Esse disco marcou particularmente a minha adolescência. Quando eu tinha 15 anos, achava que dentre as coisas mais legais da vida, estava o Dookie. Até hoje, acho que eu estava certo, um disco muito legal pra quando se é jovem. O punk rock seco, cômico e tradutor da vida de muito gente na puberdade. Foi sem dúvida, um clássico.
Até aí, tudo bem. Bille Joe, Mike Dirnt e Tre Cool tinham em média 20 e poucos anos de idade. Uma bermuda, um cabelo desengonçado, brincos e uma atitude jovial faziam parte do contexto, parecia nascer ali, uma promissora rock band que evoluiria com o tempo, desenvolvendo seu som ao decorrer dos anos, era mais ou menos que qualquer um esperava. Mas, nem saberia eu, que para mim o Green Day acabaria ali.
O ser humano tem uma enorme dificuldade de lidar com o tempo. Os gregos, tanto davam importância ao tempo, que consideravam que Cronos, o Deus do Tempo, sucedeu Urano no governo do universo. Governando até ser derrotado por Zeus, seu filho, no que ficou conhecido como a Guerra dos Titãs. Ou seja, resumidamente, os únicos que poderiam vencer o tempo, eram os deuses, então, você, humano, sempre esteve fudido.
Mas, como o ser humano é estúpido e burro o suficiente, continuou perdurando sua vida em tentar vencer uma guerra já perdida. Plásticas, maquilagens, implantes, vida regrada e saudável, atitude jovial. Em um tom equilibrado, não considero isso ruim, deve estar atrelado a algum tipo de extinto de sobrevivência. Mas, quando em demasia, é no mínimo escroto. Foi justamente tentando manter essa imagem de eterno, que o Green Day se perdeu.
Uma banda é reflexo direto de suas influências e de seus componentes, se a idade os pune, o próprio grupo a acompanha, um desenvolvimento e amadurecimento de um som é paralelo a mudança de vida de seus integrantes.
Se pintar, vestir preto, pintar o cabelo, cantar músicas sobre devaneios adolescentes, é lindo quando se tem 20 anos, mas é ridículo quando se tem 40. Tenho um pôster de Gessinger no Rock In Rio de 91, um garotão empunhando um baixo em ‘Ninguém é Igual a Ninguém’. Próprio de seu espírito e de sua época, assim como o dente de ouro e o bigodinho do último ao vivo dos Engenheiros do Hawaii. Uso ele, como exemplo de alguém que envelheceu sabendo lidar com a necessidade do amadurecimento tanto pessoal quanto profissional, coisa que passou longe.
Assim, mantenho o Dookie como lembrança de uma das bandas que eu mais gostava e que mais esperava, que mais me decepcionou. Saibam vocês, que já dizia o mestre Antunes: a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer.
1- Burnout
2- Having a Blast
3- Chump
4- Longview
5- Welcome to Paradise
6- Pulling Teeth
7- Basket Case
8- She
9- Sassafras Root
10- When I Come Around
11- Coming Clean
12- Emenius Sleepus
13- In The End
14- F.O.D/All By Myself
Link: http://www.*4shared*.com/file/wTfCQCih/GreenDay_-_Dookie.htm

















Dia 14 de maio desembarca em Caruaru, tomara que com muito menos chuva, uma lenda viva do rock nacional brasileiro. Dado Villa Lobos hoje tem 45 anos, com idade pra ser meu pai, chega aqui em uma turnê com Tony Platão, em homenagem a Legião Urbana. Banda em que foi guitarrista de 1983 até seu fim. Dica para os organizadores do show, é bom ter sempre um chocolate na mão, que o cara é diabético.