domingo, 21 de agosto de 2011

Kasabian - Kasabian [2004]

Ops, peguei vocês, han? A distância infidável entre a última postagem e essa era com o único intuito de demonstrar que essa coisa sem noção aqui não acabaria. Vocês estão todos ferrados, isso é que nem Malhação, sempre vai existir com as mesmas histórias, só alterando o elenco. Nunca gostei de música eletrônica, posso aqui externar meu repúdio? Claro que posso.

A Constituição garante criticarmos algo abertamente, de forma coerente. Mesmo que isso seja considerado politicamente incorreto por qualquer veículo de mídia. Pois é. Eu nunca gostei de música eletrônica. Pra mim, é totalmente fútil e dispensável, talvez, nem se encaixe no conceito de definição musical.

Aprendi com 8 anos de idade, que música se tratava da junção de 3 elementos: ritmo, harmonia e melodia. Se falta algum esses elementos não é música, é coisa de criança batucando por aí. Por isso, fica difícil pra mim aceitar o eletrônico, fico sempre achando que tô jogando Top Gear (é, o clássico, original).

Pois bem, mesmo com esse meu pré-conceito, é inevitável que o rock se alie ao eletrônico, a tal sonoridade moderna. Foi dessa união, tão batida na última década, que surgiu o Kasabian. Kasabian é uma banda de rock britânico da mais pura qualidade, um biscoito fino. Gosto dela só pelo nome (Casêiban), uma escolha de muita sobriedade, um dos melhores nome fantasias que já ouvi se tratando de rock´n´roll.

O nome vem de Linda Kasabian, membro da Família Manson, aquele grupo de fanáticos religiosos (bota fanáticos nisso) criado por Charles Manson, que foi testemunha nos crimes cometidos pelo grupo. Tom Meighan, Sergio Pizzorno, Jay Mehler, Chris Edwards e Ian Matthews se conheceram na escola, em Leicestershire, um condado inglês, cuja cidade mais importante é Leicester.

O início, foi clichê, meninos com instrumentos na mão tentando homenagear seus ídolos com uma banda de nome idiota, Saracus. Em 1999, o primeiro EP, mas, apenas 5 anos depois, conseguiriam o primeiro disco, esse aqui, com auto-título. Kasabian foi lançado em 2004, e me encheu os olhos por trazer uma linha de baixo permeante em todas as faixas, de forma contínua e bem construída, são quase um Stone Roses dos anos 2000, com um puro requinte.

A voz de Tom Meighan é impregnante, lembrando um pouco Richard Ashcroft, com pura influência do britpop dos anos 90. Já eles, os elementos eletrônicos, estão por todo o disco, os efeitos e samplers se fazem presente em todas as faixas, mas, não são componentes essenciais, são adereços que componhem o disco.

Como eu, acho inocentemente, que deve ser, o eletrônico auxiliando a música, não querendo ter pernas próprias.

01- Club Foot
02- Processed Beats
03- Reason Is Treason
04- ID
05- Orange
06- LSF (Lost Souls Forever)
07- Running Battle
08- Test Transmission
09- Pinch Roller
10- Cutt Off
11- Butcher Blues
12- Ovary Stripe
13- U-Boat

link: http://hotfile.com/dl/113796604/413894b/2004Ksbn-Ksbn.rar.html


domingo, 14 de agosto de 2011

China - Simulacro [2007]

Simulacro: imagem, cópia ou reprodução imperfeita. Imperfeito, essa seria uma boa caracterização dos discos pernambucanos antes e até durante o movimento manguebeat em meados da década de 90.

Com o tempo, a imagem pernambucana, aliada a caboclo-de-lança e maracatu, prejudicou bastante qualquer conceito que fosse além dessa mero estereótipo. Praticamente, ando dizendo que o que não soasse como Nação Zumbi, era afastado dos nossos próprios ouvidos, principalmente diante de alguma cena de Recife. Essa auto-censura e medo do novo e das derivações são limitadores comuns em uma cultura tão enraizada, mas, que sempre é nociva quando se interpretada radicalmente.

Só com os anos 2000, que o rock pernambucano começou a aceitar a idéia que não deveria beber de sua própria fonte, e ir, calmamente, buscar novos ares, miscelando com sua própria música, criando um ambiente mais rico e poderoso. China é um filho dessa nova geração. Vocalista do Sheik Tosado, banda nascida em 1996, com o intuitou de juntar o maracatu e frevo com o hardcore.

Idéia já inovadora, diante do panorama que eu citei acima, mas, na prática, era um monte de garoto que achava que berrar o tempo todo era uma coisa bonita. Às vezes sim, constantemente não. A banda durou até 2001, quando encerrou as atividades, deixando como espólio um único álbum, o Som de Caráter Urbano e de Salão.

Em seguida, para continuar como músico, o Chinaman necessitava de se entregar as suas próprias composições e procurar uma nova rapaziada. Difícil é a vida de um músico que não tenha uma formação com algum instrumento, daquele compositor que não tem enraizada a criação da música e sim, uma base linguística. Gente como Arnaldo Antunes e o próprio China, superam suas próprias debilidades porque são muito bons, e fazem amigos pra caramba. Conseguem de sua própria falta, achar os subterfúgio para nascer seus próprios projetos.

É nessa esteira, que China lança o primeiro EP sozinho, Um Só, em 2007, e parte para a gravação de seu próprio disco com uma turma da pesada: Chiquinho, os irmãos Machado e Felipe S. (Mombojó), Rafael B. (Bomsucesso) e Pupillo (Nação Zumbi). Com uma galera dessa de apoio, difícilmente apareceria um disco débil.

Simulacro se torna não um disco de autoria do próprio China, mas, uma reunião do que melhor foi produzido pelo espólio da Nação Zumbi, com uma nova vertente diferente e voluntariamente conduzida a mostrar uma nova faceta do rock pernambucano.

Aqui, há espaço para um cuidado maior, um olhar mais dedicado para produção de disco que era pouco explorada por essas terras. A influência de Roberto Carlos, de Chico Buarque e de gente do interior, como Otto, transforma o antes berrante China, em um letrista e cantor de voz baixa e suave aliada a guitarras rítmicas e programações eletrônicas.

Esse, é o novo rock pernambucano.

01- Um Dia Lindo de Morrer
02- Jardim de Inverno
03- Sem Paz
04- Asas no Pés
05- Câncer
06- Colocando Sal nas Feridas
07- Durmo Acordo
08- Canção que Não Morre no Ar
09- As Ondas Não Chegam nos Pés
10- Pastiche

Link: http://www.4shared.com/file/AcCVOBh5/China_-_Simulacro.htm


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That´s What I Am Not [2006]

Você aí, cheio de espinhas na cara, ainda com a calça do colégio, depois de acabar de chegar de uma aula super chata de biologia, deve tá louco pra que dê 16h e você possa deixar esses livros de química de lado e ir pra aula de música, né não?

Pegar tua Tagima, polir ela direitinho, colocar na mochila e sair sorridente esperando conseguir completar algum solo do Ironmaiden descentemente. É assim, com pirralhos de 16 anos, que boas bandas nascem. O caminho, todo mundo sabe como é. É preciso muita fé, força, dinheiro, talento (ou nem tanto assim) e boa vontade.

O primeiro passo é arrumar amigos que tenham uma mera noção de algum instrumento, e conseguir um lugar pra que suas versões miseráveis de 'Sweet Child´o Mine' não fazerem sua mãe ser levada a delegacia por pertubação do silêncio alheio. Daí, com alguns showzinhos no colégio e na cidade, algum empresário bem-aventurado (ou nem tanto assim) gostará do material e lhe convidará para algumas sessões, que podem, depois de anos de luta árdua, virar um contrato com alguma gravadora de segunda.

Era pelo menos assim, até uns 10 anos atrás. A primeira banda a quebrar essa sequência tradicional e pé-no-saco foi o Arctic Monkeys. Esses carinhas ingleses ocasionaram um fenômeno. O 'fenômeno dos macacos árticos', até hoje denominado por mim, nasce quando uma banda consegue com muito pouco tempo junto disponibilizar seu material em redes como o myspace, a trama ou o orkut. Pessoas pouco a pouco começam a conhecer, da Inglaterra a Pernambuco, e essa mesma banda consegue com pouco esforço chegar aos ouvidos de alguma gravadora.

Não há captação de talentos, como antigamente, há oferecimento de talento. O que distorce totalmente a indústria musical, como era conhecida. Tornando esses montantes de lojas de cds totalmente inúteis para o grande público em geral. Foi assim que essa turma inglesa surgiu, e muitos apareceram logo após. Formados em Sheffield, Inglaterra, uma cidade com meio milhão de habitantes, belíssimamente encravada no meio de 7 colinas, os macacos árticos ganharam mundo. A história, clichê: em 2001, Alex Turner e Jamie Cook eram vizinhos que gostavam de rock de qualidade, passando a tocarem juntos. Na mesma escola, chamaram Andy Nicholson e Matt Helders, para formarem um quarteto.

No começo, eram apenas covers do Led Zeppellin, mas, quando Alex começou a se sentir confortável liderando a banda, vieram as primeiras composições. Em 2003, a banda começava suas próprias gravações demo, e a distribuir pela internet. Uma idéia genial, que os colocou na mira da BBC e de Mark Bull, um fotógrafo, que ao ouvir 'Fake Tales Of San Francisco', produziu o primeiro clipe da banda.

Em 2005, surgiu o primeiro EP, Five Minutes With Arctic Monkeys, que colocou os dois singles no topo do Reino Unido. No ano seguinte, a assinatura com a Domino, rendeu esse primeiro disco, Whatever People Say I Am, That´s What I Am Not. Alex é extremamente talentoso escrevendo, e a guitarra base de Jamie permeia todos os seus versos, uma combinação que há muito não aparecia com tanta força na música inglesa, se me permitem, tirem as crianças da sala pra ouvir isso. É do caralho.

Logo na segunda faixa, a ultra dançante 'I Bet You Look Good On The Dancefloor', te joga para a balada 'Riot Van', enquanto 'When The Sun Goes Down' mescla a melancolia de uma decepção amorosa, para um refrão de libertação. Com a cereja do bolo, todo o amor de 'A Certain Romance'. Bonito como poesia, é essa estréia ártica. 360.000 mil discos em uma semana, nada mal, han? Um dos melhores discos que já ouvi nesses 22 aninhos de existência. Enquanto tua vizinha aí escuta Aviões do Forró ou Luan Santana, abra bens as janelas, coloque o som no último volume, e aperte play em 'I Bet You Look Good On The Dancefloor.' Posso garantir a paz que passa a residir em você.

01- The View Of Afternoon
02- I Bet That You Look Good On The Dancefloor
03- Fake Tales Of San Francisco
04- Dancing Shoes
05- You Probably Couldn´t See For The Lights But You Were Staring Straight At Me
06- Still Take You Home
07- Riot Van
08- Red Lights Indicates Door Are Secured
09- Mardy Bum
10- Perhaps Vampires Is a Bit Strong But..
11- When The Sun Goes Down
12- From The Ritz Of the Rubble
13- A Certain Romance

Link: http://www.*4shared*.com/file/-eQMkZoY/Arctic_Monkeys_-_Whatever_Peop.htm

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Engenheiros do Hawaii - Tchau Radar! [1999]

Karl Marx disse uma vez em 'O Capital' que tudo que é sólido desmancha no ar. Essa simples frase procurava explicar a sua própria teoria sobre o materialismo histórico.

Marx considerava que toda sociedade é fruto do seu modo de produção, portanto, a mudança deste também traz em consequência a alteração da própria sociedade. Por isso, quando o modelo comunista ruiu em plena União Soviética, arrastou consigo todo um bloco que vivia escondido por detrás de uma cortina vermelha.

De toda forma, somos assim também, o modo como vivemos a vida é bastante influenciado pela forma com a qual nós enxergamos ela. A partir do momento que alteramos nossa visão sobre determinado fato, agimos diferente em relação a ele, e, por consequência, somos levados a ter nosssa vivênciaparcialmente ou totalmente alterada. Foi, nessa mesma situação, que os Engenheiros do Hawaii chegaram a metade dos anos 90.

Augusto Licks, célebre guitarrista da banda, conhecido pela sua pegada clássica, deixaria o barco em 1993. O Trio entoado por cada fã como o melhor do rock brasileiro, composto por Gessinger, Licks e Maltz estaria desfeito. Restava, encontrar outro membro à altura, foi nomeado para o cargo Ricardo Horn, amigo de Humberto com formação em jazz e blues. Também se aliaria ao grupo Fernando Deluque (é, ele mesmo, o amiguinho de Paulo Ricardo) e Paolo Casarin. Os mesmos permaneceriam até 1997, saíriam junto com Carlos Maltz.

Cada vez mais, as transformações na formação só evidenciavam o gessingertrismo que os Engenheiros do Hawaii se tornariam, se ele era o melhor músico da banda, a partir de agora, seria a banda.

Junto com Luciano Granja, Adal Fonseca e Lúcio Dorfman, é lançado Tchau Radar!, em 1999, o décimo segundo álbum da banda. Desta vez, solto para compor como quisesse, Humberto se torna expresso, claro e conciso ao tratar de vários temas como o amor, a despedida, a sociedade e sempre balbuciar sobre filosofia.

De cara, uma das canções mais expressivas sobre amor que já compôs: 'Eu que não amo você.' Um sujeito abandonado e esgarniçado pela própria parceira, se vê em uma relação de amor e ódio durante longos meses enquanto tenta superar a dor de sua partida e conjurar a imagem que para seguir em frente era preciso murmurar: 'Eu que não fumo, queria um cigarro, eu que não amo você.'

Em seguida, uma das melhores versões de músicas do Dylan que já escutei, 'It´s All Over Now Baby Blue' vira 'Negro Amor' pelos dedos de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti. Continuando chegamos a 'Concreto e Asfalto' onde Gessinger dispara a necessidade de se auto-conhecer e de se aceitar antes de cada passo, porque lutar contra si mesmo de forma destrutiva e ilusória, é uma piada: 'se eu fosse um cara diferente, sabe lá o que eu seria?'.

'Até Mais' é um doloroso ensinamento sobre a despedida, como é difícil deixar pra lá algo sabendo que será permanente: 'diga até mais, mesmo se for adeus.' 'Nada é Fácil' é uma das mais realistas crônicas desse monstro do rock brasileiro, a sabedoria da existência de obstáculos em tudo na vida, e a necessidade de se deixar um mundo ideal de lado a procura da própria felicidade: 'reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz, que o crime não compensa e que tudo conspira a favor.' Pra não tornar isso aqui uma epopéia, fecho com a belíssima '3x4', canção que Gessinger escreveu para a esposa, Adriana Sesti, afinal, é sempre ótimo homenagear sua amada com belas frases.

Um disco que pôs os Engenheiros do Hawaii novamente em rota, e selou a Humberto dependência da banda, o modo produtivo estaria alterado, para dar lugar a novas composições. Meu disco preferido pós-Licks e Maltz.

01- Eu que Não Amo Você
02- Negro Amor
03- Concreto & Asfalto
04- Até Mais
05- Nada Fácil
06- O Olho do Furacão
07- Seguir Viagem
08- 10.000 Destinos
09- Na Real
10- 3x4
11- Melhor Assim
12- Cruzada
Link: http://www.*4shared.com*/file/peRkCu7a/Engenheiros_do_Hawaii_-_1999_-.htm

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ira! - Vivendo e Não Aprendendo [1986]

Minha banda paulista predileta. E o Ultraje, diria alguns? O Ultraje é de Marte, não deve competir com meros Terráqueos. Durante muito tempo, passei a desenvolver a consciência da necessidade de uma certa sapiência sobre a vida, aquela coisa de ter noção que um bucado de coisa está além de sua compreensão, e que decisões durante a sua vida são muito, muito difíceis.

Uma hora você é um filho, um dia será um pai, quem sabe um avô. De estagiário será um profissional, um chefe, um diretor, um presidente. De ficante será namorado, marido. Ou, como Deus joga dados, você poderá sair do nada para a porra nenhuma, sem nem ter notado, e o curso nunca terá seguido. A vida não é um rio, nem um castelo de cartas marcadas, ela se bifurca e assume várias definições, basta você descobrir qual curso é mais adequado ao seu coração.

Se existe uma banda na música brasileira que transforma essas preocupações em canções, é o Ira! (é, com exclamação, diferentemente do exército revolucionário irlandês). Em 1986, O Ira! lançou Vivendo e Não Aprendendo. Seu segundo disco tem uma maturidade e uma visão ampla sobre temas recorrentes a qualquer cidadão de meia-tigela que supera várias bandas da mesma época, era e é rock de gente grande.

Crescer com um disco desse ao lado, é algo que lhe marca por toda a vida, sua acepção te dá formas novas de olhar sobre diversos aspectos dessa existência chechelenta. Ou seja, se eu conseguir afastar Luan Santana, NX Zero e Restart dos ouvidos do meu filho, e ele ouvir 'Quinze Anos', será um homem. Simples assim.

O Ira! nasceu em 1981, em São Paulo. Edgard Scandurra (o maior guitarrista de sua geração) tinha uma banda punk onde entoava coisas do Led Zepellin, irônicou ou não, é quase um Jimmi Page brasileiro. A banda se chamava Subúrbio. Conheceu Nasi, o Marcos Valadão Rodolfo no Colégio Brasílio Machado. Nasi entraria para a banda, e 'Pobre Paulista' começaria a tocar pra caramba em São Paulo na década de 80. O serviço de Scandurra no exército, deu ao rock nacional a criação do Ira! e a composição de 'Núcleo Base'.

A primeira faixa desse disco, já é um sensacional cartão de visitas. 'Envelheço na Cidade' é uma comprovação da ligação do homem contemporâneo com o caos urbano onde vive. Aqui, onde os anos passam quase desapercebidos, sua vida se constrói e você, cara pálida, nem nota. 'Dias de Luta' contém um dos versos mais bonitos que já ouvi: se meu filho não nasceu, eu ainda sou o filho, quase uma Father And Son recriada por Edgard Scandurra.

O constante auto-conhecimento presente nessas faixas, desemboca em 'Quinze Anos', uma nostálgica e bela composição sobre um homem revivendo seu passado. A máscara tão bem cultivada parece muito frágil diante da finitude da vida. As lembranças, os amores, as amizades, tudo parece uma lembrança antiga que permeeou a vida daquele que apesar de ter vivido, parece não ter aprendido.

'Flores em Você', o grande hit desse disco, foi tema de novela global, o que vocês devem imaginar o quanto elevou essa turma no mercado industrial, coisa que diminuiu bastante depois que o Ira! se recusou a tocar o playback da própria no Globo de Ouro da Vênus Platinada.

No ano de 1986 foi lançado grandes discos: Dois da Legião Urbana, Cabeça Dinossauro dos Titãs e Selvagem dos Paralamas do Sucesso. Eu, em minha modesta e inocente opinião, considero esse o maior lançamento do ano. Mas, não vão na minha, afinal, continuo vivendo e não aprendendo.

01- Envelheço na Cidade
02- Casa de Papel
03- Dias de Luta
04- Tanto Quanto Eu
05- Vitrine Viva
06- Flores Em Você
07- Quinze Anos
08- Nas Ruas
09- Gritos na Multidão
10- Pobre Paulista

Link: http://www.*megaupload.com*/?d=C0Q6CMND


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Raul Seixas - Gita [1974]

Após ter visto seus sogros, companheiros, e todos os seus parentes situados no posto dos dois exércitos, Arjuna ficou com grande compaixão e pesar, dizendo as seguintes palavras: Ó Krishna, vendo meus parentes, fixos com o desejo de lutar, meus membros tremem, minha boca começa a secar. Meu corpo estremece e meus cabelos se arrepiam. (1.27-29)

Arjuna, princípe de seu reino, enfrenta um grande dilema quando presencia no campo de batalha seus parentes e amigos mais próximos entre aqueles dispostos a usurpar o seu trono. Desnorteado, pede ajuda a Krishna, o profeta do Hinduísmo, para que explique e o ilumine perante essa decisão.

Krishna explica que a única forma de superar essa situação, seria confiar em seus ensinamentos e enfrentar as pessoas que mais amava, como única forma de manutenção do seu trono e de sua própria vida. A parábola presente no Bhagavad Gita, o livro mais importante da religião Vaishnava, contém um dos ensinamentos mais essenciais da filosofia oriental: a auto-realização.

Perante ela, o homem para tornar-se livre e pleno precisa ter conhecimento de si próprio, olhar para dentro de si e compreender a necessidade em livrar do seu Eu os males que o Ego pode trazer. Desta forma, assim como Arjuna abraçaria Krishna e lutaria contra as pessoas que mais amava, o homem deveria lutar contra si próprio para alcançar a libertação e se transformar no super-homem (aquele invocado por Nietzsche em 'Assim falou Zaratustra', milhares de anos depois).

Sem dúvida, apesar de eu não ter ligação com nenhuma religião, reconheço a belíssima literatura presente em alguns textos. Com certeza, Gita sem preconceito de nenhum tipo, pode ser lido por qualquer pessoa que queira compreender o fenônemo do auto-conhecimento. Algumas coisas nos fortalecem o corpo, outras, o espírito.

Imerso nessa riqueza de espiritualidade, Raul Seixas compôs ao lado de Paulo Coelho, a canção mais admirada de sua vasta discografia: 'Gita'. O refrão, tão adorado por nós, é apenas uma reprodução do capítulo em que Krishna explica a Arjuna a necessidade de acreditar nele, porque ele era o 'Tudo e O Nada'.

Raul, após abandonar as primeiras infuências de Elvis Presley e do rock americano dos anos 50, passou a misturar filosofia oriental, bruxaria e paganismo em seu som. De Raulzito, viraria Maluco Beleza, algo totalmente natural na evolução da personalidade de todo mundo, cada um deve procurar aquilo que lhe torne mais próximo de sua essência. O maior roqueiro do Brasil, é também um dos preferidos de alguém que amo consideravelmente, sua presença aqui além de totalmente justificável, era uma obrigação.

Gita elevou Raul a uma profundidade letrística única no rock brasileiro, ninguém por aqui tinha muita idéia de como se faza isso, todo mundo admirava o que Dylan fazia, com aquela cara de: 'Porra, eu queria saber fazer isso'. Mas, Raul fez como ele, e fez divinamente. Lançado em 1974, foi seu terceiro álbum e o mais vendido.

Além do Bhavagad Gita, Raul extremamente influenciado pela amizade com Paulo Coelho, introduziria parte da filosofia do bruxo Aleister Crowley em 'Sociedade Alternativa', um alquimista que queria construir uma sociedade baseada numa máxima de libertação, onde tudo se resumiria em uma única lei: todo mundo é uma estrela, faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.

As influências alquimistas e religiosas de Raul podem ficar para um próximo post, é uma ótima pedida para um especial. O disco ainda se perfaz com as belíssimas 'Medo da Chuva' (minha preferida em toda discografia Seixiana) e o 'Trem das Sete'. Um disco único, pra mim um dos maiores de toda a música brasileira, que levou Raul Seixas ao exílio e a eternidade no coração de muitos brasileiros.

Toca Raul!

01- Super Heróis
02- Medo da Chuva
03- As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor
04- Água Viva
05- Moleque Maravilhoso
06- Sessão das 10
07- Sociedade Alternativa
08- O Trem das Sete
09- SOS
10- Prelúdio
11- Loteria da Babilônia

Link: http://www.*4shared*.com/file/rM3nFMhH/raul_seixas_-__1974__gita.htm

terça-feira, 19 de julho de 2011

Capital Inicial - Acústico MTV [2000]

Ops, voltei. Perdido entre os últimos dias da OAB, acabei deixando de lado os amados discos. Na verdade, era só uma questão de tempo, até voltarem pros meus braços.

Espólio do Aborto Elétrico, o Capital talvez seja a banda mais Brasiliana de todas, com direito a DVD Ao Vivo em frente a Esplanada dos Ministérios. Seu surgimento se enrola com o próprio aparecimento do rock brasileiro dos anos 80 como assim hoje conhecemos. O Aborto era uma banda punk local, idealizada por Renato Russo e os irmãos Lemos. A partir de 82, Renato dá a louca a partir da morte de John Lennon e decide sair da banda. Foi assim que um cabeludo, cheios de gírias, filho de diplomata é indicado para os vocais, era Fernando Ouro Preto.

Dinho era baterista de Dado Villa-Lobos, na Dado e o Reino Animal (na verdade, escrevia-se em letras minúsculas). O Capital por vários anos na década de 80, encarou o manto da incerteza, foram os últimos de Brasília a estourarem, os últimos a gravarem. Era aquela coisa de ver todo mundo conseguindo as coisas e você ficando pra trás. De toda forma, você além de não conseguir disfarçar sua insatisfação, começava a duvidar de sua própria capacidade.

Finalmente, em 1986, quando a Legião Urbana já explodia com Dois, o Capital lança seu primeiro cd, intitulado com o próprio nome da banda. A partir daí, a banda entrava de vez no rol das mais ouvidas do país, e o sucesso perduraria até 1993. Esse ano, Dinho Ouro Preto (além de Bozzo Baretti), saía pela porta da frente. Uma decisão difícil e de drásticas consequências para ambos os lados. Para a banda, que colocaria o ex- Rúcula Murilo Lima nos vocais, havia a sensação de um imenso vazio, que por mais que Murilo tentasse, não conseguiria preencher. O disco Rua 47, lançado em 1995, foi um fiasco.

Já Dinho, perdia-se completamente sem fazer música. Confessado pelo próprio que o uso cada vez mais constante de drogas naquela época, o definhou e quase o levou à morte. Eram tempos negros, em que a velha imagem de todos de fraque dançando no clipe de 'Música Urbana' parecia tão distante, quanto irreal. Para a sorte de todos, a Polygram lançou um Best Of, muito bem recebido pela crítica em 1998. A turma antiga matava saudade de coisas como 'Independência' e 'Veraneio Vascaína', já os mais novos, resgatavam discos há muito tempo encostados em alguma dispensa pelos pais. Era o renascimento.

O Acústico MTV seria apenas a confirmação disso. Assim como não tenho muita preferência por Best Ofs, também não sou apaixonado por discos ao vivo. Entretanto, esse disco vai além de uma mera apresentação. Tem um significado de fênix, de ressurgimento, não aquela coisa fajuta que o RPM lança há cada 5 anos quando Paulo Ricardo tem alguma briguinha e fica de mal com o resto da turma. Tem gosto de saída do fundo do poço, tem gosto de vida, Dinho que o diga. É esses ensinamentos que a gente tem que levar pra essa merda de vida.

Lançado em 2000, o acústico traz Zélia Duncan e o one-hit man Kiko Zambianchi, alcançando um sucesso estrondoso. Entre as faixas, releituras de músicas antigas do grupo e versões do Aborto Elétrico, que ficaram de presente após a saída de Renato. Um disco que me mostrou uma das melhores coisas que os anos 80 tinham deixado para trás, e que mostra que enquanto estivermos vivos, sempre teremos a chance de consertar o que parece destruído, renová-lo e utilizar para nossa nova vida. Com vocês, Capital Inicial.

01- O Passageiro
02- O Mundo
03- Todas As Noites
04- Tudo Que Vai
05- Independência
06- Leve Desespero
07- Eu Vou Estar
08- Primeiros Erros
09- Cai A Noite
10- Natasha
11- Fogo
12- Fátima
13- Veraneio Vascaína
14- Música Urbana

Link: http://www.*fileserve*.com/file/H3QpVwB