segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Rubel - Pearl [2013]

Os dedos são pequenos e o cantarolar engraçado, mas pouco a pouco o garotinho carioca de nove anos de idade começa a se desenvolver dentro do universo da música e cria em si a paixão que permearia sua vida. Seu nome é Rubel Brisolla. 

O pirralho cresce e se torna um músico amador com uma imensa admiração pela MPB setentista, especialmente pelo Tropicalismo. Intrínseco nas artes, Rubel presta vestibular para cinema e consegue intercâmbio de um ano para os EUA, no Texas, precisamente, em 2011.

Ao contrário da visão estigmatizada que temos, o Texas não é apenas um velho faroeste do novo milênio, com imensas indústrias bélicas e frango frito em cada esquina. 

Lá também há jovens com imensa disposição criativa, loucos para tocar e criar, reviver seus ídolos do passado, do folk ao rock.  Esse é o ambiente que Rubel encontra em Austin, uma grande surpresa para quem esperava uma sociedade inteiramente conservadora e repressora de dotes artísticos.

Em uma das andanças por Austin, Rubel encontra uma casa grande lotada de universitários de várias origens com uma só paixão: a música. Seu nome é Pearl. Em pleno coração da América, o presente jamais imaginado. Uma comuna hippie.

O contato foi imediato, e junto de um baterista húngaro e um baixista chileno, a banda informal foi formada naqueles corredores, com covers de Caetano e Mutantes. Desse encontro nasceram sete músicas que foram gravadas na última semana do intercâmbio em Austin, em um estúdio improvisado. 

O coletivo gerou um disco de imensa delicadeza, com arranjos sutis no violão, banjo e acordeon, onde o folk americano flerta com a MPB setentista. Despretensioso, rapidamente atingiu grande público no Brasil o que gerou (pasmem) uma turnê pelo País, incluindo o Nordeste.

O disco é encontrado gratuitamente e livremente no site do Rubel: http://www.rubelpearl.com.br/

 
 
1 - O Velho e o Mar
2 - Mascarados
3 - Pearl
4 - Quando Bate Aquela Saudade
5 - Ben
6 - Nuvem
7 - Quadro Verde


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ben Howard - Every Kingdom [2011]

Devon, Inglaterra, 1998. 

Um pequeno Benjamin brinca com seu violão no quarto de casa, enquanto a mãe se pergunta por que danado aquela criança ainda não desceu para jantar ainda. O instrumento é uma fascinação para Ben, que desde cedo foi influenciado por gente como Joni Mitchell, John Martyn e Simon & Garfunkel.

"- Eu apenas juntava um aglomerado de coisas", diria Ben Howard mais tarde, ao remeter-se a infância. Mas o violão não seria o único mundo dele, a criança imaginativa também se aventuraria no contrabaixo e na bateria, até focar totalmente no violão acústico. Isso só aconteceria ao término da faculdade de jornalismo na University College Falmouth, em Cornwall. 

Após expor composições próprias tanto em Cornwall quanto em Devon, Ben começou rapidamente a ser reverenciado como um excelente músico, chamando a atenção da Island Records, a mesma que que lançou seu ídolo John Martyn e gênios do folk como Nick Drake. Seria o pontapé inicial para o lançamento de Every Kingdom, em 03 de outubro de 2011, álbum de estreia.

Associado a India Bourne no violoncelo e Chris Bond na bateria, Ben Howard cria um universo próprio envolto a arranjos sutis e uma voz arrebatadora. Nunca o folk pareceu tão pop, sem deixar de transparecer o espírito das letras reflexivas e lotadas de sentimento. No ano de 2012 o álbum invadiria os Estados Unidos, fazendo com que ele descolasse a presença no palco Pirâmide do Festival de Glastonbury em 2013, resultando em dois prêmios no Brit Awards do mesmo ano.

Isso parece ser só o começo, com certeza um dos artistas mais promissores dos últimos anos na música britânica.

1 - Old Pine
2 - Diamonds
3 - The Wolves
4 - Everything
5 - Only Love
6 - The Fear
7 - Keep Your Head Up
8 - Black Flies
9 -  Gracious
10 - Promise



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Os Paralamas do Sucesso - Selvagem? [1986]

1986. 

Após estourar com O Passo do Lui, Hebert, Bi e Barone partem em turnê pelo Brasil após a apresentação consagrada no Rock in Rio (tipo, um Rock in Rio de verdade, não do tipo que engolimos recentemente). Passando por caatingas, planíces verdejantes, skylines em metrópoles, subúrbios, zonas rurais, Cristo Redentor, praias, favelas, condomínios e tudo mais que essa pátria amada tem, o trio começa a despertar concepções sobre o país em que vive. 

Sim, senso crítico. Uma coisa que todo ser humano deveria ter. Ou pelo menos tentar. Durante as viagens da turnê os Paralamas veem como o país realmente é, longe de ser um território com uma economia forte, uma democracia em evolução e uma saúde impecável, como todo governo petista ou tucano gosta de ressaltar. 

Fome, miséria, abandono, precariedade, alegria, ritmo, música, sorrisos, os imensos contrastes que só a sociedade brasileira é capaz de criar, com muito sofrimento e diversão. Enxergando o Brasil em sua essência, Herbert fixa a tonalidade do terceiro álbum do grupo: seu próprio país. Mas, para isso ele sente a necessidade de romper com a linha dos novos grupos da época. Não mais punk, rock e pop. Os Paralamas tocariam ska, reggae e mpb, em um experimentalismo brutal para uma banda de Brasília. 

A notícia cai como uma bomba para a gravadora e para os coleguinhas de plantão. Após o sucesso de O Passo do Lui, era praticamente impositivo que a fórmula fosse repetida no próximo álbum. Por deixar de lado a necessidade de seguir a linha de canções amorosas seguindo a tônica da época, Herbert foi duramente criticado dentro do meio. 

Dinheiro, fama e mulheres seriam trocadas por baladas da Jamaica falando de miséria? Sim. A EMI compra a briga e Liminha passa a produzir a ideia. A partir daí que se começa a notar o quanto esse trio se diferenciava de muitos outros.

Nasce Selvagem, com uma musicalidade efervescente aliada a parcerias como a de Gilberto Gil, os Paralamas do Sucesso trazem maturidade a uma turma de garotos que abria seus olhos para o mundo à sua volta. Para seu próprio país. Para além de seu próprio umbigo. Com "Alagados" e "A Novidade", retratando a realidade brasileira, "Teerã" que incorporava o reggae jamaicano, e "Selvagem" que dá título a obra, o disco vende 700.000 cópias e os coloca de vez entre as maiores bandas do país. 

01 - Alagados
02 - Teerã 
03 - A Novidade
04 - Melo do Marinheiro
05 - Marujo Dub
06 - Selvagem
07 - A Dama e o Vagabundo
08 - There´s a party
09 - O Homem
10 - Você
11 - Teerã Dub


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Kings of Leon - Only By The Night [2008]

São 8 horas da manhã. Todos começam a acordar para uma manhã de domingo na casa dos Followill. O pai, Leon, acaba de chegar de viagem após mais uma aventura de pregações por cidades do estado do Tennessee, exaltando o nome do Senhor e tudo que ele pode fazer pela vida de todos nós, pobres mortais. 

Os irmãos Caleb, Matthew, Nathan e o pequenino Jared embolam na cama, ainda cansados de acompanhar o pai, extremamente irritados de mais uma vez levantar cedo para tocarem música gospel na igreja do bairro. Caleb olha o relógio, enquanto o pai pela enésima vez os chama para o café da manhã. "Que saco - pensou - queria mesmo ficar aqui ouvindo meu disco dos Pixies''.

Essa era uma cena cotidiana na vida dos irmãos do Kings of Leon, a obediência à vida regrada, baseada na educação rígida e religiosa imposta pelo pai, marcaram para sempre seus integrantes, deixando um único legado: a música. Foi com esse aprendizado que eles começaram a desenvolver ainda adolescentes, em Nashville, sua terra natal, os primeiros roteiros de uma banda de rock.

Oito anos após seu início, a banda dos Followill lança seu disco mais maduro e conceituado até então: Only by the Night. A pegada caipira de Youth and the Young Manhood, dá espaço a uma criação bem mais complexa, fazendo uso de riffs concisos e uma presença maciça do piano em várias harmonias. 

Contribuindo bastante para a maturidade do grupo, foi a nítida evolução de Caleb como frontman, trazendo seu tom único como mais um instrumento melódico para as músicas da banda.

Mesmo considerado por muita gente (inclusive por mim) como um grande disco, moderno, conciso e complexo, típico de uma banda que futuramente será considerada de grande porte, Only By the Night encerra um lado experimental que havia começado com Because of The Times. De todo modo, é forte candidato a um dos melhores discos da década. 

Papai Leon deveria ficar orgulhoso de seus Kings.

01. Closer
02. Crawl
03. Sex on Fire
04. Use Somebody
05. Manhatan
06. Revelry
07. 17
08. Notion
09. I Want You
10. Be Somebody
11. Cold Desert

Link: http://www.*4shared*.com/rar/4n88PRPZ/Only_By_The_Night.htm


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

James Blunt - All The Lost Souls [2007]

Deve ser extremamente complicado sair de um disco de estréia com um hit implacável em vendas e a imensa expectativa na criação de um novo álbum que repercuta em sucesso e dinheiro o valor do primeiro. Essa sensação deve ter sido experimentada por James Blunt na composição de All The Lost Souls. É nesse momento que o artista pode fazer alguma idiotice e colocar a perder toda uma propensa carreira meteórica que está por vir. 

Não se enganem crianças, ninguém vive profissionalmente de música simplesmente porque acha bonitinho. Utilizar seu talento de forma inteligente pode ser extremamente rentável e trazer enormes frutos pessoais também. Ninguém quer estragar uma vida do dia pra noite. Por mais artístico que se auto-intitule.

Nessa toada James se aliou a alguns compositores como Mark Batson, Steve McEwan  e Max Martin para criar um disco que refletisse seu lado romântico de forma extremamente clara. Essa idéia derivou inúmeras críticas por parte da imprensa musical, principalmente da Rolling Stone, que classificou o álbum como "baladas esquecíveis". Pobres americanos. Não sabem o que dizem. O que na verdade All The Lost Souls traz é um álbum concebido em cima de um conceito de música romântica que vende, é legal e faz sucesso até hoje. 

Afinal, é completamente humano nos revestirmos de sentimentos bons ao convivermos com quem nos faz bem. Essa idéia quando refletida no campo amoroso e sexual traz o maior ambiente possível para a criação musicial. É por isso que sou fã de músicas românticas. No fundo, é preciso muito coração pra se fazer uma. E muita coragem pra assumir o que se sente.

Desse modo, esse inglês ex-combatente em Kosovo traz uma linha clássica nas composições do disco, com uma entrada melancólica, um ápice e um fim novamente melancólico praticamente em todas as faixas. O que poderia soar como mesmice traz uma coesão e coerência que fazem desse CD um bom disco romântico. E é assim que desfilam coisas como "1973", "Same Mistake" e "Carry You Home'', sempre aliadas aos riffs de piano e o acompanhamento da guitarra, pela primeira vez sutil e elegante, explorando o timbre do inglês. 

Na verdade, o único pecado da obra é a abstração de James em alguma de suas composições, sempre revelando uma tendência a fugir da autobiografia constante no primeiro disco. Talvez por isso, All The Lost Souls, seja um contraponto do primeiro disco. Enquanto Back To Bedlam tinha um conceito íntimo, o segundo disco abre as portas para uma melancolia sentida por todos. Melancolias inesquecíveis e necessárias.

01- 1973
02- One of The Brightest Stars
03- I´ll Take Everything
 04- Same Mistake
05- Carry You Home
06- Give Me Some Love
07- Shine On
08- Annie
09- I Can´t Hear The Music

 Link: http://www.*4shared.com*/rar/xHB3DUhM/All_The_Lost_Souls__Deluxe_Edi.html





quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Maria Rita - Maria Rita [2003]

Maria Rita. Filha de Elis Regina. Essa rotulação acompanha e deverá acompanhar a cantora em toda a sua carreira. Não é por menos, Maria Rita é filha da maior cantora do Brasil. Sim, da maior. Me desculpem Ivete Sangalos e Cláudia Leittes da vida, mas, ninguém interpretava uma canção como Elis. 

Algo estupendo como um furacão, um tornado, uma explosão de sentimentos baseado apenas na música. Parecia que a canção fazia parte das suas veias, acho que talvez o fizesse. Elis foi um cometa que desapareceu rápido na música brasileira, a marcando para sempre. Sua filha, nesse primeiro CD, começou a tentar trilhar esse caminho.

O grande problema dos filhos de artistas é a sua constante comparação com seus pais. A questão é que pessoas são diferentes, não importa o quanto parecido sejam de outras, e isso é duro de aceitar, principalmente pra quem o faz de longe, como um observador quase distante. Como filhos de gênios, por mais propensos que sejam a seguir o que seus pais fizeram, sempre irão encarar dificuldades que todos encontrariam. Ninguém é copia de ninguém. Todos temos nossas originalidades.

Nesse primeiro CD, talvez Maria quisesse estreear na música com um pouco da lembrança de sua mãe. O cabelo curto, o sorriso na capa em preto e branco e a interpretação de grandes compositores da nossa época. Entretanto, ela é inteligente pra saber que não é a mãe, não podendo pautar sua carreira em uma idéia idiota como essa.

Para nossa sorte, sua tentativa visual é apenas conceitual e não uma intensa construção marketeira que poderia destruir seu talento. Como intérprete de letristas, escolheu como parceiros grandes compositores brasileiros contemporâneos e antigos. De Marcelo Camelo exalta "Veja Bem Meu Bem', 'Cara Valente' e 'Santa Chuva'. Do galego Lenine escolheu "Lavadeira do Rio'. De Milton Nascimento trouxe 'A Festa'. E da maior roqueira do país, Rita Lee, cantou 'Agora Só Falta Você' e 'Pagu.' Tudo assinado por Tom Capone.

Pagu. Talvez a grande canção que exalte mulheres como Elis e como a filha, Maria Rita. A mostra viva que nem toda brasileira é bunda. Um ótimo disco de estréia. Com certeza a mamãe ficaria muito feliz e daria um sorriso daqueles.

01 - A Festa
02 - Agora Só Falta Você
03- Menininha do Portão
04- Não Vale à Pena
05- Dos Gadenias
06- Cara Valente
07- Santa Chuva
08- Menina da Lua
09- Encontros e Desencontros
10- Pagu
11- Lavadeira do Rio
12- Veja Bem, Meu Bem
13- Cupido

Link:  http://www.*4shared.com*/rar/gZY_AU6A/Maria_Rita.htm


quinta-feira, 24 de maio de 2012

The Libertines - Up The Bracket [2002]

Em alguma época, motivados pelos surgimentos dos Strokes, surgiram diversas bandas inglesas e americanas com "The" no início de seu nome. Um resgate ao rock sujo, de garagem, formado com sequências de acordes rápidos elevados por batidas concisas e certeiras durante uma fração pouco maior que 2 minutos. 

Era o punk de volta, não como conhecíamos nos anos 70, mas de certa forma resgatando um pouco do lirismo em poucas notas que havia se perdido na metade dos anos 90. Era como se a onda grunge estivesse de volta só que com calças mais apertadas, jaquetas de couro e um bom espaço em qualquer veículo de mídia. Sobretudo a internet. 

Entre coisas como The Hives e The Vines, havia The Libertines. Com certeza, considero como os melhores dessa turma. Simplesmente se tinha de volta Keith Richards e Sid Vicious personificados na figura de Peter Doherty. Para quem está o conhecendo pela primeira vez nesse texto. Eu devo avisar. Esse cara é muito louco. 

Mas, tão louco que às vezes parecia brilhante. Porque caras tão malucos são assim, por debaixo de suas doidices sempre há um pouco de genialidade. Por mais que parecesse apenas mais um drogado empurrando uma guitarra pelo meio de Londres, Doherty contava com um lirismo pouco encontrado em bandas de seu gênero.

O nível cultural que parecia influenciar os Libertines vinha de coisas como Smiths, Kinks, Clash, Sex Pistols,  grupos obrigatórios se você é um britânico que pretende viver fazendo música com o mínimo de decência. Aliado a influência musical também bebiam muito na literatura, principalmente de poetas ingleses do século XIX à Charles Dickens. Alguma modernização de Lord Byron ou coisa do tipo.

Foi assim que em 1997, Doherty se juntou a Carl Barât para compor e começar a dar os primeiros passos na noite londrina. 

O engraçado sobre esses caras e que por muito me admira é que resgatando aquela origem garagista da década de 70 tocavam em qualquer canto. Qualquer canto mesmo, seja um bar de quinta categoria frequentado por elementos de alta periculosidade até festas em colégio municipal. Não havia jeito. Eles estavam lá pra fazer rock´n´roll não importa onde fosse.

Foi no meio dessa explosão na nova cena do rock inglês que eles lançaram Up The Bracket em 2002. O disco foi muito bem recebido pela crítica e fez com que Doherty e Bârat fossem elogiados em toda a comunidade musical inglesa da época alcançando o status de novas caras do rock britânico. Mas, o grande problema continuou sendo Doherty que aumentou ainda mais sua dependência em cocaína. 

Conta Carl Bârat que um dia pegou Pete invadindo sua casa procurando bens pra alimentar seus traficantes. Enfim, a banda sucumbiu como nos anos 70, diante das drogas. Fica um disco direto, conciso e revitalizador. Como sempre, o sotaque britânico é impagável.

Curiosidades: Eleito pela Revista NME Britânica como o 2º melhor disco da década de 2000.

01- Vertigo
02- Death On The Stairs
03- Horrorshow
04- Time For Heroes
05- Boys In The Band
06- Radio America
07- Up The Bracket
08- Tell The King
09- The Boy Looked At Johnny
10- Begging
11- The Good Olds Day
12- I Get Along.

domingo, 13 de maio de 2012

Travis - The Man Who [1999]

Há coisas que você só compreende com alguns punhados de anos de vida. Quando adolescentes somos idiotas o suficiente pra rejeitar um monte de coisa legal a nossa volta. Se você ainda faz isso hoje em dia. Você continua sendo um adolescente. Não desses que curtem o Fiuk. Mas adolescente. 

Entretanto, passado algumas barreiras, compreende-se a necessidade de deixar certas experiências entrarem na sua vida pela primeira vez. 

Me refiro a coisas simples, tangíveis, reais, do cotidiano. Isso que a idade traz: sabedoria para se apegar as coisas mais desprezadas do dia a dia. Coisas que ninguém vê e estão ali presentes. Como sorrisos, gestos, cheiro do café pela manhã e tudo isso que somos forçados a achar irrelevante durante toda a vida. E por que eu estou falando todas essas coisas sem sentido? Porque o The Man Who do Travis só se tornou compreensível quando passei a adorar essas coisas mais simples que listei.

Travis foi fundada na Escócia, isso mesmo, Escócia. Aqueles homens esquisitos que usam saia masculina e tocam gaitas de foles. Lago Ness. David Coulthard. É, estereótipos. Por vezes são muitos necessários. O que importa é que Fran Healy morava em Glasgow e necessitava expor todo seu talento em compor para a comunidade. Para isso, juntou-se a Neil Primrose e Andy Dunlop, no já longínquo ano de 1991. Sob o nome de Glass Onion começaram sua aventura.

A banda só passou a chamar Travis mesmo lá pela metade dos anos 90, porque Fran Healy assistiu e adorou "Paris, Texas" do Wim Wenders (se vocês puderem assistir, assistam). Esse filme é tão fantástico que Bono Vox admitiu certas inspirações para compor The Joshua Three a partir dele. Fabuloso, né não? Com o nome do protagonista do filme estampado na cara, a banda poderia gravar seu primeiro CD em 1996.

De todo modo, só em 1999 que The Man Who foi concebido. Um disco introspectivo, simples, de acordes melódicos e melancólicos do início ao fim. Nada de pessimismo, mágoa, ressentimento, o disco fala sobre sonho, luta, sobre o prazer da virada sobre a vida ("Turn"), cantando as peripécias dessa nossa vida. Singelo, direto, concreto. Do jeito que passei a admirar a vida. Um disco ao melhor estilo trovador. Com certeza deixaria qualquer Beatle orgulhoso.

1- Writing to Reach You
2- The Fear
3- As You Are
4- Driftwood
5- The Last Laugh of The Laugher
6- Turn
7- Why Does It Always Rain On Me?
8- Luv
9- She´s So Strange
10- Slide Show

(Parabéns ao google que alterou o Blogger e me fez não conseguir redimensionar imagens como gosto. Por isso vou alterar o layout dos posts e só utilizar as capas dos discos. São sempre mais bonitas e ofuscam qualquer foto).


quinta-feira, 29 de março de 2012

Volver - Próxima Estação [2012]


Uma das bandas mais legais do Brasil acaba de lançar seu terceiro CD. E é claro, que eu tô falando da Volver. Não costumo postar novidades por aqui, assim, saídas do forno. Não consigo gostar instantaneamente de alguma coisa, leva tempo, degustação, pensamentos e reflexões. Mas, vamos abrir uma exceção.

Próxima Estação já tinha algumas músicas conhecidas pelos fãs da banda, desde o último ano, quando os pernambucanos já mostravam um pouco do novo disco nos shows. Entretanto, o disco começou a ser pensado já no final de 2010. Como novidade interessante, a banda assume uma postura muito mais profissional e totalmente radicalizada em São Paulo. Virou coisa de gente grande. Extremamente necessário quando se quer ganhar dinheiro. Mas, nem sempre isso quer dizer uma queda na qualidade do que se produz. Pelo contrário, agora a sonoridade parece diferente em alguns momentos. Sobre as espectativas, Bruno Souto revela:

“As expectativas são muito boas. Demoramos pra lançar por vários fatores, e muitos deles além de nossa vontade, mas estamos orgulhosos com o disco. Claro, tem várias coisas que eu mudaria nele, mas, normal. Disco não se termina, e sim, se abandona. Já estou pensando no próximo
”
.

O rocker sessentista do começo da banda divide lugar com baladas leves sobre amor e outros devaneios insertos com letras de grande carga reflexiva. Composições adultas, por assim dizer. Os temas, recorrentes ao dia a dia de qualquer humanóide, mantém a banda próxima daqueles de ouvidos apurados e são uma boa pedida nesse início de 2012. Além disso, a banda passa a ser um quinteto, com a adição do teclado de Missionário José e a cessão do baixo de Fernando Barreto à Augusto Passos.

Dentre as faixas, há o aparecimento da polêmica, desde sua concepção, "Mangue Beatle". Volver, popularmente conhecida como banda extraída do seio cultural de Recife, sempre esteve um pouco de lado do movimento manguebit da metade dos anos 90, fazendo com que essa extensão do trabalho de Science sempre fosse renegada, e deixada de lado a outros contemporâneos, como Mombojó.

Ademais, a influência dos caras é muito mais imperativa no que tange ao rock britânico e a Jovem Guarda Brasileira do que o disco Da Lama ao Caos, coisa que para uma cena cultural tão apeguada a seus referenciais, pareceu um crime. Assim, Bruno Souto destila acidez contra a necessidade do rótulo manguebit aos artistas locais, fazendo questão de afirmar que dessa lama, não faz parte.

Atitude interessante e condizente com a forma de como concebe a banda, benéfica até, que trará frutos em um lançamento nacional. As crianças cresceram, senhoras e senhores. Letras maduras e uma ótima produção. Orgulhosos, já pensam no futuro.

01 - Marizabel
02- Próxima Estação
03- A Dor que Goza
04- Simplesmente
05- Mallu
06- Mangue Beatle
07- Gente
08- Amargo
09- Saudades do Verão
10- Ana
11- Sincero
12- Próxima Estação (acústica)

Link: http://albumvirtual.trama.uol.com.br/album/1128131251 (o download pode ser feito pela Trama Virtual)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Apanhador Só - Apanhador Só [2010]

Ah, o Sul. Uma região que nunca fui e tenho imensa vontade em conhecer. Afinal, parecem seres muito mais civilizados que essa sociedade que conhecemos aqui ao norte. Ao longo das últimas três décadas, os sulistas trouxeram grandes contribuições ao rock brasileiro. Humberto Gessinger? Claro. E uma enorme trupe. Nenhum de Nós, Cidadão Quem, Bidê ou Balde, Wander Wildner.. A lista é enorme e impera respeito.

Entre eles, adentrando essa década mequetrefe para a música brasileira, entre "shimbalaiês" e calças coloridas, algumas cabeças parecem destoar da imensa massa e apontar para um novo rumo. Rumo esse que condiz com a sequência de bons nomes do rock gaúcho que merece passar por aqui.

E esses bons nomes, são os caras do Apanhador Só. Coincidência ou não, atentei pela primeira vez ao som desses caras quando notei a referência entre o nome da banda e Apanhador no Campo do Centeio, um dos meus livros favoritos. A história de Holden figurou por muito tempo na minha adolescência, como uma das melhores obras que já li. Indico para qualquer um que tem um "aborrecente" em casa, um clássico necessário a qualquer formação. De sua mistura com "Marinheiro Só" do Caetano Veloso surgiu o título do grupo.

O começo foi bem típico, e com uma qualidade já evidente. Aos 15 anos Alexandre Kumpinski já entoava clássicos do The Who, dos Beatles e fazia uma mistura inovadora com sons de Chico Buarque, em tom de powertrio. Nas palavras de Alexandre, quase bacharel em letras, um aviso: 'para escrever, não é necessário se fazer um curso.' Sábias palavras, meu jovem. Sábias palavras.

Afinal, as letras líricas da banda preenchem um vazio que há muito tempo permeia as novas bandas, ainda tão ligadas a necessidade de reproduzirem Marcelo Camelo, pode-se formar sua própria poesia, a evolução é constante.

Com a chegada de Carina Levitan, a percussão com cara de sucata começou a dar o ar da graça, fundamental aos novos projetos da banda. Com Felipe Zancanaro na guitarra e algumas mudanças no grupo, tornou-se a forma atual: Kumpinski, Zancanaro, Fernão Agra e Martin Estevez (ô povo pra gostar de nome gringo).

Após umas temporadas e alguns Eps, surgiu a necessidade de um primeiro disco. A Fumproarte (Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre) abriu edital para seleção de projetos, fazendo com que Kumpinski e sua turma jogassem uma demo de Embrulho pra Levar, o primeiro EP).

Com o parecer positivo da comissão de licitação (na terceira tentativa), praticamente todo aquele EP estaria presente nesse primeiro disco. Justo. Para quem ainda não conhecia, foi como revisitar os primeiros passos da banda. De qualquer maneira, sempre importante.

Apanhador Só sabe bem o que quer, letras concisas, irônicas, amorosas, aliadas a uma variedade de ritmos que à primeira vista impressiona. Do romantismo ao violão a um baião entoado nas guitarras, os meninos demonstram que não seguem fielmente seu rótulo gaúcho, não precisando usar galochas e reinventarem Engenheiros do Hawaii. Tem seu próprio valor.

Jovens de próprio valor, isso tá fazendo falta pra caramba hoje em dia.

01- O Rei e o Zé
02- Pouco Importa
03- Prédio
04- Maria Augusta
05- Peixeiro
06- Bem-me-Leve
07- Nescafé
08- O Porta Retrato
09- Baião-de-Vira-Mundo
10- Jesus, O Padeiro e O Coveiro
11- Origames Over
12- Vila do Meio-Dia
13- E Se Não Der

Link: http://www.apanhadorso.com/

terça-feira, 20 de março de 2012

Legião Urbana - Que País É Este (1987)

11 entre 10 crianças que nasceram na década de 90 sabem de cor ''Faroeste Caboclo''. Nasceram e cresceram por entre fábulas e lendas sobre um compositor homossexual da década de 80, chamado Renato Manfredini, o Russo, para os íntimos. Com um vozeirão e uma imensa sensibilidade em suas canções, Renato foi, sem dúvida, o maior expoente do rock nacional brasileiro até hoje.

Duvido, que depois de sua geração apareça alguém capaz de significar no imaginário dos jovens brasileiros o que ele significa. Uma pena, que não criamos mais jovens assim. Mas, diante de uma juventude burra, alienada e irrelevante, ainda encontramos gente que sabem cantar suas músicas do início ao fim, em qualquer hora do dia, seguindo seus passos mesmo mais de 15 anos depois sua morte.

Em 1987, a Legião Urbana já se consolidava como uma das maiores bandas do país. O boom dos anos 80 já dava sinais que estava enfraquecido, e nada mais que despertasse grande interesse surgia. Renato teve uma ascensão interessante, já que foi um pouco tardia em relação a seus contemporâneos de estilo, como os Paralamas do Sucesso. O fato de ter aparecido depois, fez com que seu auge coincidisse com a queda na popularidade de outras estrelas, como o Barão Vermelho. Isso, com certeza, influenciou no impacto de recepção desse disco.

O disco, em si, era o terceiro da banda, com um punhado de canções que estavam esquecidas desde o fim do Aborto Elétrico, banda inaugural do rock brasiliense, criada por Renato Russo no fim da década de 70. A maioria Renato já havia composto há quase 10 anos atrás. Entre elas, uma chamava a atenção. Uma epopéia de 168 versos e nenhum refrão sobre um tal de João do Santo Cristo. Um grude gigantesco.

Para quem vivia em Brasília no início dos anos 80 e convivia com Renato, a fama do compositor de Faroeste Caboclo já ganhava força, porque, ao primeiro som, criava uma atmosfera de amor à primeira vista. Foi assim com os primeiros acordes no Planalto Central, e seria, com sua difusão nacional.

Esquecida por aqui, achei uma das versões sobre a origem da música. Flávio Lemos, baixista do Capital Inicial e amigo de infância de Renato, foi passar um belo fim de semana no Rio de Janeiro, com a família Manfredini. Em uma viagem pra Búzios, da qual Renato não foi, Flávio transou com uma prima de Renato, chamada Mariana. A qual, esse nutria um amor platônico, não correspondido. Ao chegar no Rio, a menina contou a todos. Nas palavras de Flávio:
"Quando voltei, ele já sabia. E considerou aquilo uma traição. Cheguei de madrugada, tinha viajado a noite toda, e ele me acordou bem cedinho. Renato tinha passado a noite inteira escrevendo a música. Ele me disse que eu era o Jeremias, o maconheiro sem-vergonha. Ele era o João de Santo Cristo - olha o nome que ele tinha dado a si mesmo! - E a prima Mariana era a Maria Lúcia. Renato criou um épico com essa história."

E foi um épico mesmo, a Legião Urbana tomou o lugar estrondoso do RPM, se consolidando a passos firmes na cena mainstream da música brasileira. De Globo de Ouro a disco de diamante, não havia limites para onde esses caras tinham chegado. Renato, tentando explicar o sucesso do disco, declara:
"Acho que (o sucesso) tem a ver com a tradição da música folclórica no Brasil, de possuir uma ligação forte com a narrativa - a música sertaneja tem muito disso." "Fora o fato de a música falar de um cara que está sofrendo altas dificuldades, tentando manter sua honra. As pessoas se identificaram com isso.''

E se identificam, até hoje, Que País É Este é um disco atemporal. Marcado intensamente pelo sentimentalismo de Renato, seja em sua face explosiva ou amorosa. Uma personalidade diferente, sem dúvida.

Curiosidades: Que País É Este, Conexão Amazônica, Mais do Mesmo e Faroeste Cabloco sofreram censura.

01- Que País É Este
02- Conexão Amazônica
03- Tédio (Com um T Bem Grande pra Você)
04- Depois do Começo
05- Química
06- Eu Sei
07- Faroeste Caboclo
08- Angra dos Reis
09- Mais do Mesmo

Link: http://www*.fileserve.com/file/CSQPww7


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Lenine - O Dia em que Faremos Contato [1997]

O galego. Osvaldo Lenine nasceu em Recife, em 2 de fevereiro de 1959. O pai, um comunista. A mãe, católica fervorosa. Quando criança, lia Marx do mesmo jeito que ia à missa. Em casa, a paixão dos velhos pela música fez com que Lenine conhecesse desde logo gente como Jackson do Pandeiro e Elizete Cardoso.

Conhecer, sem conhecer de verdade, sabe? Na música, quando somos abençoados, ouvimos coisas legais o tempo inteiro, mas, só conhecemos anos e anos depois. É a graça, é o que faz nascer esse amor. E esse amor veio logo cedo, era costume na casa dos Lenine que cada um da família tocasse um instrumento.

Nos finais de semana, a rodinha se formava, o violão passava de mão em mão, cada um tocando as músicas que faziam parte do seu repertório predileto, uma comunhão. Uma época sem BBB, sem Fantástico, onde as famílias se reuniam para fazer coisas legais.

Foi assim que o gosto pelo instrumento e pela música foi aflorando, adolescente, após conhecer Zeppellin, Lenine apesar de não admitir, já sabia: queria ser músico. E nessa caminhada, 29 anos depois do primeiro disco, Baque Solto, fez com que esse galego se tornasse a representação do que mais legal aconteceu com a música pernambucana nas duas últimas duas décadas.

Poesia, verso, o rock aliado ao maracatu, ao frevo, o pop, o tropicalismo, uma salada de primeira que nos deu e nos continua dando tantos artistas multifacetados.

Reconheço que nos anos 70 não era fácil estabelecer uma conexão a partir de Pernambuco quando se tratava de música, faltava referencial. Se tinha Gonzaga, mas, Luís era muito distante, quase 20 anos antes, e o baião não era, por excelência, uma forma de se conectar ao que se estava fazendo de novo na época, não ainda. Por isso, Lenine procurou no movimento mineiro, o Clube da Esquina de Milton Nascimento, o ponto de apoio pra os seus devaneios.

Assim, ele mesmo define:

Aí comecei a compor. E, de tudo que eu não gostava na época do rock’n’roll, no Brasil me chamou aten­ção o Clube da Esquina. E aí contemporaneamente eu consegui acompanhar, como fã, aquele núcleo de pessoas em volta de Milton Nascimento. Fazendo uma música divina, que eu achava que era impossí­vel fazer, que a gente não tinha tecnologia pra isso.

Com uma bagagem cultural invejável, faltava o passo certo rumo as gravações. Diferentemente dos roqueiros dos anos 80, Lenine amadureceu muito seu trabalho antes de expor por aí. Essa consistência e maturidade o elevou a um patamar alcançados por poucos na música brasileira. Daqueles que você olha de longe, com olhar de comtemplação. Por isso, após Baque Solto, lançado em 1983, o segundo disco, O Dia em que Faremos Contato, só foi lançado em 1997 (14 anos depois!).

A compreensão de si mesmo, do seu som, do mercado e do País, revolucionaram sua música. Estava estabelecida a ponte que ligaria a música contemporânea a Pernambuco. Implicitamente, o tradicionalismo da região com a modernidade pop, uma ligação ainda não feita antes, nem mesmo por Science.

01 - A Ponte
02- Embolada
03- Hoje Eu Quero Sair Só
04- Candeeiro Encantado
05- Etnia Caduca
06- Distante Demais
07- O Dia Em que Faremos Contato
08- A Balada do Cachorro Louco
09- Aboio Avoado
10- Dois Olhos Negros
11- O Marco Marciano
12- Que Baque é Esse?
13- Bundalelê

Link:
http://*www.4shared.com*/zip/-W0W8xYU/Lenine_-_O_Dia_Em_Que_Faremos_.html



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cícero - Canções de Apartamento [2011]


Vocês são incríveis. Conseguem manter um ótimo número de acessos por dia sem eu parar de ter a imensa cafasjestagem de não dedicar um pouco de tempo a isso aqui. Diante das milhões de metas do dia a dia é difícil conciliar tanta coisa. Por vocês, e por alguém em especial, que conseguiu visualizar todas essas postagens, faço a estréia de 2012.

Nesse interregno, conheci umas coisas boas, outras, nem tanto. Sem dúvida, demonstro a mais interessante: Cícero.

Como político, orador e advogado, dizem que esse Romano butou pra quebrar, virando até Cônsul (um espécie de Dilma) da República Romana nos tempos antes do homem de Nazaré (da Galiléia, não da Mata).

Sua versão carioca, brasileira e underground me presenteou com um dos discos mais legais do ano passado: Canções de Apartamento.

Apartamento: esse cubículo em que o ser humano habita na normal tendência ocidental de verticalizar e diminuir as coisas. Só quem viveu em um, sabe do quanto um apartamento pode despejar em sentimentos: companheirismo, amizade, amor, solidão, tristeza e saudade.

Aliás, essa é uma boa discussão trazida por Zeca Baleiro em toda a sua obra, a distância entre as pessoas nas grandes cidades e a valorização cada vez maior do nada, do ninguém e do passageiro. Parecemos rostos indefinidos com um ponto de interrogação na frente.

Ninguém faz questão mais de conhecer ou se relacionar com ninguém. Isso emudece e endurece a humanidade, é a consequência da tecnologia e da modernidade, algo inevitável e compreensível. Condensar essa mistura em poucas canções com qualidade e estética, são coisa rara hoje em dia. Como é a música de Cícero.

Um violão, acordes de belíssimo gosto, uma boa melodia e palavras sinceras. Foi assim que o carioca pautou todo o disco, de passagens românticas a abismos imensos recheados de harmonia e até acordeon. Ouçam isso malditos rockers da MTV, ainda se faz coisa legal nesse País.

Honrando a camisa carioca de Chico Buarque à Marcelo Camelo, em entrevista ao Musica Pavê, soltou:

MP: Começa a virar do mundo, mas sem deixar de ser todo seu, já que tudo ali é muito pessoal, né?
"Cícero: É muito doido. Você faz uma música falando de você, aí aquela pessoa longe pra caramba ouve, se identifica, e agora a música fala dela, então aquela música parece ser tão dela quanto sua. Na minha opinião, não é o meu sentimento e a minha vida que estão naquela música, aquela música tá pra representar todo mundo que se identifica com ela, sabe? É como se eu compartilhasse daquela música tanto quanto a pessoa que tá ouvindo, nós dois ouvindo aquela música e se identificando com ela. Não vejo como uma coisa minha que estou “dando pra alguém”, vejo como uma coisa minha que eu botei no mundo pra todo mundo compartilhar, inclusive eu."

Como um coração precisa de ar, ouçam esse disco, com carinho, calma, e várias vezes, se possível. Eu garanto, seu apartamento vai aparecer bem mais aconchegante.

01 - Tempo de Pipa
02- Vagalumos Cegos
03- Cecília e os Balões
04- João e o Pé de Feijão
05- Ensaio sobre Ela
06- Açúcar ou Adoçante?
07- Eu não tenho um barco, disse a árvore
08- Laiá Laiá
09- Pelo Interfone
10- Ponto Cego

Download: http://www.cicero.net.br/

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Oasis - The Masterplan (1998)

Noel Gallagher foi o maior compositor da década de 90. Por quê? Por suas obras. Em 1998, o Oasis lançou uma coletânea, escolhida no site da banda (é, em 1998!) logo após o furor de Be Here Now, denominada: The Masterplan.

A capa, um reflexo da proposta do disco. Inúmeros intelectuais e críticos dispostos em uma sala de aula debatiam-se por inúmeros assuntos alheios à música. Não se procurava atenção, queria-se um registro. E foi isso que se conseguiu.

No mercado, principalmente internacional, é comum o lançamento de singles. Singles são músicas de trabalho de qualquer banda, são as canções escolhidas para tocar na rádio e que ganhar clipes no Youtube e na MTV, junto a elas, aparecem fragmentos de composições ou gravações que ficaram de fora do lançamento à época ou foram simplesmente esquecidas pelo tempo. As chamadas B-sides.

Sempre tive em mente, por mais idiota que seja a idéia, que se mede a influência e a capacidade de um compositor pela qualidade de suas B-sides.

A variedade e completude de uma obra, em torno de um único músico, passa pela oportunidade que cada canção produzida tem de alcançar seu espaço, seja em uma fita empoeirada pelo tempo ou pela voz de um outro intérprete. Noel Gallagher, é um desses biscoitos finos que consegue inserir suas composições além do que previam suas simples propostas, apenas pela profunidade das canções.

Em The Masterplan, o Oasis reuniu músicas que ficaram de fora de seus três primeiros discos. Entre elas, a lista continha 'Acquiesce', um retrato implícito dos irmãos de Manchester, composta dentro de um trem a caminho do país de Gales. 'Talk Tonight', minha preferida, dedicada a uma gentil garçonete de São Francisco, lugar que também deu origem a 'Half The World Away': singelas expressões ao violão-solo.

'Fade Away' perdeu a briga com 'Slide Away' e ficou ausente de Definitely Maybe, embora retrate toda a atmosfera do disco de estréia. A canção-título, 'The Masterplan', é definida pelo gênio da guitarra, como a mais lirista de toda a carreira da banda, uma jornada pela vida, despreocupada e confiante.

Além de comprovar a capacidade de um compositor aos seus 28 anos de idade, o disco vendeu dois milhões de cópias em todo o mundo, sendo a minha uma delas, guardada com muito carinho, como símbolo de uma época que não voltará mais.

01- Acquiesce
02- Underneath the Sky
03- Talk Tonigh
04- Going Nowhere
05- Fade Away
06- The Swamp Song
07- I Am The Walrus (Live)
08- Listen Up
09- Rock´in Chair
10- Half The World Away
11- (It´s Good) To Be Free
12- Stay Young
13- Headshrinker
14- The Masterplan


Link: http://*www.4shared.com*/rar/BMnhs3ZU/1998_-_The_Masterplan.htm

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Chico Buarque - Vida [1980]

É por discos como esse, que Chico Buarque é o maior compositor desse Brasil. De toda a sua gigantesca discografia, escolho como meu preferido. Existem motivos óbvios para isso. Lançando em 1980, Vida vivia um período inédito na vida do vovô, o de liberdade das amarras da censura.

Isso, para um compositor já maduro, chegando na base de seus 40 anos de idade, é um prato cheio para a fertilidade musical. E nisso, Francisco explora muito bem. Rejeito a caracterização fútil e superficial de Chico como um compositor político ligado ao movimento repressor do governo militar. É como dizer que FHC é liberal porque foi tucano e Lula é comunista por ser petista, uma análise típicamente brasileira, envolta à preguiça e a falta de inteligência ao abordar um assunto.

Essa caracterização se torna frágil ao analisarmos os próprios anos 70, para adentrar no discurso, é só ter um pouco de pura empatia e se vestir nos trajes de um escritor ou compositor da época. Fácil afirmar que você não poderia escrever tudo que tivesse na cabeça. Ser preso, torturado, exilado ou até, eram hipóteses recorrentes. Então, nada mais justo que passasse a falar de sentimentos, emoções, personalidades e sobre o país em código, um braile pautado em inúmeros acordes de samba e delicadeza com a língua portuguesa. Você ao fazê-lo não se faria político, nem ao menos, comunista.

Pois bem, a partir de 1980, com o começo da transição para a democracia, Chico estava finalmente solto para compor sem as amarras de mais de uma década. Assim, Vida se tornou um fenômeno pela intimidade e existencialismo em que trata diversos temas do cotidiano, como sempre a obra de Chico fez. Dessa vez, a metáfora é deixada de lado pela sinceridade, pelo toque e carícia com as palavras, uma reinvenção de um compositor calado pelo punho estatal.

Com a ajuda de gente como Francis Hime, Tom Jobim e Roberto Menescal, o disco aparece pautado por arranjos luxuosos e simétricos. A primeira faixa, auto-título, é trazida por um homem que dá um sopro de liberdade, se revigorando com a surpresa que o tempo lhe trouxe: 'Eu sei que fui feliz, luz, quero luz, sei que além das cortinas são palcos azuis.'Para aliar, trazia consigo obras que foram pautadas em espetáculos teatrais e cinematográficos da época, como 'Eu te amo' e 'Bye-Bye Brasil.'As canções por encomenda, como denomina, frequentes a partir do final dos anos 80.

Despedida, solidão, amor, desamor, temas recorrentes na obra desse monstro aparecendo de forma intimista e personalizada, como o sofrimento de uma atriz, de uma dona de casa, de um padeiro, de um sambista, de gente simples, como eu e você. Vida não é mais um disco padecendo em um universo mercadológico, é um retrato das nossas vidas. Como sua obra também o é.

1. Vida
2. Mar E Lua
3. Deixa A Menina
4. Já Passou
5. Bastidores
6. Qualquer Canção
7. Fantasia
8. Eu Te Amo
9. De Todas As Maneiras
10. Morena De Angola
11. Bye Bye , Brasil
12. Não Sonho Mais

Link:http://www.jobim.org/chico/handle/2010.2/1398


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Paralamas do Sucesso - Longo Caminho [2002]

O ser humano tem uma capacidade incrível de superar as dores e as tragédias. Um íntimo tão pessoal e poderoso que alguns expõem a passar por determinada situações, cuja fonte pra mim parece impossível de ser encontrada. Fé, Deus, Força, Espírito, ou qualquer outro tipo de entidade que ilumine esses seres, elevam uma simples forma humana a um super-homem de fazer inveja a Zaratustra. Afinal, cada vez mais estamos rejeitando esses momentos, parece que a dor, não é mais um suplício humano. Já alcançamos o status de deuses.

Dentre aqueles que mais admiro no mundo da música, o sujeito que vi realizar uma dessas revoluções de si mesmo foi alguém chamado Hebert Vianna. Em 4 de fevereiro de 2001, Hebert perde o controle de seu ultraleve em Mangaritiba - RJ e cai no mar. Ao seu lado no avião, está sua esposa Lucy Needham. Eu tinha 12 anos de idade, mas, já era um fã convicto dos Paralamas do Sucesso.

A notícia do acidente de Hebert durante a tarde de domingo, me causou mais perplexidade que o próprio acidente de Ayrton Senna, visto in loco, em 1994. Minha relação com ídolos, de sempre íntima, faz as perdas abruptas serem muito sentidas.

De um acidente praticamente mortal, Hebert ficou paraplégico, perdeu sua amada e mãe de 2 filhos. Lucy não resistiu. Talvez Hebert não resistisse também. Que alegria que ele não seguiu a regra lógica.

Após 44 dias em coma, Hebert acorda com perda parcial de memória. O quadro clínico é surpreendente, e com poucos dias, ele já tenta manusear uma guitarra com imensa dificuldade. A força do talento e da perseverança como eu nunca vi. Um ano de apoio dos fãs e dos amigos, fazem que Longo Caminho, até então preso em uma gaveta, esperando a volta de seu criador, apareça.

Longo Caminho foi gravado antes do acidente, mas, teve seu lançamento indeterminado pela tragédia. O disco, melódico e profundo, era o primeiro gravado desde um interlúdio de 3 anos. A formação, continuaria a mesma, Hebert, Bi, Barone. Nunca precisaram de mais ninguém.

A única diferença, é que Hebert não seria o mesmo, transformado fisicamente e psicologicamente pela tragédia, ele tentava aos poucos viver novamente. Assim como seu título, um Longo Caminho estava por vim.

Canções sentimentais como 'Amor em Vão' e 'Cuide do Bem do Seu Amor' demonstram a necessidade do presente e de suas relações no cotidiano, cultivá-las, faz, muita diferença. 'Seguindo Estrelas' virou um hit apaixonado, dedicado a esposa Lucy, em toda a turnê. Enquanto 'O Calibre' foge do limiar do disco, trazendo o Alagados dos anos 2000.

Assim, pouco mudou no país, muito mudou em Hebert, muito aprendi... ou será que não?

01- Amor em Vão
02- La Estación
03- O Calibre
04- Seguindo Estrelas
05- Longo Caminho
06- Soldado da Paz
07- Cuide Bem do Seu Amor
08- Flores no Deserto
09- Running On The Spot
10- Flores e Espinhos
11- Hinchley Pond

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Arctic Monkeys - Suck It and See! [2011]

Os macacos árticos hoje em dia são minha rocker band favorita. Por isso, faço menção honrosa por aqui do seu quarto disco, lançado em 06 de junho deste ano, no Reino Unido.

Suck It See demonstra uma mistura entre uma revitalização do começo da carreira da banda com as nuâncias de Humbug, seu terceiro disco. É visível que os garotos de Sheffield não são mais menininhos dando ares a sua potência criativa de forma um tanto quanto leve e irresponsavél. O pesar do anos e do status que a banda alcançou em tanto tempo faz seu reflexo durante o álbum. Como qualquer ser vivo em evolução, uma banda também passa por um progresso em determinado sentido, consequência inata dos próprios seres que a formam.

Após My Favorite Worst Nightmare, o grande disco do Monkeys até então, Alex Turner resolveu experimentar outros ares para compor. E nisso, Humbug é explícito, as variações de estilo são parte da tentativa em explorar novos sentidos, com letras profundas e extremamente truncadas para alguém com um inglês britânico tão fraco quanto eu.

O disco deixou como grande vestígios a bela 'Crying Lithning' e a 'storytelling' 'Cornerstone', onde Turner exerce com maestria a figura de compositor, inserindo em um disco tão polivalente uma balada com toda a caracterização Dylan, para mostrar a história de um cara que procurava em todas as mulheres a figura da amada perdida.

Confesso que fiquei feliz pela tomada de rumo desse disco, me senti incomodado com o último, e achava que a banda tinha um pouco se perdido. Para minha felicidade, Suck It See mostra uma nova retomada e maturidade dos macacos, trazendo o pop conciso e feito de forma simples à tona. Com grande aparição, está o baixo de Nick O´Malley, talvez o membro mais contido da turma, exercendo uma força pulsante em todas as faixas. Mas, sem dúvida seu começo foi muito bem premeditado, com a belíssima 'She´s Thunderstorm'.

A voz cada vez mais soturna de Turner aliada aos riffs participativos de Jamie Cook, que de às vezes tão inusitados, parecem intrometidos, mas, nada que tire a bela sequência do disco. É assim que ele lança, a segunda grande música do disco, 'The Hellcat Spangled Sha la la', que apesar do refrão 'Sha la la', com toda a pinta dos 'Iê-iê-iê' dos anos 60, tem uma sonoridade de provocar qualquer rebolado a partir de seu segundo refrão.

Um disco com um ótimo nível, e que anuncia a racionalização de uma banda com tanto potencial, que parece ter qualidade em permear qualquer segmento musical. Go, Arctic!

01- She´s Thunderstorm
02- Black Treackle
03- Brick By Brick
04- The Hellcat Spangled Sha la la
05- Don´t Sit Down 'Cause I´ve Moved Your Chair'
06- Library Pictures
07- All My Own Stunts
08- Reckless Serenade
09- Piledriver Waltz
10- Love is A Laserquest
11- That´s Where You´re Wrong
12- Suck It and See!

Link: http://www.4shared.com/file/yi2SuYzA/Arctic_Monkeys_-_Suck_It_And_S.htm


sábado, 8 de outubro de 2011

Tibério Azul - Bandarra [2011]

Quase não apareci em Agosto e passei todo o mês de Setembro sem aparecer por aqui. Uma pena. Feliz aqueles que vivem da arte, seja serviço dela ou a partir dela. Eu, mero espectador, não tenho tanta sorte. Tenho inúmeras atividades além de pegar a arte pela mão, e sair para uma volta e meia de conversa.

Mas, comemorando, já chego com a estréia de duas novidades:
1- Quem quiser aderir ao incrível Facebook, curte lá: http://www.facebook.com/pages/Pensador-Praticante/285060574844959

2- O lançamento de Bandarra.

Bandarra? WTF? o que seria? Bandarra é o lançamento solo de Tibério Fonseca, o popular Tibério Azul, da extinta Mula Manca e a Fabulosa Figura e do vivinho da silva, Seu Chico. Segundo o Priberam, é um substantivo masculino, sinônimo de profeta e adivinho.

Tenho apreço pelas bandas especialmente em seu surgimento, quando nascem, comem muita poeira, crescem e ganham milhares de fãs. Tá, quando se tem milhares de fãs, eu já começo a achar que a graça se perdeu. Por isso, vivi o nascimento da Mula Manca e a Fabulosa Figura, do Seu Chico e com muita expectativa esperava por um álbum como Bandarra.

Tibério sempre foi um jovem propenso a criações poéticas, e isso, quando adere a música, cria uma mistura tão leve e deliciosa como um bom bolo de fubá da vovó. Isso, que é trazido por meio de seu primeiro disco. Por mais que adore música, sinto uma necessidade que ela caia de joelhos perante as palavras, que a fonética, mais do que nunca, permeie a harmonia de uma canção. Não existem músicas para uma letra, a letra determina a existência de um conglomerado de sons, porque, a escrita, quando é aliada a música, impõe sua soberania.

Francisco Buarque de Holanda, o maior compositor desse país, considera a grande arte de um compositor deixar de lado suas experiências pessoais e emocionais sobre uma determinada temática para viver o deleite da inocência ao compor. O amor sem percalços, os ideais sem obstáculos, a vida de uma forma como não é vivida, essa abstração que dá o leve gosto que transforma o próprio ouvinte em um sonhador naquelas poucas linhas que chegam aos seus ouvidos.

E é assim, que Bandarra aparece, um disco leve e propenso a frases apaixonadas que retratam de forma simples o sabor de viver, de amar e de viver com quem se gosta. O nascimento do artista, como o próprio Tibério transparece no clipe de 'Veja só', a necessidade da aceitação que um copo vazio, mesmo um copo vazio, é cheio de ar, por isso, merece profundidade necessária para sua contemplação.

Assim, é também com um disco, não se necessita burlar conceitos mercadológicos nem empresariais, a idéia da canção não é falar por cifras, é falar por sentimentos, e esse disco de estréia, cumpre bem seu papel.

Bem-vindo a carreira individual, Tibério Azul, que outros Bandarras venham, de uma forma tão grata para os ouvidos, quanto este.

01- Vamos Ficar Sol
02- Veja Só
03- De Onde Eu Sou
04- Trabalho
05- Alquimista Tupi
06- Abóbora (vinheta)
07- Lá Em Casa
08- Quando Maria fundou o Carnaval
09- Mais Sabe o Sol
10- Bandarra

Link (crédito a Musicoteca): http:*//www.amusicoteca.com.br/*?file_id=1197

domingo, 21 de agosto de 2011

Kasabian - Kasabian [2004]

Ops, peguei vocês, han? A distância infidável entre a última postagem e essa era com o único intuito de demonstrar que essa coisa sem noção aqui não acabaria. Vocês estão todos ferrados, isso é que nem Malhação, sempre vai existir com as mesmas histórias, só alterando o elenco. Nunca gostei de música eletrônica, posso aqui externar meu repúdio? Claro que posso.

A Constituição garante criticarmos algo abertamente, de forma coerente. Mesmo que isso seja considerado politicamente incorreto por qualquer veículo de mídia. Pois é. Eu nunca gostei de música eletrônica. Pra mim, é totalmente fútil e dispensável, talvez, nem se encaixe no conceito de definição musical.

Aprendi com 8 anos de idade, que música se tratava da junção de 3 elementos: ritmo, harmonia e melodia. Se falta algum esses elementos não é música, é coisa de criança batucando por aí. Por isso, fica difícil pra mim aceitar o eletrônico, fico sempre achando que tô jogando Top Gear (é, o clássico, original).

Pois bem, mesmo com esse meu pré-conceito, é inevitável que o rock se alie ao eletrônico, a tal sonoridade moderna. Foi dessa união, tão batida na última década, que surgiu o Kasabian. Kasabian é uma banda de rock britânico da mais pura qualidade, um biscoito fino. Gosto dela só pelo nome (Casêiban), uma escolha de muita sobriedade, um dos melhores nome fantasias que já ouvi se tratando de rock´n´roll.

O nome vem de Linda Kasabian, membro da Família Manson, aquele grupo de fanáticos religiosos (bota fanáticos nisso) criado por Charles Manson, que foi testemunha nos crimes cometidos pelo grupo. Tom Meighan, Sergio Pizzorno, Jay Mehler, Chris Edwards e Ian Matthews se conheceram na escola, em Leicestershire, um condado inglês, cuja cidade mais importante é Leicester.

O início, foi clichê, meninos com instrumentos na mão tentando homenagear seus ídolos com uma banda de nome idiota, Saracus. Em 1999, o primeiro EP, mas, apenas 5 anos depois, conseguiriam o primeiro disco, esse aqui, com auto-título. Kasabian foi lançado em 2004, e me encheu os olhos por trazer uma linha de baixo permeante em todas as faixas, de forma contínua e bem construída, são quase um Stone Roses dos anos 2000, com um puro requinte.

A voz de Tom Meighan é impregnante, lembrando um pouco Richard Ashcroft, com pura influência do britpop dos anos 90. Já eles, os elementos eletrônicos, estão por todo o disco, os efeitos e samplers se fazem presente em todas as faixas, mas, não são componentes essenciais, são adereços que componhem o disco.

Como eu, acho inocentemente, que deve ser, o eletrônico auxiliando a música, não querendo ter pernas próprias.

01- Club Foot
02- Processed Beats
03- Reason Is Treason
04- ID
05- Orange
06- LSF (Lost Souls Forever)
07- Running Battle
08- Test Transmission
09- Pinch Roller
10- Cutt Off
11- Butcher Blues
12- Ovary Stripe
13- U-Boat

link: http://hotfile.com/dl/113796604/413894b/2004Ksbn-Ksbn.rar.html


domingo, 14 de agosto de 2011

China - Simulacro [2007]

Simulacro: imagem, cópia ou reprodução imperfeita. Imperfeito, essa seria uma boa caracterização dos discos pernambucanos antes e até durante o movimento manguebeat em meados da década de 90.

Com o tempo, a imagem pernambucana, aliada a caboclo-de-lança e maracatu, prejudicou bastante qualquer conceito que fosse além dessa mero estereótipo. Praticamente, ando dizendo que o que não soasse como Nação Zumbi, era afastado dos nossos próprios ouvidos, principalmente diante de alguma cena de Recife. Essa auto-censura e medo do novo e das derivações são limitadores comuns em uma cultura tão enraizada, mas, que sempre é nociva quando se interpretada radicalmente.

Só com os anos 2000, que o rock pernambucano começou a aceitar a idéia que não deveria beber de sua própria fonte, e ir, calmamente, buscar novos ares, miscelando com sua própria música, criando um ambiente mais rico e poderoso. China é um filho dessa nova geração. Vocalista do Sheik Tosado, banda nascida em 1996, com o intuitou de juntar o maracatu e frevo com o hardcore.

Idéia já inovadora, diante do panorama que eu citei acima, mas, na prática, era um monte de garoto que achava que berrar o tempo todo era uma coisa bonita. Às vezes sim, constantemente não. A banda durou até 2001, quando encerrou as atividades, deixando como espólio um único álbum, o Som de Caráter Urbano e de Salão.

Em seguida, para continuar como músico, o Chinaman necessitava de se entregar as suas próprias composições e procurar uma nova rapaziada. Difícil é a vida de um músico que não tenha uma formação com algum instrumento, daquele compositor que não tem enraizada a criação da música e sim, uma base linguística. Gente como Arnaldo Antunes e o próprio China, superam suas próprias debilidades porque são muito bons, e fazem amigos pra caramba. Conseguem de sua própria falta, achar os subterfúgio para nascer seus próprios projetos.

É nessa esteira, que China lança o primeiro EP sozinho, Um Só, em 2007, e parte para a gravação de seu próprio disco com uma turma da pesada: Chiquinho, os irmãos Machado e Felipe S. (Mombojó), Rafael B. (Bomsucesso) e Pupillo (Nação Zumbi). Com uma galera dessa de apoio, difícilmente apareceria um disco débil.

Simulacro se torna não um disco de autoria do próprio China, mas, uma reunião do que melhor foi produzido pelo espólio da Nação Zumbi, com uma nova vertente diferente e voluntariamente conduzida a mostrar uma nova faceta do rock pernambucano.

Aqui, há espaço para um cuidado maior, um olhar mais dedicado para produção de disco que era pouco explorada por essas terras. A influência de Roberto Carlos, de Chico Buarque e de gente do interior, como Otto, transforma o antes berrante China, em um letrista e cantor de voz baixa e suave aliada a guitarras rítmicas e programações eletrônicas.

Esse, é o novo rock pernambucano.

01- Um Dia Lindo de Morrer
02- Jardim de Inverno
03- Sem Paz
04- Asas no Pés
05- Câncer
06- Colocando Sal nas Feridas
07- Durmo Acordo
08- Canção que Não Morre no Ar
09- As Ondas Não Chegam nos Pés
10- Pastiche

Link: http://www.4shared.com/file/AcCVOBh5/China_-_Simulacro.htm