e desleixo. Ou seja, o trio se solidificaria para sempre, e a Legião Urbana passava a ser conhecida como Dado, Russo e Bonfá.

1- Há Tempos
2- Pais e Filhos
3- Feedback Song for A Dying Friend
4- Quanto o Sol Bater na Janela do Teu Quarto
5- Eu Era um Lobisomem Juvenil
6- 1965 (Duas Tribos)
7- Monte Castelo
8- Maurício
9- Meninos e Meninas
10- Sete Cidades
11- Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar

Link: http://www.*4shared*.com/file/eXjd8zZE/LU_-_As_Quatro_Estaes_Ao_Vivo_.htm

domingo, 24 de abril de 2011

Nirvana - MTV Unplugged In New York [1994]

E acabou-se a Semana Santa. Todo cristão que se preze passou mais que um fim de semana refletindo sobre suas atitudes e seus gestos em suas belíssimas vidas, uma tradição permanente, enraizada em nossa cultura desde que um Nazareno morreu há 2011 anos atrás, afinal, todos nós carregamos um pouco da culpa por termos escolhidos Barrabás, não é?

Bem, confesso que não tenho religião. Apesar de acreditar em Deus. Acho a religião algo no mínimo extravagante, e sem querer ofender ninguém, deveramente brega. Como minha cabeça é impregnada por animes desde criança, costumo a pensar em Deus e Deuses como aqueles da Mitologia Grega, seres onipotentes, com olhar blasé, de nariz impinado que zombam dos meros humanos, assim, quase uns Johnny Depp´s. E o que seria mais engraçado que ver milhões de pessoas acenando e cantando músicas sobre você?

Coincidentemente ou não, restava eu ouvindo 'Jesus Don´t Want Me For a Sunbeam' do Vaselines. Alguém lembra deles? Nem eu. Os Vaselines eram (e continuam sendo) uma banda desconhecida de Glasgow. Mas, acabaram sendo o grande motivo desse álbum aparecer por aqui hoje.

Todos tem mais ou menos uma idéia da áurea que paira sobre o Unplugged do Nirvana. A 'despedida' de Cobain, o 'enterro' de uma das maiores bandas do mundo, a atuação 'visceral' de um compositor em degeneração. Aquele monte de baboseira que você costuma a ler em revistas e blogs dispensáveis como esse. Pois bem, nunca achei que Cobain fosse esse pica das galáxias, sempre o reconheci como uma grande máquina de fazer hits. E, sempre o respeitei por isso. Perguntem a qualquer músico mainstream, fazer um hit depois do outro é difícil pra caralho. Isso, além de se drogar, Kurt fazia como poucos. Tanto em suas letras, onde ressuscitou um apego intimista com os versos, coisa que o hardrock tinha mandado pro espaço, quanto instrumentalmente, usando distorções que colocaram um pequeno sorriso na boca de monstros como Hendrix. Ele era chapadão, mas, sabia muito bem o que estava fazendo. Assim como esse acústico.

A atmosfera era maravilhosa, o cenário para meados dos anos 90 também, tudo contribuía para um megashow com convidados da cena grunge de peso, exaltando-se os fantásticos sucessos da banda até então, com uma audiência nas alturas, que a consagraria como o grande nome do rock dos últimos 15 anos. Mas, não foi muito bem isso que aconteceu. Kurt rejeitou o setlist marcado pelos hits, e preferiu um show quase individual, tocando músicas que gostava, da maneira que gostava, com os amigos que gostava. Para isso chamou o pessoal do Meat Puppets (totalmente desconhecidos até então), chegando a tocar até 3 músicas dessa turma (eu disse 3!), além de mandar ver Bowie e até Leady Belly, com um violão leiloado do mesmo, que alegam que o próprio Kurt comprou por uma fortuna. Do Nirvana só versões calmas de 'Polly', 'About a Girl', 'Come As You Are', 'Dumb' e 'Something In The Way'. Ou seja, ele ownou todo mundo, principalmente a MTV, que já era fula com Cobain por não ter tocado 'Lithium' no VMA de 1993, estreando um novo som, chamado 'Rape Me' em rede nacional.

É por essas e outras que esse disco é de longe o meu acústico preferido, não só pela performance de um dos maiores frontmens da minha geração, mas, simplesmente pela atitude que ele exerce. Assim como a obra de Cobain, não se perderá de forma nenhuma do meu coração, nem no meu, nem no de muita gente.

Com vocês, direto de Nova York.. Nirvana.

01- About A Girl
02- Come As You Are
03- Jesus Don´t Want Me For A Sunbeam
04- The Man Who Sold The World
05- Pennyroyal Tea
06- Dumb
07- Polly
08- On a Plain
09- Something In The Way
10- Plauteau
11- Oh Me!
12- Lake Of Fire
13- All Apologies
14- Where Did You Sleep Last Night

Link: http://www.*4shared.com*/file/vacpUDhy/Nirvana_-__1994__MTV_Unplugged.htm

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lobão - Vivo [1990]

Não tenho muito tesão por discos ao vivo, prefiro muito mais os de estúdio. Particularmente, gosto mais de assistir as apresentações do que ficar ouvindo em casa. Mas, esse do Lobão é uma exceção. Tenho a grata sorte de tê-lo em LP, boa herança da mamãe.

João Luiz Woerdenbag Filho talvez seja uma das vozes do rock nacional que eu mais gosto, tanto pela boa discografia, quanto pela falação de merda que sempre o caracterizou, Lobão é uma gréa, e pessoas assim chamam minha atenção, por um simples motivo:

A falta de politicagem correta.

Reconheço que o radicalismo, a reclamação barata e alguma cretinice não levam a lugar algum, mas, ultimamente essa hipocrisia tá dando nos nervos. A sociedade em seu devaneio megalomaníaco de consumo e estrito modelo ideal de vida considera vários padrões a serem seguidos para ser considerado um sujeito de bem. O sujeito de bem é aquele carismático, bonito, elegante, bem-sucedido, que não bebe, não fode, sempre com opiniões que agradam as minorias, mas ao mesmo tempo são convenientes com as maiorias. Acorda cedo, anda de barba feita, tem uma mulher bonita e uma reputação ilibada. Ou seja, ou é Deus, ou é Ayrton Senna.

De certa forma, hoje em dia qualquer comportamento que beire esse ideal é execrado por algum comentário. Cada vez mais a alma humana se espelha a uma ilusão, o mesmo que condena quem distorce esse ideal correto e sóbrio é o que tem mais dificuldade de aplicá-lo e alcançá-lo na vida real.

Portanto, quem critica as quotas raciais, é racista. Quem chama o melhor amigo de 'negão', mesmo que ele nem se importe com isso, é racista. Quem faz piada sobre gays, é 'homofóbico'. Quem vai ao estádio e chama o juiz de filho da puta (bendita sejam suas mães) é no mínimo, mal-educado. E assim esse cordão de purismo que nos envolve e nos sufoca cada vez mais me enche o saco. Tudo bem ser tolerante, mas não poder dizer que o Luan Santana, Fiuk e o Restart são uns viadinhos de dá dor no ovo já é demais (ufa, isso tava preso faz tempo, quase uma prisão de ventre mental).

É por essas e outras que gosto de caricaturas como Lobão, mesmo exagerando em certos pontos e acertando em outros, é um humano com uma boa inteligência e conhecimento cultural que tenta expor algum ponto de vista dentro de um 'não me toque' e um 'mimimimi' que beiram a estupidez.

Sobre a música: aah, a música. Lobão começou tocando bateria com 16 anos no Vímana, a banda de Lulu Santos. Pouco tempo depois, até se alistou a Blitz, mas debandou em uma época que cheirava pó do Rio ao Maranhão. A partir daí, consolidou-se com uma boa carreira solo, responsável por muito dos hinos dos anos 80. Tanto com letras contestadoras, ou com belas canções de amor. Afinal, já declarou que é um apaixonado.

Pois bem, Vivo foi gravado no Hollywood Rock de 1990, trazendo em uma performance rock´n´roll de muitos dos clássicos desse carioca. 'Por Tudo que For' cantado por uma multidão, já vale o disco inteiro.

p.s: Alguém sabe como redimensionar imagens no blogger, pelo Chrome?

01- Vida Bandida
02- Canos Silenciosos
03- Vida Louca, Vida
04- Spray Jet
05- Por Tudo que For
06- Rádio Blá
07- Decadence Avec Elegance
08- Revanche
09- Baby Lonest
10- Corações Psicodélicos
11- Cuidado
12- Essa Noite Não
13- Me Chama

Link: http://www.*4shared.com/file/8mm30uWk/Lobo_-_1990_-_Ao_Vivo.htm